| Resenha | Os Senhores dos Dinossauros, de Victor Milán

O Senhores de Dinossauros (Banner)

Os Senhores dos Dinossauros era um dos livros que eu mais estava aguardando para este ano. Desde que havia sido anunciada uma saga em que homens e dinossauros conviviam simultaneamente, minha mente já abria as portas da imaginação para diversas possibilidades. E embora a primeira coisa que viesse à minha mente ao falar de dinossauros fosse a ficção científica, o autor Victor Milán os insere aqui num contexto mais voltado para a high fantasy. Uma narrativa épica nos típicos moldes medievais em que cavaleiros montam não só cavalos, mas também dinossauros.

Eu, particularmente, não gosto muito quando uma obra é vendida como a fusão ou a “filha” de outras duas. E talvez o único problema do primeiro volume da saga de Milán seja justamente este: o livro se parece demais com as duas supostas “maiores inspirações, a saber Jurassic Park Game of Thrones. Logicamente, a tendência maior é para a segunda. Se em Jurassic Park, os dinossauros aparecem num contexto pautado no cientificismo, na obra de Milán a explicação da sua existência, entre os humanos, vem de uma mitologia própria. O mundo chamado Paraíso é regido pela crença nos oito (deuses) Criadores.

Ilustrações de Richard Anderson
Ilustrações de Richard Anderson

Já adentramos no livro em meio a uma batalha sanguinolenta, onde cavaleiros empunham lanças e espadas e feras que chegam a pesar toneladas se enfrentam. Dessa batalha, que já bombardeia o leitor com nomes e referências intermináveis, é preciso prestar atenção principalmente em Jaume Llobregat, Rod Korrigan e Voyvod Karyl Bogomirskiy. Esses três nomes assumem grande relevância à medida que a narrativa se desenvolve. Se de início é um pouco demorado para conseguir uma contextualização, aos poucos a narrativa flui e o autor consegue nos situar numa trama cada vez mais difícil de largar.

Em linhas gerais, o enredo gira em torno do Trono Dentado, ocupado atualmente pelo imperador Felipe, pai das princesas Melodía e Montserrat. Logo após a primeira batalha, passamos a acompanhar dois focos narrativos. Um centrado em Rod e Karyl, pois o primeiro é contratado para encontrar o segundo que havia sido morto na batalha que abre o livro. Uma feiticeira precisa de ambos para treinar um grupo, que segue uma filosofia pacifista, nas artes da guerra. O segundo foco narrativo se passa no Palácio dos Vaga-lumes, onde uma conspiração para tomada do trono parece se desenvolver nas entrelinhas do romance. Aqui, o conde Jaume, líder de uma ordem aberta a relações homoafetivas e namorado de uma das filhas do imperador, assume a liderança do exército e parte para enfrentar os inimigos do trono. Aos poucos, tramas vão se intrincando e as relações vindo à tona.

Logo no início do livro, Milán adverte que “Paraíso – não é a Terra. Não foi a Terra. Jamais será a Terra. Não é uma Terra alternativa“. Tal afirmativa abre espaço para as mais diversas especulações. Uma delas, é a de que a vida foi recriada pelos oito deuses em outro planeta, com base nos modelos terrestres. Isso explicaria alguns mistérios citados na obra, como O Livro dos Nomes Verdadeiros, onde estão listados os nomes científicos e populares de todas as espécies de dinossauros. Os Criadores seriam humanos terrestres como deuses num futuro? Como eu disse, tudo é especulação e parte do imaginário individual de cada um.

Para além da ficção, e embora não seja na terra, o continente em que se passa a trama é não só análogo à Europa, como funciona também como uma sátira ao período medieval europeu. A narrativa circula entre reinos de nomes análogos aos países europeus (Alemania, Francia, Anglaterra, Spaña, etc). Pelo contexto histórico é possível situar, também por analogia, como uma ironia ao período transicional entra a Alta e Baixa Idade Média, por volta do século X. No enredo, são fortes os laços de suserania e vassalagem como algo divino e natural. Cada um nasce para exercer um papel social, uns para mandar, outros para obedecer. Em meio a tudo isso, uma seita religiosa vai ganhando espaço social ao pregar uma espécie de ordem mendicante.

Toda a mitologia e elementos que compõem o universo fictício criado por Milán são apresentados ao leitor através de definições que abrem cada capítulo. Aos poucos, vamos conhecendo todas as espécies de dinossauros citados, os deuses, armas, fatos históricos, entre outros conceitos. Além disso, a edição super caprichada (que é praxe da DarkSide® Books) traz ilustrações incríveis assinadas por Richard Anderson. Senti falta do mapa desenhado por Rhys Davies, embora ele esteja listado na página de créditos, espero que seja incluído nos próximos volumes. Todavia, o projeto gráfico da edição brasileira supera o da edição americana. Por fim, se você curte uma boa história de alta fantasia, esse é um prato cheio, vá em frente e monte num dinossauro!

Nota: 💚💚💚💚💛

Vídeo: Os Senhores dos Dinossauros segundo Jesus!

Ficha Técnica

Os Senhores de DinossaurosTítulo: Os Senhores de Dinossauros
Título Original: The Dinosaur Lords
Autor(a): Victor Milán
Tradução: Alexandre Callari
Editora: DarkSide® Books
Edição: 2015 (1ª)
Ano da obra / Copyright: 2015
Páginas: 480
Skoob: Adicione
Compare e compre: Buscapé | Amazon

Deixe um Comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s