| Crítica | 12 Anos de Escravidão (12 Years a Slave, 2013)

12 Years a Slave

A escravidão é a maior de todas as barbáries. Não é preciso ser negro pra constatar isso. Tampouco precisa tê-la vivido para sentir a dor do seu peso. E talvez de todas as sequelas, a vergonha seja aquela que jamais cesse durante todo o progresso da humanidade. Foi essa a sensação que tive ao assistir 12 Anos de Escravidão, de Steve McQueen, adaptado do registro homônimo de Solomon Northup. Trazer um relato desses para o cinema – num tempo em que se acredita erroneamente que muito se avançou em relação ao reconhecimento da pessoa negra como de igual direito a qualquer outro ser humano – é relembrar a todos nós que qualquer política pública e benesse destinada à comunidade negra jamais apagará o peso da vergonha de um passado tão sombrio.

12 Anos de Escravidão (Screenshot 01)

Solomon Northup era um homem livre, em tempos de escravidão, era também um pai de família, artista, trabalhador. Embora vivesse em uma época de escravidão, nunca havia sofrido sob o açoite de um chicote, tampouco sob o jugo de ser propriedade de alguém. No entanto, Solomon é sequestrado e vendido como escravo. Além de sentir na pele a dor dessa barbárie, ele se vê em meio aos seus semelhantes que longe da sua realidade famíliar já vinham sendo humilhados, na falta de uma palavra capaz de descrever melhor.

12 Anos de Escravidão (Screenshot 02)

O filme nos mostra uma sucessão de eventos que transformam a vida de Solomon. De homem livre a escravo. Sua dor compartilhada, o peso de ser instruído e carregar todo o sofrimento de um povo (que chega a preferir a morte) em sua consciência. Solomon conhece a parte mais vil do ser humano, mas isso não o impede de ter esperanças. Esperanças de que a bondade e o caráter não sejam intrínsecas à etnia, muito menos que seja medida pelo tom de pele. Para entender 12 Anos de Escravidão é preciso se vestir de empatia, pendurar-se no tronco junto com os personagens (que são reais, ou pelo menos, retratos de uma realidade). É impossível não chegar ao final do filme em lágrimas (ou pranto, meu caso). 12 Anos de Escravidão é para nos envergonhar da barbárie humana e quiçá nos tornar um pouco mais humanos.

Nota: 💚💚💚💚💚

Trailer

Ficha Técnica

12 Anos de Escravidão
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Título: 12 Anos de Escravidão
Título original:
12 Years a Slave
Direção: Steve McQueen
Roteiro: John Ridley e Solomon Northup
Elenco: Chiwetel Ejiofor, Michael Kenneth Williams, Michael Fassbender
Gênero: Biografia, Drama, História
País: EUA, UK
Ano: 2013
Duração: 134 min
Classificação: 14 anos

5 comments

  1. Adorei sua critica, tenho muita vontade de ler o livro que baseou o filme. Quando assisti fiquei muito emocionada! Ver a realidade dessa época é lamentável, mas necessário, pois tem muita influencia na sociedade atual. Beijos!

    Curtido por 1 pessoa

  2. Semelhantes? sério? Sim, é verdade que a escravidão é um crime cometido por humanos contra humanos; mas sua resenha tem um distanciamento desse crime? Será que é isso mesmo produção? Nós, como brasileiros, somos mais que relacionados com nossos antepassados, corre sangue negro em nossas veias, e corre cultura negra na nossa sociedade; por tanto ler ou assistir 12 anos de escravidão é uma oportunidade de ter uma ideia minima do que foi o sistema escravista e entender que não importa se aqui no Brasil ou nos EUA, os africanos são nossos antepassados mais influentes no sentido cultural; posicionar-se com distanciamento não é diferente da negação que temos praticado a tantos anos. Mas no geral sua resenha é legal, tirando uma interpretação preconceituosa que ela possa ter. Força meus semelhantes.

    P.S. Você sabe qual a semelhança entre um corvo e uma escrivaninha?

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    • Olá,
      Primeiramente obrigado pelo comentário e pelas considerações sobre o texto. Então, esse texto foi escrito a pedido de um professor em uma disciplina sobre “políticas públicas e raça”. A ideia era expressarmos nossos sentimentos e alguns pensamentos a respeito da nossa experiência vendo o filme, com uma quantidade de caracteres limidata e predeterminada. Algum tempo depois, resolvi compartilhar o texto por aqui como dica de filme para os leitores do blog.
      Bom, se você esperava um discurso fervoroso sobre o tema ou um posicionamento específico já que fala em “distanciamento = negação”, sinto muito, não era essa a intenção. Mas não sei se preciso explicar isso ou “justificar” distanciamento para alguém que sequer se identifica.
      Há uma interpretação preconceituosa no texto? Ela ofendeu a você? Se na sua opinião sim, eu peço desculpas, sinceramente. Não sei que afirmativa do texto lhe incita a inferir que eu não tenho consciência de que corre sangue negro nas veias dos brasileiros, ele corre nas minhas, ou que fiz distinção entre escravidão aqui ou nos EUA. Ou ainda, que não reconheço a influência cultural africana, sendo uma das culturas que acho mais fascinantes e que influenciam especialmente a mim em muitos aspectos.
      Bom, que o texto não é um tratado completo sobre a escravidão e a influência da cultura africana isso é verdade, não era o propósito.
      Se há uma interpretação preconceituosa NA resenha podemos pensar que possa ter ocorrido também uma interpretação preconceituosa DA resenha.
      De qualquer forma, obrigado pela contribuição, e mais uma vez desculpas se não escrevi aqui o que você queria/esperava ler.
      Abraços

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