O Guardião do Tempo, de Mitch Albom

O Guardião do Tempo

 Só o ser humano mede o tempo.
Só o ser humano repica o som das horas.
E por isso só o ser humano sofre de um medo paralisante que nenhuma outra criatura suporta.
O medo de que o tempo se esgote.
Mitch Albom, O Guardião do Tempo, pág. 13.

Livros de autoajuda nunca fizeram parte da minha lista de “livros que pretendo ler um dia”, até que Mitch Albom lança O Guardião do Tempo. Não que este seja necessariamente um livro desse gênero, mas livros cuja “moral da história” se sobressai à própria história são – a meu ver – livros de autoajuda. Mas como já li e a história mexeu comigo, vamos a ela.

Inicialmente, somos apresentados a Dhor, um homem que sempre se interessou pela numeração das coisas. Tudo começa quando, certa vez, ele observa que existe um padrão entre o nascer e o pôr do sol, e que essa repetição dos fatos poderia ser usada para contar os dias. Outros fatos fizeram com que ele começasse a contar as fases da lua, e consequentemente os meses, depois as horas e todas as várias formas que conhecemos hoje de contar o tempo. Sua obsessão foi tamanha que ele acabava deixando a esposa e amigos de lado para se dedicar às contagens.

Mas como toda dádiva (já que ele aprendeu a controlar o tempo) vem acompanhada de um fardo, Dhor acaba sendo castigado, ou seja, banido para uma caverna durante seis milênios. Como se essa imortalidade já não bastasse, Dhor acaba ficando sozinho numa caverna ouvindo as reclamações das pessoas que estão na terra. Depois de passado esse tempo, Dhor recebe uma segunda chance de voltar, desde que ele se comprometa a ensinar a duas pessoas o verdadeiro sentido do tempo. Para este fim, ele escolhe uma adolescente desiludida, prestes a cometer suicídio, e um empresário poderoso (que possui câncer) que pretende “viver para sempre”.

As histórias são contadas paralelamente e isso torna a leitura bem dinâmica, o que possibilita a compreensão para os atos fatalistas dos personagens. Apesar de ser uma história relativamente curta, Albom nos traz ótimos personagens, cujas personalidades são fortes e marcantes. Embora seja um livro com abordagem religiosa, conseguimos nos divertir e refletir bastante com ela, sem que precisemos ficar o tempo inteiro pensando nas palavras: benção, castigo, divino, Deus e afins.

Mitch Albom
Mitch Albom

Mitch não me convenceu ao descrever algumas cenas de transição temporal, a qual requer um pouco mais de detalhamento fantástico. Não que as cenas ficaram confusas, no entanto, ele se preocupou tanto em colocar lições de vida nesses momentos, que alguns detalhes do ambiente/momento foram esquecidos.

Ao mesmo tempo em que peca nos detalhes acima citados, Albom acerta em cheio nos diálogos – Até imagino como seria uma peça escrita por ele! –. Ele faz o leitor crer num futuro melhor, independente de qual religião você pertencer (ou caso não pertença a nenhuma). Ele nos faz refletir sobre a importância dos nossos atos, e suas possíveis consequências. Dentre os vários diálogos interessantes, esse foi o que mais me comoveu:

– […] Tempo não é coisa que se devolva. O momento imediatamente seguinte pode ser a resposta a suas orações. Negar isso é negar a parte mais importante do futuro.
– Que é o que?
– A Esperança. (Pág. 207)

Não sei bem se é uma regra nesse tipo de literatura, mas o final é previsível. Mas, apesar disso, Mitch Albom consegue envolver o leitor até chegar ao desfecho. Ele consegue fazer com que a leitura seja rápida (já que a diagramação ajuda muito, assim como os diálogos e a temática) e envolvente. Assim que finalizei a leitura fiquei refletindo sobre o livro, e o adorei. Mas, depois que a excitação de finalizar mais um livro passa, você percebe que ele é apenas bom. Ele funciona muito bem como uma leitura de transição. E se esse for o caso, recomendo!

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Ficha Técnica

O Guardião do TempoTítulo: O Guardião do Tempo
Título original: The Time Keeper
Autor(a): Mitch Albom
Editora: Arqueiro
Tradução: Lucia Ribeiro da Silva
Edição: 2013 (1ª)
Ano da obra / Copyright: 2012
Páginas: 240
Skoob: Adicionar
Sinopse: O Guardião do Tempo – Dhor sempre foi obcecado por enumerar coisas. Quando percebeu um padrão entre o nascer e o pôr do sol – que se repetiam um após o outro, infinitamente –, ele aprendeu a contar os dias. Ao descobrir que a lua mudava de forma e depois voltava ao seu formato original, passou a contar os meses.Sem saber, movido por uma curiosidade ingênua, Dhor estava aprisionando a maior dádiva de Deus: o tempo. E pagaria um preço alto por isso, sendo banido para uma caverna durante seis milênios. Imune aos efeitos dos anos, passava seus dias sozinho, forçado a ouvir as vozes das pessoas implorando por mais minutos, mais dias, mais anos – querendo esticar os momentos de felicidade e encolher os instantes de sofrimento. Depois de compreender o mal que havia criado ao fazer a vida girar em torno de um relógio, Dhor é mandado de volta à Terra com uma missão: ensinar a duas pessoas o verdadeiro sentido do tempo. Ele escolhe uma adolescente desiludida, prestes a pôr fim à própria vida, e um homem de negócios rico e poderoso que pretende desafiar a morte e viver para sempre. Cada um à sua maneira, eles precisam entender que o tempo é um dom precioso, que não pode ser desperdiçado nem manipulado. Para salvar a própria alma e concluir sua jornada, Dhor precisará salvá-los. Antes que o tempo se esgote – para todos.

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2 comentários

  1. Acredito ser interessante a ideia de visualização dialética da realidade, dessa forma percebo que o livro nos transmite essa abordagem ao vincular realidades de solidão e intervenção após esse momento que o personagem encontrava-se sozinho. O processo de reflexão deve ser entendido para além do caráter religioso, na verdade o mesmo deve estar alinhado a dinâmica de percepção enquanto sujeito no espaço societário, assim parabenizo a resenha e, consequentemente, o livro por trazer essa idealização.

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    • Esta discussão entre realidade e religiosidade é bem interessante, principalmente por não forçar o leitor a seguir numa linha única de pensamento!
      🙂

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