| Resenha | Hellraiser – Renascido do Inferno, de Clive Barker

Hellraiser (Banner Livro)

Prazer era dor ali, e vice-versa. E ele o conhecia bem o suficiente para chamá-lo de lar.
Clive Barker, Hellraiser – Renascido do Inferno, pág. 67.

A figura do Pinhead é uma das mais antigas que trago comigo quando o assunto é horror. Lembro que, quando criança, o filme de 1987 era um dos que mais me causavam medo e fascínio ao mesmo tempo. Eu não dava a mínima para o que era tratado no roteiro, tampouco sabia o que era sadomasoquismo ou sequer tinha ciência das práticas de mutilação como forma de prazer. Quinze anos depois de ter visto cenas do filme pela primeira vez, o cenobita da cabeça espetada de pregos era a única figura ainda viva e presente na minha lembrança.

Outra coisa que eu não sabia, naquela época, era que o filme se tratava de uma adaptação de um livro. Inclusive, adaptado pelo próprio autor, que se encarregou do roteiro e direção. Quase trinta anos após a primeira publicação do livro, a história que tornou Clive Baker uma aposta do gênero chegou ao Brasil em uma edição incrível pela DarkSide® Books. 💀 Só quem já viu sabe do que estou falando.

Diga oi para os Cenobitas.
Diga oi para os Cenobitas.

Mas vamos falar do livro, afinal tudo começa por aí. Logo de início, somos introduzidos ao personagem Frank, que está tentando solucionar o código que abre a Caixa de Lemarchand, ou Configuração de Lemarchand. Esse é um quebra-cabeça no formato de uma caixa sólida, cuja função é invocar os Cenobitas. Estes são uma espécie de demônios capazes de proporcionar ao invocador os mais inimagináveis prazeres, em especial aqueles que transitam entre o céu e o inferno. Muito embora o leitor perceba que tá mais para inferno do que qualquer outra coisa.

Em poucos momentos, eles estariam ali – aqueles que Kircher chamou de Cenobitas, teólogos da Ordem de Gash. Trazidos dos seus experimentos nos recessos mais altos do prazer para expor suas mentes eternas a um mundo de chuva e fracasso. (pág. 15)

Já no capítulo seguinte, conhecemos o casal Julia e Rory, que está se mudando para uma antiga casa herdada, em parte, por Rory. Com muita coisa para organizar na mudança, eis que aparece a ajuda de Kirsty, uma amiga e aparentemente amante às escondidas de Rory. A partir daí, vemos que o casal vive num casamento meia boca em vias do fracasso. À medida que a coisa desanda em relação a eles, descobrimos que Julia teve um affair com Frank uma semana antes de se casar com Rory. O grande problema está no fato de que eles são irmãos. Mas até aí tudo bem, nada de spoilers. O horror começa quando Julia descobre o que aconteceu com Frank e percebe que ele é a pessoa que ela realmente quer ao seu lado. Para isso, ela precisa ajudá-lo a voltar da dimensão do horror na qual ele está preso.

A moralidade e o medo são as duas grandes constantes que permeiam todos os outros elementos da narrativa. Eu posso fazer tudo que eu quiser para suprir meus desejos mesmo estando preso à uma instituição social como o casamento? Eu posso ir além do que está posto aos humanos por sucumbir ao egoísmo e ao desejo? Ou ainda, onde ficam os limites da privação e da liberdade? Até que ponto eu posso interferir na vida do outro para atingir um objeto pessoal? São muitas questões possíveis, mas para além disso, o leitor pode ter uma leitura pautada apenas nas cenas clássicas de terror, repletas de mutilação e sangue, e horror, com as figuras sobrenaturais e aterrorizantes dos Cenobitas.

O livro é uma novela e algumas pessoas reclamam por ser curto demais. Mas é isso, a história foi pensada pelo autor dessa forma, e mais, foi pensada também para ser transformada em filme. Isso explica porque o autor vai direto ao ponto e deixa de fora as firulas. O próprio Clive Barker sendo o diretor e roteirista da adaptação, se permitiu inserir mudanças que funcionassem melhor no filme. Um exemplo é a personagem Kirsty, que no filme passa a ser filha de Rory e não amiga. Mas isso são detalhes, a trama como um todo se desenvolve bem fiel. Afinal, se a primeira adaptação não tiver funcionado para você, o único culpado é o próprio autor. E você, teria coragem de abrir a caixa? Comentem!

Os cenobitas estão chegando...
Os Cenobitas estão chegando…

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Trailer do filme

Ficha Técnica

Hellraiser - Renascido do InfernoTítulo: Hellraiser – Renascido do Inferno
Título Original: The Hellbound Heart
Autor(a): Clive Barker
Tradução: Alexandre Callari
Editora: DarkSide® Books
Edição: 2015 (1ª)
Ano da obra / Copyright: 1986
Páginas: 160
Skoob: Adicione
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One comment

  1. Ótima resenha e fotos! Mas, se não me engano, o livro não é homônimo. Se chama “The Hellbound Heart”! Amei essa edição, a Darkside sempre surpreende positivamente!

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