| Crítica | Star Wars: O Despertar da Força (Star Wars: The Force Awakens, 2015)

The Force Awakens

Foram muitos dias de espera para a estreia desse filme. Um momento para o qual todos vínhamos nos preparando: os fãs, após décadas de espera, para saber o que houve após o episódio VI, a Lucasfilm/Disney para mostrar sua nova aposta audaciosa que seria um dos primeiros pilares do novo Universo Expandido, as empresas que iriam lucrar com a comercialização de uma infinidade de produtos vinculados à franquia (acredite, até laranjas passaram a ser vendidas sob uma embalagem com o BB-8 estampado). Muitas teorias foram postas à mesa à medida que os trailers iam sendo divulgados, criou-se até um selo para alguns livros do Universo Expandido chamado “Jornada para Star Wars: O Despertar da Força“.

Assim como muitos fãs que já acompanham a saga há algum tempo, eu tentei me preparar para essa estreia. Li muitos dos livros tanto do Legends como do Novo Cânone, assisti várias vezes os filmes anteriores e os trailers deste e formulei minhas teorias. Quando finalmente chegou o dia, eu fui conferir. Saí do cinema extasiado, independente do que eu tivesse feito, eu não estava preparado para o que vi. Era o que eu esperava? Não, muita coisa foi por outro caminho. Mas é bom? Um pouco mais que isso, é ótimo. Star Wars: O Despertar da Força é não só um dos melhores filmes desse ano (a exemplo de outros retornos à telona como Mad Max: Estrada da Fúria), mas também é um dos melhores filmes de Star Wars, comparável ao ápice da trilogia clássica: O Império Contra-Ataca.

finn-and-rey
Mesmo?! Conte-me mais sobre isso…

Há falhas? Sim, assim como todos os filmes da franquia. Assim como qualquer filme possa ter. No entanto, é um filme do qual não se tem muito a reclamar. O Despertar da Força funciona não só como o retorno de uma franquia que revolucionou o cinema em muitos aspectos, mas também como uma homenagem a como tudo começou. O filme dá continuidade à trama 30 anos após o que aconteceu em O Retorno de Jedi, mas muito mais do que uma sequência, esse parece um reboot de Uma Nova Esperança. Cheio de easter eggs e fan service, que levaram muitos fãs à loucura e às lágrimas.

Por estar situado 30 anos após o fim da trilogia clássica, os fãs devem esperar o início de uma nova geração. Para isso, é preciso receber novos personagens (alguns já apresentados nos livros e HQs) e começar a ir se despedindo dos antigos, afinal eles não poderão estar ali para sempre. Mais uma vez a trama se centra em um trio, a quem somos apresentados individualmente de forma gradual, da mesma forma que conhecemos Luke, Leia e Han Solo. Aqui temos Poe Dameron (Oscar Isaac), o melhor piloto da Aliança; Rey (Daisy Ridley), uma catadora de lixo que vive no planeta Jakku, onde a ação se inicia; e Finn (John Boyega), um ex-stormtrooper que está tentando fugir da chamada Primeira Ordem, que tem como líder o novo vilão Kylo Ren (Adam Driver).

Kylo Ren and Stormtroopers

O Despertar da Força tinha muito para explicar e explicou bastante, talvez esse seja o problema mais digno de nota do filme. Tudo parece muito corrido, há muuuita coisa acontecendo no que parece ser pouco tempo. Se o seu corpo não reclamar nenhuma necessidade fisiológica, dificilmente você perceberá o decorrer das mais de duas horas de filme. Mas mesmo com tanta informação, o filme não entrega tudo. Nesse, temos as tradicionais revelações bombásticas e cenas de prender a respiração, mas há muita coisa para ser revelado nos próximos filmes. Talvez o episódio VIII traga uma paráfrase da frase memorável de O Império Contra-Ataca: “Rey, eu sou seu pai!”. Calma, não é spoiler, só especulação.

Por falar em frase clássica, uma das coisas mais legais do filme é o fato de prevermos algumas frases que já são praxe, se não assistiu ainda, fique atento e tente identificá-las. J. J. Abrams foi feliz na direção do início ao fim, soube contar o novo sem abandonar o clássico. Soube dosar os efeitos especiais e os efeitos práticos, soube usar o que Uma Nova Esperança proporcionou ao cinema como um todo e o que a tecnologia de hoje pode oferecer para a sétima arte. Soube ser o diretor gabaritado para a tarefa e acima de tudo, soube ser fã, respeitando a si mesmo como tal e à legião dos que aguardavam.

[clique nas imagens para ampliar]

Não quero falar muito do enredo, sobre quem é cada personagem e qual seu papel nessa nova fase. Mas devo dizer que o filme traz atuações medianas, salvo exceções como o icônico Harrison Ford e outra meia dúzia responsável por novos personagens. Todavia, os personagens todos se sustentam muito bem, a química entre Rey e Finn é incrível e nos deixa querendo mais da dupla. A própria Rey como protagonista é um show à parte, a personagem tem presença forte e se mantém firme em todas as cenas em que aparece. O humor e o charme do Poe Dameron conquista qualquer um a la Han Solo. É impossível assistir ao filme e não querer para si um BB-8. A Leia, já idosa, retorna como aquela avó durona e bondosa que todo mundo gostaria de ter.

No lado negro há muito a ser revelado e explicado também, afinal são 30 anos para serem preenchidos. O vilão Kylo Ren, apesar de ter causado controvérsias por alguns o considerarem fraco demais, aparece em um momento decisivo em sua vida, deve ser visto como um vilão em formação, ainda na adolescência, e não um ícone já pronto como foi a primeira aparição de Darth Vader em Uma Nova Esperança. Se há algo que me decepcionou um pouco no filme foi a participação quase insignificante da Capitã Phasma (Gwendoline Christie), espero que ela se destaque mais nos próximos. Nesse, ela entrou muda e saiu calada.

Enfim, muita coisa se repete, mesmo que com uma nova roupagem. E isso é muito bom, porque nos mantém seguros naquilo pelo qual somos apaixonados, mas com a pitada de novidade suficiente para nos permitir ir além nessa galáxia muito, muito distante. E vocês já assistiram? O que acharam? Comentem! Por fim, só uma dúvida: ainda falta muito para 2017?

Nota: 💚💚💚💚💚

Trailer

Ficha Técnica

Star Wars - The Force AwakensTítulo: Star Wars: O Despertar da Força
Título original: Star Wars: The Force Awakens
Direção: J. J. Abrams
Roteiro: J. J. Abrams, Michael Arndt, Lawrence Kasdan e George Lucas (personagens)
Elenco: Harrison Ford, Mark Hamill, Carrie Fisher, Daisy Ridley, John Boyega, Adam Driver, Oscar Isaac
Gênero: Ação, Aventura, Fantasia
Origem: EUA
Duração: 135 minutos
Classificação: 12 anos

2 comments

  1. Ótimo texto, descreveu bem o filme e sua grandiosidade. Eu estava meio cético quanto ao filme, mas não conseguia deixar de me animar, simplesmente por ser Star Wars. O Despertar da Força consegue trazer de volta o otimismo e desejo de aventura que tem em Uma Nova Esperança, e uma certa sensação de desespero, com o aumento do poder da Primeira Ordem.
    Rever os antigos personagens é como encontrar antigos amigos, do tipo que podem permanecer longe por um tempo, mas quando os encontramos novamente parece que nunca saíram de perto. Os novos heróis conquistam como alguém que você sabe que terá uma grande amizade.
    Kylo Ren é um bom vilão, o filme deixa claro que ele não está no seu máximo, mas que está indo nesse rumo. O modo como os oficiais da Primeira Ordem o tratam em comparação ao modo como Darth Vader é um bom comparativo.

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  2. Oi, tudo bem? Estava procurando resenha de livros de Star Wars e achei esse blog❤ haha! Amei o filme, apesar de ser muuuuito fã de Jogos Vorazes e ter amado o final, o Despertar da Força foi definitivamente o filme do ano.❤

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