Amaldiçoado, de Joe Hill

Amaldiçoado, de Joe Hill

Ignatius Martin Perrish passou a noite bêbado, fazendo coisas horríveis. Acordou na manhã seguinte com dor de cabeça, levou as mãos às têmporas e sentiu algo estranho, um par de protuberâncias pontiagudas […].
Joe Hill, Amaldiçoado, pág. 08.

Como forma de reafirmar minha característica “simbolista”, como a Vanessa Lemos disse certa vez, decidi procrastinar esta resenha para poder postá-la exatamente hoje. Mas porque hoje? Há precisamente 43 anos, nascia o herdeiro do rei (Stephen “King”, rs), Joseph Hillstrom King – Joe Hill. Assim como o pai, Hill está entre os primeiros da minha lista de autores favoritos, o que fica bem claro na minha introdução da crítica sobre Nosferatu. Apesar de possuir todos os romances dele publicados no Brasil, ainda não consegui entender porque “cargas d’água” comecei a ler do último, mas o importante é ler. Em todo caso, como este [Amaldiçoado] foi o segundo romance escrito pelo autor, em 2010, traduzido inicialmente como O Pacto, não estou tão errado assim: o segundo publicado ainda é o segundo lido, rs.

Joe Hill 2
Joe Hill, o príncipe de terror/horror

Tietagens a parte, vamos à apresentação do meu novo melhor amigo: Ignatius Perrish, ou apenas Ig. Protagonista dessa perturbadora história, Ig era um cara comum, tinha uma família unida e um irmão inseparável, além de possuir um grande amor, Merrin. Mas, como tragédias acontecem, Merrin é brutalmente violentada e assassinada e, por falta de provas que o incriminem ou inocentem, Ig se torna o principal suspeito. Com isso, ele passa a ser perseguido por todos, inclusive a família (de forma indireta), onde todos começam a tratá-lo como um monstro, o que torna sua vida um inferno (literalmente). Apenas Glenna, garota com quem ele divide apartamento e a cama, às vezes, parece acreditar na sua inocência, até certo ponto.

Cerca de um ano depois da morte de Marrin, as coisas não parecem melhorar para Ig, pois apesar de não se saber ainda quem a matou, ele acorda com uma ressaca “dos diabos”, desconhecendo o que se passou na noite anterior e com fortes dores de cabeça. Quando se olha no espelho, percebe que chifres começaram a nascer e que ele não faz ideia de como e porque isso está acontecendo. Como se isso não bastasse, a existência desse chifre causa um efeito perturbador nas outras pessoas, isto é, elas se sentem persuadidas a externar seus segredos (pecados?) mais íntimos.

– O que você está planejando? – perguntou Posada ao companheiro.
– Estava pensando em enquadrá-lo por alguma coisa.
– Pelo quê? – insistiu Posada.
– Não sei. Qualquer coisa. Queria plantar uma evidência. Um saquinho de cocaína. Uma arma não registrada. Pena que não temos nada. Queria mesmo era foder com a vida dele.
– Tenho vontade de beijar sua boca quando você fala palavrão – disse Posada. Sturtz fez que sim, sem se perturbar com aquela declaração. […] (p. 26)

Se utilizando desse novo dom, Ig percebe que poderá descobrir quem realmente assassinou Marrin, desde que esteja na presença dessa pessoa. Mas antes disso, ele precisa descobrir se a família dele (pelo menos eles) acreditam na sua inocência. No entanto, como os chifres perturbam as pessoas, os segredos de sua família são revelados e as reviravoltas começam a acontecer. Cada membro, uma surpresa, um turbilhão de novas informações que apenas tornam Ig mais confuso e, apesar disso, mas decidido na sua vingança à morte de Marrin.

Joe Hill 1
Joe Hill como Ignatius Perrish.

Queria poder me estender mais, mas acredito que essas informações já são suficientes para compreender a complexidade e riqueza do texto do Hill. Ele constrói personagens muito densos e humanamente reais, apesar de toda a fantasia presente no livro. Isso porque, os elementos fantásticos utilizados funcionam como instrumentos para mostrar quão perverso e sensível, simultaneamente, um ser humano pode ser. E sim, pensamentos de vingança não estão apenas na mente de pessoas ruins, apenas algumas pessoas têm a coragem de executar os planos arquitetados mentalmente. E foi exatamente isso que Ig fez. Mas lembrem-se: NÃO FAÇAM ISSO EM CASA!

O enredo é extremamente envolvente. Alguns flashbacks aparecem para justificar algumas ações e, em vários momentos eu não sabia se estava amando ou odiando Ig. Ele parecia tão real que, às vezes, me sentia inclinado a contar alguns segredos meus. Mas não o fiz, uma vez que não conseguia tirar os olhos das linhas hipnóticas do livro. E quando chegou ao final? Eu apenas precisava de mais alguns detalhes. Não que Joe Hill tenha deixado brechas ou falhas, foi apenas aquela sensação de que a história não poderia terminar.

Horns Movie (Daniel Radcliffe)
Daniel Radcliffe interpretando Ignatius na adaptação para o cinema.

Quanto à edição, eu não tenho a primeira (com a capa vermelha), mas esta reedição está linda. Esse novo título ficou bem melhor, assim como a presença do Daniel Radcliffe na capa. Mas a fonte ainda me incomoda, sério! Prometi não falar mais nisso, mas mesmo com uma história incrível como essa, às vezes a leitura ficava cansativa porque a fonte é muito pequena e dinâmica de leitura fica fragilizada.

Contudo, Joe Hill só me conquistou ainda mais. Se ele já lhe conquistou também, comenta ai! Qual melhor livro dele, em sua opinião? Compartilhe conosco!The Horns (Movie) (2)

Curiosidades

  • O livro foi adaptado para o cinema, com nome homônimo. O mesmo contou com a direção de Alexandre Aja e foi protagonizado pelo eterno Harry Potter, Daniel Radcliffe (Ignatius);
  • Apesar do roteiro ter sido assinado por Keith Bunin, Joe Hill deu muitos pitacos para deixar a adaptação o mais fiel possível. E parece que ele conseguiu.

Trailer do Filme

Títulos do autor publicados no Brasil

  • Fantasmas do Século XX (20th Century Ghosts, 2009) [Coletânea]
  • A Estrada da Noite (Heart-Shaped Box, 2010)
  • O Pacto / Amaldiçoado (Horns, 2010-2015)
  • A Tribo (Throttle, em parceria com Stephen King, 2013) [Conto em E-book]
  • Nosferatu (NOS4A2 2014)

Postagens relacionadas

Ficha Técnica

Amaldiçoado, de Joe HillTítulo: Amaldiçoado
Título Original: Horns
Autor(a): Joe Hill
Editora: Arqueiro
Tradução: Bárbara Heliodora e Helen Potter Pessoa
Edição: 2015 (1ª)
Ano da obra / Copyright: 2010
Páginas: 320
Skoob: Adicione
Leia um trecho: AQUI
Sinopse: Ignatius Perrish sempre foi um homem bom. Tinha uma família unida e privilegiada, um irmão que era seu grande companheiro, um amigo inseparável e, muito cedo, conheceu Merrin, o amor de sua vida. Até que uma tragédia põe fim a toda essa felicidade: Merrin é estuprada e morta e ele passa a ser o principal suspeito. Embora não haja evidências que o incriminem, também não há nada que prove sua inocência. Todos na cidade acreditam que ele é um monstro. Um ano depois, Ig acorda de uma bebedeira com uma dor de cabeça infernal e chifres crescendo em suas têmporas. Além disso, descobre algo assustador: ao vê-lo, as pessoas não reagem com espanto e horror, como seria de esperar. Em vez disso, entram numa espécie de transe e revelam seus pecados mais inconfessáveis. Um médico, o padre, seus pais e até sua querida avó, ninguém está imune a Ig. E todos estão contra ele. Porém, a mais dolorosa das confissões é a de seu irmão, que sempre soube quem era o assassino de Merrin, mas não podia contar a verdade. Até agora. Sozinho, sem ter aonde ir ou a quem recorrer, Ig vai descobrir que, quando as pessoas que você ama lhe viram as costas e sua vida se torna um inferno, ser o diabo não é tão mau assim.

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2 comentários

  1. Oi José!
    Sabe…confesso: só tenho curiosidade de ler Joe Hill por ele ser o herdeiro de Mr.King (para saber se o talento corre no sangue, rsrs). Pela sua resenha, deve correr. Mas esse terror assim não faz meu estilo.
    Beijos,
    alemdacontracapa.blogspot.com

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    • Olá, Mariana!
      Sim, esse lance do talento é algo de sangue! rs

      Dê uma chance a ele e se permita. Depois me conte o que achou!

      :*

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