| Resenha | A Escolhida (Doador #02), de Lois Lowry

A Escolhida

Você é mais forte do que aqueles que não sentem dor alguma.
Lois Lowry, A Escolhida, Pág. 23

Como já mencionei em outro momento, ler séries não me agrada muito, mas sempre acabo dando oportunidade a uma ou outra. E não foi diferente com a série do Quarteto ‘O Doador’. O interesse surgiu principalmente por causa do lançamento do filme baseado no primeiro livro, o qual li exclusivamente para este fim. Mas, como quem já leu O Doador de Memórias irá entender, o final do livro/filme acaba deixando o leitor com um gostinho de “quero mais”. Quando vi que a Editora Arqueiro iria lançar o segundo volume da série, fiquei muito empolgado.

Mas infelizmente a expectativa não foi superada. Entendam, A Escolhida é um livro excelente, ele apenas não segue a história do livro anterior. No entanto, esse detalhe é o que torna “O Quarteto” uma série no mínimo curiosa, pois ela é formada por três livros construídos em sociedades diferentes e um último que une essas três histórias fabulosas. Aliás, essa é a promessa da autora, e assim espero que aconteça. Mas vamos ao segundo volume, que é o que realmente importa – por enquanto.

Nesse livro, somos apresentados a Kira, uma jovem órfã que acaba ficando abandonada à própria sorte num mundo “onde os fracos não tem vez” [lembra até nome de filme, rs]. Além de órfã, Kira possui um defeito na perna, o que deixa ela mais vulnerável – sua dificuldade na locomoção torna ela inapta para o serviço na comunidade, cuja pena é ser abandonada no Campo (leia “descartada”). Mas apesar desse destino, a vida tem muito mais a oferecer a Kira do que ela imagina, isto é, ela possui um dom: seus dedos possuem a habilidade de bordar de forma extraordinária.

Em linhas gerais, a narrativa é bem simples. Kira, após se tornar órfã, é julgada pelo Conselho dos Guardiões (entidade de aplicação das leis), o qual decide se as pessoas estão aptas ou não para viverem na comunidade. E, apesar de tudo conspirar contra a permanência de Kira (órfã, deficiência na perna, ser adolescente), ela é “liberada” e ainda ganha uma atividade importante na sociedade: reconstruir uma túnica na qual é contada a história do mundo em que vivem. Assim, enquanto ela realiza esse trabalho, muitos segredos dessa sociedade e da vida de Kira vão surgindo e dando vida ao enredo.

Imagem da Kira, de A Escolhida.
Imagem da Kira, de A Escolhida.

Para que a protagonista consiga avançar nas suas atividades e descoberta dos segredos, alguns personagens são importantes (até mais que a mesma). São eles: Thomas, o Entalhador, um jovem que, assim como Kira, possui um dom (mas neste caso relacionado com a madeira); Matt, uma criança, e seu amigo Toquinho (um cão); e Anabelle, uma anciã que ajuda Kira no processo de tintura das linhas usadas no bordado. Outros personagens ainda surgem na trama, mas estes são os mais bem construídos e explorados, bem como os mais cativantes na trama.

Um detalhe sobre seus nomes, é que na sociedade, a idade é identificada pela quantidade de sílaba a pessoa possui. Pelo que compreendi, a cada 10 anos, aproximadamente, as pessoas vão atribuindo uma sílaba aos seus nomes, como sinal de maturidade. Mas, contrariando a regra, Matt, apesar de muito novo e brincalhão, se mostra como um dos personagens mais maduros e complexos da trama – isso também como reflexo da sociedade em que vive.

Adaptação de Gathering Blue para o Teatro.
Adaptação de “Gathering Blue” para o Teatro.

Como segundo volume de série, A Escolhida é extremamente frustrante, mas quando olhado sob a óptica de uma história ímpar, Lois Lowry é simplesmente fantástica e consegue envolver o leitor até a última revelação nos últimos parágrafos. Neste, a sociedade é bem mais semelhante com a atualidade que no primeiro livro, o que possibilitou o avanço da leitura.

Recomendo sim a leitura, mas aí vai um aviso: Leia como um livro individual! Não se prendam ao primeiro volume (não agora!). Aproveitem este como se fosse um livro independente, pois assim a frustração poderá ser evitada e a história, aproveitada.

Sequência de publicação/Cronologia da série:

  • O Doador de Memórias [O Doador] (The Giver, 2014)
  • A Escolhida (Gathering Blue, 2014)
  • Messenger (2004)
  • Son (2012)

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Ficha Técnica

A EscolhidaTítulo: A Escolhoda
Título Original: Gathering Blue
Autor(a): Lois Lowry
Série: O Doador de Memórias
Editora: Arqueiro
Tradução: Fabiano Morais
Edição: 2014 (1ª)
Ano da obra / Copyright: 2000
Páginas: 192
Sinopse: Órfã e portadora de uma deficiência, Kira precisa enfrentar um futuro assustadoramente incerto. Vivendo em uma civilização que descarta os mais fracos, ela sofre hostilidade dos vizinhos, que a acusam de ser inútil para a comunidade. Quando é chamada a julgamento pelo Conselho dos Guardiões, Kira se prepara para lutar pela vida. Mas, para sua surpresa, os autoritários chefes já têm outros planos e a encarregam de uma tarefa grandiosa: restaurar os bordados de uma túnica centenária que contam a história do mundo. Escolhida por seu talento quase mágico para bordar, a jovem fica radiante com a honraria. Quando dá início ao minucioso serviço de investigação do passado, ela depara com uma série de mistérios nas profundezas do universo que achava conhecer tão bem. Confrontada com uma verdade chocante, Kira precisará tomar decisões que mudarão sua vida e toda a comunidade. Em A Escolhida, Lois Lowry traz ao leitor personagens e cenários distintos de O doador de memórias, mas que complementam a sensacional distopia e abrem um novo horizonte de reflexão para a tetralogia.

Onde comprar:
Cultura | Saraiva | Estante Virtual | Submarino

2 comments

  1. Também não sou muito fã de séries… Às vezes acho que o autor pretende escrever em mais de um livro para vender mais, mas acaba perdendo o fio da meada… Essa é a sensação que eu tenho.
    Não conhecia essa série, e não sei se me animei muito não hahaha

    Beijos

    Meu Meio Devaneio

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    • Olá Soraya!
      Eu tenho essa impressão as vezes. Não podemos negar que existem séries ótimas, mas a maioria delas têm suas histórias confusas apenas com o intuito de vender e vender.
      Estava com saudade.
      Beijos!

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