O Demonologista, de Andrew Pyper

O corpo é fraco…”
“… mas o coração é forte”
“Não iria tão longe. Mas ainda bate. É tudo o que peço.”
Andrew Pyper, O Demonologista, pág. 213.

Desde que a editora DarkSide chegou ao mercado editorial brasileiro em 2013, os leitores conheceram um novo nível no que se refere a edições-de-encher-os-olhos. De lá para cá, o número de fãs da editora só aumenta e a qualidade acaba exigindo maior empenho por parte das editoras concorrentes. Tudo isso é para começar a falar de um livro lançado esse ano pela editora, O Demonologista, do norte-americano Andrew Pyper. Antes de falar qualquer outra coisa sobre o livro, devo dizer que esta é uma das edições mais lindas e bem cuidadas que já vi.

Logo na chamada, um elogio de Gillian Flynn, outra autora de thriller que ganhou o público brasileiro — e a mim — com o seu Garota Exemplar (já comentado AQUI). Na embalagem, uma frase afirmando ser este um filho de O Código Da Vinci e O Exorcista. E esse, devo dizer, talvez seja o ponto mais negativo do livro, entre outros pequenos problemas na trama. Isso porque, de fato, a primeira parte do romance de Pyper se aproxima muito de uma obra de Dan Brown, não a supracitada, mas a mais recente, Inferno. Ao usar Paraíso Perdido, de John Milton, para estruturar e conduzir sua obra, Pyper, querendo ou não me faz pensar no que Brown fez em seu último romance com A Divina Comédia, de Dante.

Andrew Pyper
Andrew Pyper

Todavia, as semelhanças e pontos negativos param por aí. Excetuando-se essa comparação, podemos dizer que O Demonologista, enquanto thriller escrito por um autor que já tem seis títulos publicados, é uma leitura interessante. Principalmente pelo experimentalismo no subgênero. Conhecedor experiente da fórmula para um bom thriller, Pyper faz sua primeira incursão pelo thriller de conspiração e acrescenta aí um toque sobrenatural, fazendo um híbrido deste com o terror. E ao fazer isso, acerta positivamente em não sucumbir ao clichê do terror com demônios/exorcista. Os demônios de Pyper são reais demais para se assustarem com algumas frases em latim e água benta.

Ilustração presente no interior da edição original.
Tess vê demônios e o inferno (ilustração presente no interior da edição original).

O protagonista da trama é David Ullman, um professor de literatura especialista na obra do poeta inglês John Milton. Ateu declarado, Ullman se vê cercado por um pandemônio, literalmente e não só, seu casamento vai por água abaixo, sua filha desaparece sobrenaturalmente e ele presencia uma manifestação real do demônio, sobre o qual ele sempre estudou, mas nunca acreditou de fato. A partir daí, ele entra numa jornada para tentar salvar sua filha, Tess. Para isso, ele precisa provar a existência do Inominável, o que, obviamente, seria um colapso para o cristianismo. Assim, por um lado, Ullman é perseguido por um homem misterioso a mando de uma entidade religiosa; por outro, o protagonista conta com a ajuda de sua melhor amiga, a psicóloga Elaine O’Brien.

A respeito das personagens, a que merece mais destaque é Elaine, que infelizmente quase fica de fora da primeira parte da trama. A mesma representa a calmaria em meio à tormenta e é ela quem faz com que Ullman não perca o controle de sua própria vida. Elaine está convivendo com um câncer em estado terminal, mas mesmo em tal situação consegue manter o equilíbrio e ajudar Ullman. Afinal, é isso que amigos fazem. A própria figura demoníaca que ronda Ullman, o Inominável, também merece destaque, em especial pelas cenas bizarras e assustadoras.

Stephen King, Joe Hill e Andrew Pyper
Stephen King, Joe Hill e Andrew Pyper

Influenciado por nomes como Stephen King, e conhecedor da obra do filho deste, Joe Hill, Andrew Pyper faz bem a lição de casa ao inserir elementos e cenas macabras em sua obra. Mas sua inspiração não vem só daí, segundo o próprio autor, a literatura clássica também contribuiu para a concepção dessa obra, há também Henry James e obviamente o próprio John Milton por trás do seu best-seller. Vez ou outra, durante a leitura, fui surpreendido com descrições bizarras, algumas religiosamente macabras, outras grotescas e viscerais, que ficaram reverberando na minha mente mesmo após a leitura.

O livro, assim como outros dois títulos do autor, está sendo adaptado para o cinema por Robert Zemeckis, conhecido por Forrest Gump (1994) e pela trilogia De Volta Para o Futuro (1985-1990). Enquanto o filme não chega, vale conhecer a obra original. Quem gosta de thrillers e histórias com horror sobrenatural vai adorar. Aqueles que curtem uma bela edição na estante, essa com certeza será uma das mais bonitas na coleção. Vale a pena conhecer, quem já leu ou quem quiser ler (e o fizer), não deixem de comentar aqui o que acharam.😈😈😈

Detalhes desta edição:

Veja os detalhes da edição no nosso instagram:

Exorcizando o tédio do fim de semana. #ODemonologista #AndrewPyper

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Death on the Pale Horse (1865) #GustaveDoré #TheDemonologist #AndrewPyper #DarkSide

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Book Trailer

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Ficha Técnica

Título: O Demonologista
Título original: The Demonologist
Autor(a): Andrew Pyper
Editora: DarkSide
Tradução: Cláudia Guimarães
Edição: 2015 (1ª)
Ano da obra / Copyright: 2013
Páginas: 330
Skoob: Adicione
Sinopse: O personagem que dá título ao best-seller internacional é David Ullman, renomado professor da Universidade de Columbia, especializado na figura literária do Diabo – principalmente na obra-prima de John Milton, Paraíso Perdido. Para David, o Anjo Caído é apenas um ser mitológico. Ao aceitar um convite para testemunhar um suposto fenômeno sobrenatural em Veneza, David começa a ter motivos pessoais para mudar de opinião. O que seria apenas um boa desculpa para tirar férias na Itália com sua filha de 12 anos se transforma em uma jornada assustadora aos recantos mais sombrios da alma. Enquanto corre contra o tempo, David precisa decifrar pistas escondidas no clássico Paraíso Perdido, e usar tudo o que aprendeu para enfrentar O Inominável e salvar sua filha do Inferno.

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One comment

  1. Olá Ademar, acabei de ler o Demonologista e não poderia concordar mais contigo. O trabalho da Darkside, quanto à edição, está ficando cada vez mais aprimorado, tenho um livro de 2013 e já dá pra ver que melhoraram. Confesso que fiquei com medo quando fizeram a referência aos livros do Brown, não sou nada fã dele, mas ainda bem que as semelhanças são bem efêmeras se comparar à toda narrativa.

    Parabéns pela resenha.

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