| Resenha | Tubarão, de Peter Benchley

Tubarão (Banner)

Tubarão é um clássico do suspense, tanto no cinema como na literatura. Mais conhecido na versão adaptada pelas lentes de Steven Spielberg, muita gente não sabe que o filme surgiu do romance homônimo de Peter Benchley, publicado em 1974. Um ano depois, a versão fílmica chegou aos cinemas chamando a atenção do público, especialmente pela engenhosidade do diretor ao criar uma fera mecânica funcional e capaz de causar medo nas pessoas.

No primeiro semestre desse ano, o livro ganhou não só uma nova edição, mas duas, sob o crivo da editora DarkSide® Books: uma classic edition (brochura) e uma limited edition (capa dura). Além de todo o projeto gráfico incrível, o livro ainda traz uma breve introdução do autor, contando como surgiu sua paixão pelos tubarões, assim como a ideia para escrever o livro e, por fim, como este foi parar nas mãos de um dos futuros gênios do cinema, até então no início da carreira. O mais interessante sobre a fala inicial do autor, é que temos a ideia de que cada capítulo e personagem foi minimante pensando, na tentativa de criar uma história de terror com um plano de fundo cabível.

Hora do lanche
Hora do lanche

A trama se passa na pequena cidade de Amity (Oregon, US), que possui pouco mais de mil habitantes. A pequena cidade litorânea sobrevive à base do turismo, concentrado em apenas um período específico do ano. É o tipo de lugar em que todo mundo se conhece e nada extraordinário acontece. Um lugar pacato, sem violência, cuja única função da polícia é cumprir horários e ser cordial com os cidadãos e turistas. A velha primeiridade peirceana é interrompida quando um ataque de tubarão acontece, na calada da noite, com uma mulher que entra no mar bêbada. O grande problema é que o acidente acontece às vésperas da abertura da única temporada turística do ano na cidade. Quando seus habitantes mais precisam trabalhar para garantir o sustento do resto do ano.

O enrendo do livro não se bifurca demais, apesar das tentativas do autor de inserir tramas e contextos paralelos. Contudo, a narrativa funciona como um recorte cru que surge das suposições do autor sobre o que aconteceria se um tubarão fechasse o cerco a uma comunidade humana. Logo após o primeiro ataque, o chefe de polícia e protagonista da história, Martin Brody, é acionado para investigar. Seus temores vêm à tona quando novos ataques acontecem e ele se ver dividido entre fechar as praias e quebrar a cidade financeiramente, ou sucumbir às pressões dos cidadãos que precisam de dinheiro e colocar mais vidas em risco.

Os personagens do romance são rasos, com exceção de Martin Brody, sua esposa Ellen e o jovem oceanógrafo Matt Hooper. Este último surge para acrescentar um pouco de dinamicidade ao romance, colocando em xeque o casamento já decadente do protagonista, ao se envolver com sua esposa. No entanto, essa falta de profundidade em muitos personagens não chega a ser algo negativo, e aqui o autor logra êxito ao tornar a própria cidade e o próprio tubarão os verdadeiros personagens principais, antagônicos entre si. Sutilmente o autor insere elementos para discutir o capitalismo, a corrupção humana, o sensacionalismo e questões ambientais, antes mesmo de elas se tornarem um clichê das histórias em que a natureza se volta contra os humanos.

O livro possui uma atmosfera de suspense constante, assim é possível devorá-lo (sem trocadilhos aqui) em apenas uma ou duas assentadas. Essa mesma tensão é a que vemos no filme de Spielberg, que por ser idealizado como um filme de aventura para vender, acabou ignorando todo o resto. Assim como em Jurassic Park, onde os filmes trazem toda a aventura, mas suprimem discussões mais aprofundadas e interessantes sobre outros temas. Não estou dizendo que o filme deveria seguir à risca o livro, cada um tem seu jeito de ser, e no caso de Tubarão, cada um é bom à sua maneira. O lado bom é que se você já viu o filme (de 1975) vai encontrar muito mais no livro, e com certeza serão acréscimos que valem a pena. Sobre a edição da DarkSide®, só tendo em mãos para desfrutar o primor que são as duas, novamente cada uma à sua maneira.

Nota: 💚💚💚💚💛

Beijos e até a próxima.
Beijos e até a próxima.

Trailer do filme

Ficha Técnica

Tubarão (Limited Edition)Título: Tubarão
Título Original: Jaws
Autor(a): Peter Benchley
Tradução: Carla Madeira
Editora: DarkSide® Books
Edição: 2015 (1ª)
Ano da obra / Copyright: 1974
Páginas: 280
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One comment

  1. Depois de ler esta resenha, fiquei com mais vontade ainda de ler! Eu nem imaginava que este livro era com a história, pensei que era no formato “dissecando o filme”, sabe?

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