A Culpa é das Estrelas, de John Green [+ Sorteio]

A Culpa é das Estrelas, de John Green

.— O.k. — ele disse. — Preciso ir dormir. Já é quase uma hora.
— O.k. — falei.
— O.k. — ele disse. Eu ri e repeti: — O.k.
[…]
— O.k. — ele disse, depois do que pareceu ser uma eternidade. — Talvez o.k. venha a ser o nosso sempre.
— O.k. — falei.
John Green, A Culpa é das Estrelas, Cáp. 05

Como não é novidade para ninguém, A Culpa é das Estrelas chegou ao Brasil e logo conseguiu uma legião de fãs. Apesar de não ter sido o primeiro livro de sick-lit publicado, mas foi ele quem trouxe visibilidade para este subgênero literário. Como já foi mencionado em um texto anterior, Como Viver Eternamente, de Sally Nicholls, este gênero é caracterizado por contar a história de personagens que sofrem de alguma doença terminal, anomalia por má formação congênita, transtornos psicológicos (depressão, transtornos alimentares), suicídio, entre outros. Mas o que ACEDE, tão carinhosamente chamado pelos fãs, tem de diferente dos livros publicados anteriormente?

John Green segue a formulação padrão: “Adolescente com problemas existenciais + melhor namorad@ de tod@s = Linda história de amor”. Mas, como nem tudo são flores, esta adolescente é uma sobrevivente do câncer, assim como o garoto por quem ela se apaixona. Logo na sinopse você já pensa que o “Felizes para sempre!” deles acontecerá mais rápido que o de outros. Mas qual deles? Os dois? Nenhum? Quando? Como o outro se sentirá? Foi pautado nessas curiosidades, bem como no fato de que o filme estava prestes a estrear que decidi me aventurar nessa leitura.

A Culpa é das Estrelas, de John Green [Quote]

Hazel Grace Lancaster tem 16 anos e foi diagnosticada aos 13, com um câncer na tireoide em estágio avançado. Mas, apesar disso e de todas as drogas experimentais que toma na esperança de permanecer viva por mais alguns dias, ela é uma adolescente comum. Não comum propriamente, mas ela estuda (em casa), vai ao cinema, gosta de ouvir música e ler… ou seja, realiza as atividades padrão de uma adolescente. No entanto, sua mãe acaba achando que ela está ficando depressiva e decide orientá-la (leia-se “força-la”) a frequentar um grupo de apoio a pessoas com câncer.

Augustus Waters, também aos 16, possui o diagnóstico de osteossarcoma [câncer ósseo]. A doença o levou a amputar uma das pernas, impelindo-o a abandonar sua carreira como jogador de basquete. Pautado na teoria das metáforas, Augustus está sempre com um cigarro na boca, mas nunca acende, ou seja, ele está em contato com o que pode matá-lo, mas não dá o poder para tal. De bom coração, certo dia ele decide acompanhar seu amigo Isaac [que tem um câncer ocular] ao grupo de apoio a pessoas com câncer. Então…

Mas quando tudo parece estar ficando chato, surge o primeiro diálogo entre Augustus e Hazel. E logo vem o segundo, e mais outro… Na citação a seguir é possível perceber a vivacidade do personagem, que apesar de ter câncer [no corpo] não pretende deixar que ele faça parte dos seus “melhores momentos”. Ele vive como se o câncer fosse só um detalhe esquecível, o que torna tudo mais emocionante e tocante, do que o sofrimento já conhecido.

— E aí? Qual é a sua história? — ele perguntou, sentando do meu lado, a uma distância segura.
— Já contei minha história para você. Fui diagnosticada quando…
— Não, não a história do seu câncer. A sua história. Seus interesses, passatempos, paixões, fetiches etc. (Cáp. 02)

Foi nesse momento que me perguntei: O que aconteceu com John Green para deixar que a Hazel contasse a história, e não o Augustus? Ele é tão educado, conquistador, questionador, ousado… e ela é tão… tão… senso comum. Não é que a Hazel seja ruim, embora eu não tenha simpatizado nada com ela, apenas acho que o Augustus cumpriria melhor o papel de narrador. Apesar disso, achei que eles formaram um casal perfeito.

Como todo bom casal, Hazel e Augustus começam com uma linda amizade (que por mim teria continuado assim!), inicialmente falando sobre músicas, livros, lugares, personalidades. Ele até chega a compará-la com a Natalie Portman em V de Vingança. Numa dessas conversas, Augustus descobre que Hazel tem um livro favorito [Uma Aflição Imperial] e que seu sonho é um dia conhecer o autor (Peter Van Houten) para que ele lhe responda algumas coisas sobre o final da história. Ele decide ler e acaba internalizando o desejo dela. Esses dois elementos [livro e autor] são os grandes responsáveis pelo desenrolar da trama como um todo.

John Green.
John Green.

Apesar de ser um livro com tema central bem triste (câncer), John Green conseguiu construir uma história bem divertida. Na maioria dos momentos, você até consegue esquecer que a Hazel está carregando um carrinho de oxigênio e que o Augustus não possui mais uma das pernas. Mas, como tudo tem seu lado negativo, tiveram dois pontos que me desagradaram bastante, mas depois que li outros livros do Green percebi que é uma característica dele: o primeiro deles foi que tudo acontece rápido demais, sem explicações detalhadas, o que de certa forma prejudica a contextualização de algumas cenas; já o segundo, não relacionado especificamente ao livro, mas ao grande alarde que os fãs fazem, ou seja, a história é linda e emocionante, mas só.

Tirando a jovialidade que o John Green consegue expressar, ACEDE é um romance simples. Mas, ainda assim recomendo muito, para que ainda não leu – se ainda houver alguém! (risos)

Curiosidades:

  • A Estrela que nunca vai se apagarJohn Green criou a personagem Hazel Grace inspirado na história de Esther Grace, uma amiga que passou a vida lutando contra o câncer.
  • A história de Esther foi publicada pela Intrínseca no  livro A Estrela que nunca vai se apagar, o qual traz textos da própria adolescente, fotos, páginas do seu diário, além de uma linda introdução do próprio John Green.
  • A Culpa é das Estrelas foi adaptado para o cinema este ano (2014) sob direção de Josh Boone. O filme foi protagonizado por Shailene Woodley (Hazel Grace Lancaster) e Ansel Elgort (Augustus Waters).

BookTrailer (Em Inglês)

Sorteio

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Ficha Técnica

A Culpa é das Estrelas, de John GreenTítulo: A Culpa é das Estrelas
Título Original: The Fault in Our Stars
Autor(a): John Green
Editora: Intrínseca
Tradução: Renata Pettengill
Edição: 2012 (1ª)
Ano da obra / Copyright: 2012
Páginas: 288
Skoob: Adicione
Sinopse: A culpa é das estrelas narra o romance de dois adolescentes que se conhecem (e se apaixonam) em um Grupo de Apoio para Crianças com Câncer: Hazel, uma jovem de dezesseis anos que sobrevive graças a uma droga revolucionária que detém a metástase em seus pulmões, e Augustus Waters, de dezessete, ex-jogador de basquete que perdeu a perna para o osteosarcoma. Como Hazel, Gus é inteligente, tem ótimo senso de humor e gosta de brincar com os clichês do mundo do câncer – a principal arma dos dois para enfrentar a doença que lentamente drena a vida das pessoas.

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9 comentários

    • Olá Elizabeth
      Eu também me emocionei em alguns momentos, mas acho que o livro me conquistou mais com as partes cômicas.

      Beijos!

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  1. Eu li o livro, assisti o filme que foi bem fiel ao livro.
    Gostei muito, mesmo pela morte de Gus, mais Jhon Green deveria de para “matar” nossos personagens favoritos, muito irritado pelo o que aconteceu em “Quem é você Alasca?” :(…
    Mais fazer o que né, sou apenas um leitor 🙂

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    • Olá Yan!
      Espero que as pessoas não se incomodem com seu spoiller! kkk
      Esse detalhe em si não me incomodou tanto. Acho que o John Green acertou na escolha das cenas.
      Ainda não li Quem é você, Alasca? Mas depois disso que falou, já sei que vou gostar!

      Abraços!

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