| Resenha | Morangos Azuis, de Estevam Von Claus

Ponte dos Ingleses (Pronte Metálica) em Fortaleza-CE
Ponte dos Ingleses (Ponte Metálica) em Fortaleza-CE

[…] O que é o amor? […] É alguém que nos tira do sono da vida e nos desperta para sentimentos antes submersos. É como se pudéssemos nos refazer das cinzas; como se a nossa alma preto-e-branco se tornasse gradativamente colorida, solar, ampla… […]
Estevam Von Claus, Morangos Azuis, pág. 68.

Este é mais um romance protagonizado por personagens homossexuais que vai para a lista de livros lidos. No entanto, antes de qualquer informação, devo dizer que esta é uma das histórias com a proposta mais ousada que eu já li. O autor, Estevam Von Claus, traz duas histórias ambientadas em tempos diferentes (presente e futuro), mas os personagens são os mesmos. Quando li a sinopse tive a mesma sensação que estão tendo agora: Confusão. Mas não posso negar que me deixou muito curioso quanto ao desenrolar da mesma.

O romance gira em torno do jovem Byron, de 17 anos. No primeiro plano, temos esse jovem heterossexual, namorado de Nora e que mora na Noruega com os pais Ico e Denise – os quais guardam dele um segredo que só será revelado quando este completar 18 anos. No segundo plano, no Brasil – mais especificamente em Fortaleza em 2120 – o jovem Byron, também com 17 anos, gay, se descobre perdidamente apaixonado por um salva-vidas, Malcoln (que, apesar das descrições, só me vinha à mente o Wagner Moura em Praia do Futuro), que é heterossexual e está prestes a casar com Sara. Até que esses dois tempos começam a interferir entre si e Byron, hétero, começa a se questionar porque começou a sonhar com um tal Malcoln e que, para piorar, estava apaixonado por ele.

Wagner Moura, no filme Praia do Futuro
Wagner Moura no filme “Praia do Futuro” (2014)

Assim, o jovem pede ajuda ao pai Ico para descobrir se está “virando gay”. Mas essa dúvida mexe completamente no rumo da vida que ambos os Byrons e, caso algo não seja feito em tempo hábil, o segundo Byron pode tentar algo que afete diretamente a existência do primeiro. Mas a escolha para o desenrolar da história escolhida pelo Claus é completamente pertinente e crível. Tanto é que ele inclui um personagem parapsicólogo, que é o grande responsável e desencadeador de todo o drama. Alguns momentos tive a sensação de estar lendo um romance espírita, por conta de expressões como “amores de alma”, “próxima vida”, ou ainda por causa das frases de efeito:

“E terá o amor barreiras quando são as almas que se amam?” (Nota do Autor).

“Assim é o amor: ele existe em todos nós, guardado, e, quando menos se espera, ele desaponta, brilha… e nos revela que já estava ao aguardo de quem o merecia ver nos olhos a brilhar…” (p. 09)

“Pode alguém amar outro no mesmo instante em que o vê? Pode alguém amar quem nunca se viu?” (p. 72)

“Pode o amor nascer canalizado para o coração errado? Porque o amor perderia tempo a torturar?” (p. 79)

A maioria desses questionamentos não são respondidos ao longo do livro, mas são eles os grandes responsáveis pelas reflexões do leitor e dos personagens. No entanto, devo confessar que essas frases tiraram um pouco minha atenção da história, pois me pegava mais interessado em respondê-las do que em seguir com a leitura. Em contrapartida, eu gostei da ideia do autor de intercalar a narrativa entre primeira e terceira pessoa, dando oportunidade para que o próprio Byron (nos dois momentos) pudesse descrever suas sensações e emoções. Em geral, Estevam foi completamente feliz na escolha da temática e na sua condução.

Visita à Ponte dos Ingleses (Pronte Metálica) em Fortaleza-CE.jpg
Visita à Ponte dos Ingleses (Pronte Metálica) em Fortaleza-CE

Apesar de tudo parecer estar no lugar, algumas coisas me desagradaram. Não na história, mas na edição, o que fez com que o livro perdesse algumas estrelas. Dentre os aspectos que me incomodaram, os erros de formatação e alguns poucos ortográficos estão no topo da lista. As falas dos personagens, por exemplo, estavam ora em itálico ora normal, ou ainda o travessão era trocado por underline, ou pior, algumas falas vinham com underline, em itálico e entre aspas. Mas nada que uma boa revisão não ajude. Ah, como mencionei em textos anteriores, não costumo gostar de pessoas nas capas, então… É isso. Superando os detalhes de revisão, a edição em si é linda e confortável. O projeto gráfico ajudou bastante para isso.

No mais, este é um ótimo romance e de leitura super rápida. Possui bom enredo e o final é surpreendente, em especial por conta dos segredos envolvendo a família do primeiro Byron. Vale também pelas belas descrições das praias de Fortaleza que agora estou tendo a possibilidade de conhecer. Recomendo!

Nota: 💚💚💚💛💛

Ficha Técnica

Morangos Azuis, de Estevan Von Claus
Clique para ampliar

Título: Morangos Azuis
Autor(a): Estevam Von Claus
Editora: Metanoia
Edição: 2015 (1ª)
Ano da obra / Copyright: 2015
Páginas: 170
Skoob: Adicione
Compare e compre: Metanoia

 

10 comments

    • Olá, Leticia.
      Sim sim, essas frases mexem muito com nossas reflexões. Eu as adorei demais.
      Deveria dar uma chance para o autor.

      Obrigado pelo elogio!
      Beijos

      Curtir

    • Olá, Lili.
      É sempre tempo de começar a ler, rs.
      E sim, a proposta é realmente muito confusa. Mas o autor consegue conduzir muito bem, uma vez que a personalidade dos personagens são bem construídas.

      Beijos

      Curtir

Deixe um Comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s