| Resenha | Star Wars: Marcas da Guerra, de Chuck Wendig

Star Wars - Marcas da Guerra (Detalhe)

O medo pode ser um grande motivador, desde que você o controle, em vez de deixar que ele controle você.
Chuck Wendig, Star Wars: Marcas da Guerra, pág. 166.

Menos de um mês para a estreia de Star Wars: O Despertar da Força. Até lá (e após) seguiremos com uma série especial de resenhas e posts relacionados à franquia. E cá estou eu para falar do livro do Novo Cânone mais aguardado e mais polêmico que já saiu até agora. Como fã, eu estava muito ansioso por Star Wars: Marcas da Guerra, assim como boa parte da legião de fãs. E como não podia ser diferente, idealizei os diversos caminhos pelo qual o livro poderia seguir, sendo aquele que contaria o que aconteceu logo após a batalha de Endor em O Retorno de Jedi. Criar expectativas era inevitável.

A questão das expectativas sobre as possibilidades que Chuck poderia seguir no hiatus entre os episódios VI e VII é o mais interessante. Tendo lido, assim como outros fãs, a linha do tempo traçada pelos universo Legends, é ainda mais difícil não alimentar expectativas frágeis. No entanto, Chuck sabia que estava pisando em ovos e que, de uma forma ou de outra, alguns iriam quebrar. Não demorou para que após o lançamento do livro surgissem as várias polêmicas, todas calcadas em discursos que não se sustentam mais numa razão de ser. Hoje não mais.

Star Wars - Aftermath (FanArts)
FanArts baseadas na expectativa de que Aftermath seria o Episódio VII

Quando falo disso, me refiro a ser avesso à ideia de ter mulheres fortes na liderança; de ser a mocinha salvando o moço; de ter personagens homoafetivos (já que antes não havia nenhum, assumido pelo menos); de ter pessoas com tons de pele mais escuros que o seu; de ter pessoas diferentes dividindo o mesmo espaço e missão; ou ainda, de existir uma linha do tempo diferente daquela à qual você já está acostumado. Sobre a representatividade de gays e negros, há duas coisas que quem não curtiu deveria pensar: (1) tente lembrar um dia em que tenha saído de casa e não tenha encontrado um gay ou negro, se for difícil lembrar, imagine isso numa galáxia inteira; (2) estranho não é ver pessoas morenas agora em Star Wars, estranho é não ter visto tantas antes, tendo tudo começado num planeta como Tatooine.

Mas não é disso que se trata. A ideia não era fazer uma defesa do autor e da franquia frente a essas polêmicas, mesmo já tendo feito, rs. Mas agora, partimos para a trama do livro em si, ainda que talvez seja preciso voltar ao pontos supracitados. O livro começa com o capitão Wedge Antilles em missão diplomática numa rota de cinco planetas. A ação começa quando ele chega ao planeta Akiva, onde coincidentemente está acontecendo uma reunião com os líderes remanescentes do Império. Percebendo isso, ele se ver na necessidade de avisar à Nova República, mas antes é capturado pelo grupo imperial sob o comando da almirante Rae Sloane.

Almirante Ackbar - It's a trap

Aqui eu preciso dizer o quão feliz eu fiquei de encontrar essa personagem aqui, mesmo sendo uma imperial, rs. Sloane é não só uma personagem feminina forte, mas uma vilã que havia ganhado minha simpatia em Star Wars: Um Novo Amanhecer, de John Jackson Miller, quando ela ainda estava iniciando sua carreira no Império, bem antes do que se passou em Uma Nova Esperança. É bom rever um rosto conhecido, mesmo quando este é de um inimigo.

Bom, partindo dessa cena inicial, o livro se desdobra em várias tramas paralelas que convergem para a grande aventura do romance. Nessas tramas que se alternam ao longo de vários lugares da galáxia, vamos conhecendo um série de personagens que se tornarão o grupo de protagonistas da trilogia Aftermath, a saber: Norra Wexley, uma piloto combatente da batalha de Endor que volta ao seu planeta natal, Akiva, para resgatar seu filho; Temmin Wexley, um garoto esperto dono de uma loja de peças que vende do lixo ao luxo, e filho de Norra; Senhor Ossudo, um antigo droide imperial de batalha, reprogramado e aprimorado pro Temmin, a quem ele chama de mestre (assim como outros droides, esse sempre rouba a cena); Jas Emari, uma zabrak caçadora de recompensas que está de olho na reunião do Império; Sinjir Rath Velus, um ex-agente de lealdade do Império (um dos personagens mais intrigantes, rs); e, por fim (ufa), Jom Barrel, que está numa missão de reconhecimento sobre o cerco em Akiva e acaba se envolvendo na ação.

Talvez eu deva parar de falar dos Chuck Wendigpersonagens e da trama por aqui e deixar que cada um tenha sua experiência. Mas o que posso dizer é que o livro não é nada do que eu esperava, mas é igualmente bom, ou até melhor do que o que eu esperava. Chuck tem um tom de escrita leve, despojado, ágil e bem humorado, sem perder a essência do que é Star Wars e ainda com personagens tão distintos e profundos. O time da trilogia de Chuck me conquistou mais rápido e mais fácil do que o time de Star Wars Rebels ou do que outros personagens do Legends. Há beleza na diversidade, assim como há completude.

A expectativa que eu tinha antes era de que iria querer partir logo de Marcas da Guerra para O Despertar da Força. Erro meu. Os sentimentos mais fortes que tive ao terminar o livro foi de querer ler logo mais aventuras com aqueles personagens e de achar que só mais dois livros é pouco. A tradução assinada por André Gordirro e Guilherme Kroll acertou no tom, mesmo eu tendo lido a prova não revisada. Parabéns Mr. Wendig, pelo ótimo trabalho e espaço conquistado nessa galáxia; e parabéns Editora Aleph, pelo esforço para publicar em tempo recorde e pela qualidade de sempre.

Nota: 💚💚💚💚💚

ABDUÇÃO | Especial STAR WARS: Marcas da Guerra

Os editores da Aleph, Daniel Lameira e Mateus Erthal, falam sobre o livro:

Ficha Técnica

Star Wars - Marcas da Guerra
Clique para ampliar

Título: Star Wars: Marcas da Guerra
Título Original: Star Wars: Aftermath
Autor(a): Chuck Wendig
Tradução: André Gordirro e Guilherme Kroll
Editora: Aleph
Edição: 2015 (1ª)
Ano da obra / Copyright: 2015
Páginas: 408
Skoob: Adicione
Leia um trecho: AQUI
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4 comments

    • Oi querido,
      Dos livros que li de Star Wars nesse ano, esse é o melhor. Acho que você vai curtir. Mas sugiro que tenha assistido a todos os filmes antes de ler, se já tiver visto, vá em frente, acho que vai curtir. 😍
      Beijos

      Curtido por 1 pessoa

  1. To encalhado na pagina 230 faz tempo. O livro até agora não me conquistou. A escrita é facil mas não consegue me prender, leio meia pagina e ja estou pensando em mil outras coisas que tenho lra ler.

    Vou tentar terminar ao menos, mas dificilmente comprarei as continuações, a não ser claro que a coisa mude de figura na reta final.

    Curtido por 1 pessoa

    • Oi Heberton,
      Poxa, que pena que não funcionou pra você. Eu não senti isso, peguei o livro e li quase todo de uma vez, só demorei mais por conta da rotina corrida. Eu gostei muito do time de personagens e tudo mais, ao contrário de você, eu estou muito ansioso pelas continuações.
      Obrigado por comentar, é bom ver opiniões diferentes.
      Abração!

      Curtir

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