| Resenha | Galveston, de Nic Pizzolatto

Galveston de Nic Pizzolatto

Dois carros da polícia estavam estacionados em frente ao quarto número dois. Havia outra viatura na rua, bloqueando a entrada de veículos, todos produzindo um carnaval paranoico com suas luzes.
Nic Pizzolatto, Galveston, pág. 121

Após uma incursão intensa nas leituras de young-adults, as coisas estão começando a se ajeitar e finalmente estou de volta aos romances policiais — meu gênero literário favorito. Dentre as variações deste gênero, os romances noir são os que mais me agradam, pois não temos personagens mecânicos nem situações irreais. Em geral, os protagonistas deste subgênero são mais humanizados, possuem vícios, estão sempre se envolvendo em brigas, romances e sexo, de forma paralela a investigação central. Pois, assim como na vida real, as coisas acontecem de forma simultânea, o que possibilita discutir não apenas um fato, mas vários.

Apesar de Nic Pizzolatto só se popularizar aqui no Brasil após idealizar a série de TV da HBO True Detective (inspirada em O Rei de Amarelo, de  Robert W. Chambers, confira a resenha aqui), ele já possuía uma vasta experiência enquanto escritor, tanto que Galveston, lançado originalmente em 2010, foi finalista do Edgar Award e vencedor do Prix du Premier Roman Étranger da Academia Francesa e do Spur Award. Além disso, o autor possui contos publicados em algumas revistas, os quais receberam elogios da crítica especializada.

Nic Pizzolatto
Nic Pizzolatto

Mas, voltando ao premiado Galveston, temos aqui uma premissa bem simples: um matador de aluguel durão (Roy Cady) é enviado para mais uma de suas missões, mas diferente das anteriores, esta é uma missão suicida (e ele sabe disso). Diferente dos trabalhos anteriores, alguma coisa sai errado e Roy precisa fugir se quiser sobreviver. No entanto, uma garota (Rocky) viu tudo acontecer e, por instinto, Roy decide levá-la consigo. Seguindo os padrões, é esta jovem sexy que será responsável pela maior parte das encrencas que ambos enfrentarão ao longo da estrada. Dividido em cinco partes, a história vai sendo contada de forma intercalada entre os eventos iniciais ocorridos em 1987 e a vida atual (e consequências) levada por Roy vinte anos depois, em 2008.

Esta corrida pela sobrevivência acontece nas estradas (e seus apêndices: bares e motéis) entre Nova Orleans e Galveston, uma das ilhas do Texas. Neste ponto, temos um grande humor negro *que eu adoro*, pois há uma pessoa tentando sobreviver a uma situação externa enquanto um câncer pulmonar recém descoberto o mata por dentro. São estes contrapontos que moldam o ritmo da narrativa, a qual varia entre os eventos de perseguição e estadias do casal em um hotel barato à beira da estrada e às reflexões de Roy.

Estas variações me agradaram bastante, mas acredito que para quem busca algo mais “policial” não conseguirá se apegar tanto aos personagens. A história, apesar de ser um thriler (e possuir características para tal), possui um clima bem melancólico, pois as reflexões sobre a relação causa-efeito nos mostram que até quem não tem nada a perder (como o personagem costumava pensar de si mesmo) perde algo quando é obrigado a abandonar a “vida” que leva.

Galveston

Enquanto Roy é um personagem bem construído e convincente, temos Rocky que eu simplesmente não suportava mais. Apesar de já ter 18 anos e ser bem “durona” às vezes, a grande parte do tempo ela estava sendo infantil e chata. Quando mencionei acima que ela meteu o casal em confusões, me referia ao fato dela ser extremamente mimada e inconsequente, pensando apenas nela e seus prazeres. Isso me incomodou na história como um todo, pois parecia que Nic queria deixar subentendido que “a mulher” é sempre a grande responsável pelas mazelas humanas e que os “homens” estão cumprindo o papel de tentar corrigi-las o tempo todo.

No geral, é uma história bem rápida e dinâmica. A edição da intrínseca também está linda e confortável para leitura, pois a fonte pequena é uma das coisas que mais me desagrada nas edições da editora. Neste caso, a diagramação ajudou bastante, apesar da fonte pequena demais. Recomendo!

Drops

Pesquisando algumas curiosidades sobre Galveston, encontrei uma playlist criada por Marcelo Costa, editor do site Scream & Yell, exclusiva para este livro e resolvi compartilhá-la com vocês.

Ficha Técnica

Galveston de Nic Pizzolatto
Clique para ampliar

Título: Galveston
Título Original: Galveston
Autor(a): Nic Pizzolatto
Editora: Intrínseca
Tradução: Alexandre Raposo
Edição: 2015 (1ª)
Ano da obra / Copyright: 2010
Páginas: 240
Skoob: Adicione
Leia um trecho: AQUI
Compare e compre: Saraiva | Amazon

2 comments

    • Olá, Camila!
      Este é um livro que realmente não chama tanta atenção a princípio, mas é realmente muito bom.
      Beijos!

      Curtir

Deixe um Comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s