| Resenha | A Noite dos Mortos-Vivos, de John Russo

Livro na edição em brochura. Imagem: DarkSide Books.
Livro na edição em brochura. Imagem: DarkSide Books.

[…] ESSES SERES SE ALIMENTAM DE CARNE HUMANA. ELES COMEM AS PESSOAS QUE MATAM. ESSA É A PRINCIPAL CARACTERÍSTICA DOS SEUS ATAQUES. UMA COMPULSÃO INSANA E PERVERSA POR CARNE HUMANA. […]
John Russo, A Noite dos Mortos-Vivos, pág. 72.

Livros e filmes de terror/horror são de longe meus favoritos, perdendo apenas para os romances policiais. Dentre as temáticas de horror, as maldições e possessões estão no topo, perdendo apenas para zumbis. Como bom apreciador deste último, eu já havia experimentado muita coisa bacana tanto no cinema como em séries de TV, faltando apenas adentrar no universo literário. E na tentativa de começar “na origem dos fatos”, aqui estou para falar da minha experiência de leitura deste clássico aterrorizante – tanto pelo tema quanto pela referência que ele carrega.

Criado inicialmente como roteiro para o filme homônimo, lançado em 1968, A noite dos mortos-vivos, só foi adaptado para a literatura anos depois que a continuação do livro havia virado um segundo filme. Isto é, a primeira história teve o roteiro adaptado para livro, enquanto a segunda que foi lançada inicialmente como livro, teve sua história adaptada para o cinema. E é este o grande diferencial desta edição da DarkSide Books®, ela vem com os dois romances. Desta forma, este texto abordará apenas os fatos do primeiro livro, como fizemos com a edição de Star Wars, e posteriormente falaremos um pouco mais sobre a segunda história. Mas vamos ao que interessa.

Livro na edição de luxo. Imagem: DarkSide Books.
Livro na edição de luxo. Imagem: DarkSide Books.

Como todas as histórias de apocalipse zumbi que conheço, esta também possui um início sem muitas explicações. Um casal de irmãos (Barbara e Johnny) vai ao cemitério deixar uma coroa de flores na sepultura de seu pai, quando se perdem no caminho e acabam chegando ao entardecer. Enquanto procuram a cova, os irmãos percebem alguma movimentação e descobrem que não estão sozinhos, apesar do adiantado das horas. Chateado com a insistência da irmã para ir ao cemitério, Johnny decide pregar uma peça, escondendo-se de Barbara e deixando-a sozinha com o estranho que, coincidentemente, está indo em sua direção. Como esse “estranho” é o quem esperamos que ele seja, a garota é atacada até que Johnny intervém e ambos (John e estranho) acabam entrando numa luta.

Enquanto isso, como toda boa mocinha deve fazer, Bárbara grita loucamente até perceber que seu irmão está perdendo a batalha. Na tentativa de fuga, a garota acaba fugindo e se alojando numa casa aparentemente abandonada, onde uma série de outros personagens começa a surgir e  ainteragir entre si. São eles: Ben, um negro e líder do grupo, consequentemente o mais lúcido também; Harry, um senhor (e também sua família) que se encontrava escondido na casa; Tom e Judy, um casal que também recebeu abrigo.

John Russo
John Russo

Apesar dos estereótipos dos personagens norte-americanos, John Russo inovou ao colocar um negro como mediador dos conflitos do grupo, como o líder. Algo até então incomum no cinema. Não que negros não fizessem cinema, mas eles estavam sempre com papéis secundários (serviçais, bandidos, figurantes). Mas aqui é diferente, Ben é um personagem bem construído e evidenciado, de personalidade forte. É ele o responsável pela proteção do grupo, não só no sentido físico da coisa, mas também nas ideias. Russo também acertou na construção dos demais personagens, possibilitando que conhecêssemos cada um deles, apesar do caos instalado.

Quanto aos acontecimentos, já é de se esperar que sejam previsíveis, até porque inovar quando o assunto é apocalipse zumbi é um pouco difícil. No entanto, não podemos esquecer que foi A noite dos mortos-vivos quem serviu de base para o que conhecemos hoje, ou seja, John Russo conseguiu inovar no assunto sim. Tanto é que sua obra (tanto literária quanto cinematográfica) se tornaram clássicos mundiais.

Se ainda assim, não o convenci a embarcar nessa leitura, deixe-me acrescentar mais dois motivos (e que acabam por se tornar um só): (1) O autor não menciona o que, nem como aconteceu o “apocalipse”, evidenciando apenas que os seres agressores são cadáveres reanimados por uma força epidêmica, mas o leitor atento percebe que ele vai deixando pistas, insinuando a origem da epidemia ao longo do livro; (2) As cenas de ação e tentativas de sobrevivência são muito bem escritas e foi quase impossível parar de ler até saber que os personagens ficariam bem, mas essa certeza não dura tanto tempo, o que torna a leitura bem dinâmica e ágil. Essa experiência é ainda mais intensa para alguém que não viu o filme original, como eu – que só assisti após a leitura.

Cena do filme "A Noite dos Mortos Vivos" (1968)
Cena do filme “A Noite dos Mortos Vivos” (1968)

O filme original, que foi o que realmente deu a forma dos zumbis que conhecemos atualmente, inspirou uma série de outras adaptações tão bacanas quanto. Apenas mencionando minhas favoritas, sem ordem de preferência: The Walking Dead (2010-atual), In The Flesh (2013-2014), Zumbilândia (2009), ParaNormal (2012), Meu namorado é um Zumbi (2013).

A edição da DarkSide Books® está impecável, tanto a edição em brochura, na qual fiz a leitura, como a edição de luxo. O projeto gráfico e a diagramação trazem um conforto e prazer surreais durante a leitura. Só consigo recomentar e pedir que aguardem, pois em breve publicaremos nossa opinião sobre a continuação. Não percam!

Ah! E não esqueçam de comentar se já leram. Se já viram o filme. E o que acharam!

Nota: 💚💚💚💚💛

Trailer do Filme

Ficha Técnica

A Noite dos Mortos-Vivos (Brochura)
Clique para ampliar

Título: A Noite dos Mortos-vivos
Título Original: Night of the Living Dead
Autor(a): John Russo
Tradução: Lucas Magdiel
Editora: Darkside Books
Edição: 2015 (1ª)
Ano da obra / Copyright: 1995 /2011
Páginas: 320 (Até a p.154)
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2 comments

  1. Tá fora do meu orçamento (desde que comecei a comprar em promoção, livro de 30 reais para mim é caro hahha), mas está na minha lista e comprarei o quanto antes. Eu acho essa edição linda demais!

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