| Resenha | Quando Saturno Voltar, de Laura Conrado

Imagem de divulgação na página da autora.
Imagem de divulgação na página da autora.

[…] Por mais cética que eu seja, uma empolgação borbulha dentro de mim. Quem não quer ter a vida regida por algo maior? Será que acima de nossas cabeças nosso destino já não foi traçado? Seria realmente bom jogar a responsabilidade de nossas vidas nas estrelas — ou em Saturno e seus anéis.
Laura Conrado, Quando Saturno Voltar, pág. 43.

E para quem tem preconceitos literários, nada melhor que superá-los. E a superdica de hoje é Quando Saturno Voltar, da Laura Conrado. Inicialmente fiquei receoso, pois o livro possui alguns elementos que não me agradam muito, entre eles estão: futebol, astrologia e romance romântico. Mas como falei em resenhas anteriores, estou numa vibe de me permitir e ter novas experiências, assim acabei dando uma chance ao livro (e a autora, que também não conhecia) e adorei.

Em Quando Saturno Voltar temos como protagonista Déborah (Dedé) Zolini, uma jovem prestes a fazer vinte e nove anos, com uma vida estável, mas que não está satisfeita com as próprias decisões. Por conta de um “evento astrológico” [para quem acredita], a personagem tem seu comodismo confrontado e acaba tendo que tomar algumas decisões que irão mudar o rumo da sua história. O chamado “Retorno de Saturno”, conforme informações da autora e de fontes que busquei, é um realinhamento dos planetas onde Saturno volta para seu ponto inicial (no caso, no dia em que você nasce), exigindo um realinhamento na vida também, ou seja, algumas *grandes* mudanças. Nas palavras da personagem Saphira:

[…] — Saturno sempre vem para nos fazer pensar sobre o que escondemos debaixo do tapete. (pág. 22)

Retorno de Saturno (Stefan/Arte UOL)
Retorno de Saturno (Stefan/Arte UOL)

No livro, este retorno faz com que a protagonista repense na sua relação com os pais e o irmão, no seu trabalho como assessora de imprensa de um time de futebol da segunda divisão, no seu posicionamento quanto aos amigos e ao namorado de quatro anos, Sérgio. Este último, apesar de não ser o mais importante ao meu ver, é a vertente utilizada pela autora como relacionamento central e norteador para os demais. Assim, os conflitos se iniciam quando Dedé conhece Henrique, num vôo, e percebe como aquele estranho *lindo e gostoso* (nas palavras dela) lhe trata bem. Essa amizade se inicia, mas desde sempre Dedé tem pensamentos eróticos com o bonitão, o que a faz lembrar que seu namoro não anda tão bem, que seu namorado a trata como uma amiga e que fazem mais de dois meses que o casal não transa. Mas não imaginem que este seja um romance hot, são apenas reflexões da personagem.

Falando nas reflexões, são elas as responsáveis pela parte importante do livro (e as mais divertidas também). Pois a proposta é conhecer os dramas da personagem nesta passagem de ciclo e boa parte das decisões são pensadas (antes ou depois de tomadas) e refletidas quanto às consequências. O relacionamento clandestino com Henrique, traz à personagem um autoconhecimento imenso, daqueles até inimagináveis. Não sei se isto acontece na vida real, mas Déborah amadurece 20 anos em um, melhorando não só seu romance com Henrique (e Sérgio, consequentemente), mas também em casa.

Laura Conrado na sessão de autógrafos. em Belo Horizonte.
Laura Conrado na sessão de autógrafos, em Belo Horizonte.

Assim como a maioria dos jovens brasileiros, Déborah ainda mora com os pais, pois acredita que só poderá sair quando tiver uma condição financeira para casar — transferindo a responsabilidade da casa dos pais para outra pessoa. Ela está no primeiro emprego que conseguiu assim que se formou, por medo de não conseguir algo melhor. Em resumo, ela é uma pessoa (assim como tantas outras) que tem medo de crescer e assumir responsabilidades. Mas, seja com o retorno de Saturno ou não, a vida exige maturidade em algum momento, quer você esteja preparado ou não. E eu gostei de ter lido sobre isso, pois me senti mais maduro e responsável que Déborah, o que já me fez feliz.

O livro é fininho e a leitura é bem rápida. Devo dizer que a Globo Livros caprichou na edição, eles pensaram em cada mínimo detalhe. Escrito em primeira pessoa, podemos saber exatamente o que a personagem está sentindo, o que potencializa a raiva e o amor que sentimos dela em algumas ações. Em geral, eu gosto de livros escritos em primeira pessoa, mas devo confessar que me surpreendi com a escrita da Laura. Ela conseguiu transmitir a mensagem de forma leve e divertida, de que precisamos ficar atentos para as várias possibilidades, não nos acomodando em uma vida estável só por que ela é menos problemática. Precisamos nos arriscar e nos permitir mais.

Esta foi a minha primeira leitura do mês de Setembro, mês do meu aniversário (mas Saturno não voltará esse ano ainda) e me fez pensar muito sobre algumas das minhas decisões. Estou até pensando em ler outros chick-lits, mas não agora. No mais, só espero que todos leiam e compartilhem comigo se gostaram ou não, e no que o livro fez você refletir. Leiam!

Ficha Técnica

Quando Saturno Voltar, de Laura Conrado
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Título / Título Original: Quando Saturno Voltar
Autor(a): Laura Conrado
Editora: Globo Livros
Edição: 2015 (1ª)
Ano da obra / Copyright: 2015
Páginas: 248
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