| Crítica | Love (Idem, 2015) [+18]

Love (Cena 04)
Murphy (Karl Glusman), Electra (Aomi Muyock) e Omi (Klara Kristin)

É duro falar bem de Love. É como ser o advogado do capeta, tão difícil como defender o PT, o Chimbinha e a esfiha do Habibs. Sim, me fiz a pergunta: por que escrever um texto falando mal de um filme se a intenção seria fazer as pessoas quererem assistir? Eu não sou obrigado a nada! Não foi fácil para mim também! Saí de casa já meia bomba, na maior expectativa, mesmo com a sensação térmica de 10°C em São Paulo. Só não foi pior pela companhia do meu love e pela poltrona maravilhosa da sala vip do shopping JK Iguatemi. Feitas as ressalvas, vamos cair em cima… espero não broxar todo mundo!

Love é mais um filme da leva dos pornográficos pop, que começou com Azul é a Cor Mais Quente, O Estranho no Lago e Ninfomaníaca (Cinquenta Tons de Cinza tá mais para Sessão da Tarde). Murphy (Karl Glusman) se diz diretor de cinema, mas não faz outra coisa a não ser trepar e cheirar pó. Sua amada, Electra (Aomi Muyock), idem. Retratar a geração jovem XXX como uma cambada que passa o dia coçando o saco já deu o que tinha que dar, até a Lena Dunham já se tocou disso.

Love (Cena 01)

O diretor Gaspar Noé intercala cenas de sexo com Murphy sentindo ciúmes de Electra, sexo, os dois usando drogas, sexo e mais putaria. A essa altura, meu love já coloca a mãos em cima da minha calça e sente que nada aconteceu. Me viro e respondo: “estou tentando, mozão, mas tá difícil”!

Love gira em círculos, tem pouco drama e clímax então, passou foi longe! Do que fala mesmo o filme? Ah, lembrei! Murphy tem uma relação conflituosa com Electra a base de muito ópio e…sexo! O pau come quando o bobão engravida Omi (Klara Kristin), que era para ser apenas uma diversão para o casal na rotina do sexo monogâmico. Mas como até para putaria tem limite, Electra decide por um fim de vez no fode ou sai de cima.

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A partir disso Gaspar Noé apresenta um protagonista enfadado, cansado da vida de cuidar de filho e da esposa, porém faz isso de uma forma sofrível. Murphy só fala clichê e filosofa sobre as questões do mundo de uma maneira que deixaria Vinicius de Moraes revirando no túmulo. “A vida é difícil”. Até a Dilma já divagou desse jeito!

O diretor ainda é capaz de fazer com que a gente perceba que ele usou dublê de pinto. Como não notar que ele trocou em alguns momentos o pau classudo de Karl por um menor e mais fino? E o que dizer da cena em 3D que a porra vem no nosso rosto? De um extremo mau gosto e que não foi capaz de arrancar nem um “uh” do povo da sessão. Também pudera, gozada na cara só é refresco quando é em nossa homenagem!

Love (Cena 02)

Electra tem o nome descolado, um sorriso esburacado, embora charmoso, e é uma piranha que só sabe se drogar e bater no peito, pretensiosamente, que é uma artista, mas que para crescer na carreira faz mesmo é dar para o patrão. Nas horas vagas, pensa em se matar… zzzzz

Gaspar Noé se quisesse mesmo fazer algo que passasse de um pornô com historinha, dos milhares disponíveis no XVideos, deveria ter pensado em personagens mais interessantes. Só a titulo de sugestão, Murphy poderia ser um cara de meia idade com um quê de mistério e não só um molecote que sabe manter uma ereção por muito tempo. A angústia de não ter mais a pessoa que ama também não é um drama atrativo. Tanto que a plateia ficou apática, mesmo com as cenas que tinham potencial para pôr fogo no babado. Se a madame plastificada com cara de buldogue que estava na minha frente tinha a esperança de fazer o clima esquentar para se jogar em algum motel da avenida dos Bandeirantes, provavelmente broxou também. Nada de motel, ela deve ter ido mesmo comprar uma bolsa na Dolce&Gabanna para passar o tédio.

Trailer

Ficha Técnica

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Título: Love
Título Original: Love
Direção: Gaspar Noé
Roteiro: Gaspar Noé
Gênero: Drama, Romance
País: França, Bélgica
Ano: 2015
Duração: 135 min.
Elenco:  Aomi Muyock, Karl Glusman e Klara Kristin

One comment

  1. Hahaha não pude evitar rir com a crítica, gostei, apesar da decepção de saber que o filme não é tudo isso que pintavam. Bem pelo contrário, aliás. Eu acabei não indo ver, mas queria. Ainda tenho curiosidade, mas já não iria com expectativa alguma. Engraçado você falar de Azul é a cor mais quente, O estranho no lago e Ninfomaníaca, pois gostei muito dos três, são filmes bonitos, e tem uma trama que sustenta. Não sei se vou acabar vendo Love, mas enfim, bom ter uma ideia do que irei encontrar.

    Bjs, Livro Lab

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