| Resenha | O Pintassilgo, de Donna Tartt

The Goldfinch, by Carel Fabritius (1654)
The Goldfinch, by Carel Fabritius (1654)

“Esta é a pintura que eu realmente amei, […]. Comecei a me apaixonar pelo pássaro, do jeito que se ama um animal de estimação ou algo do tipo, e terminei me apaixonando pela forma como foi pintado.” (p. 29).
Donna Tartt, O Pintassilgo, pág. 29.

Em 2014, o romance The Goldfinch, de Donna Tartt foi um dos mais comentados e elogiados no meio literário. Isto porque ele, publicado no Brasil pela Companhia das Letras com o título O Pintassilgo, foi o vencedor de um dos prêmios mais importantes da literatura — o Prêmio Pulitzer — na categoria de Melhor Ficção. E como livros premiados, em especial pelo Pulitzer, me chamam muita atenção, acabei lendo-o. Devo confessar que esta não foi uma leitura simples e rápida, mas que foi completamente cansativa — tendo se arrastado por quase todo o segundo semestre —, dado o número de páginas (mais de 700). No entanto, isso não fez de O Pintassilgo uma leitura ruim. Mas explicarei ao longo do texto.

Para que possam compreender, algumas informações precisam ser esclarecidas, mas que não são spoillers: (1) The Goldfinch é o nome de uma das obras mais importantes — e uma das poucas que restaram — do artista Carel Fabritius. E é esta obra que, na imaginação de Donna Tartt, dá vida ao romance homônimo; (2) A história gira em torno da vida de um personagem, Theodore Decker, em vários momentos; onde eles de desenvolvem a partir da obra mencionada anteriormente; (3) Assim como na leitura do romance, algumas coisas só farão real sentido bem próximo ao final. Dito isto, tentarei pontuar aspectos mais gerais, para que a experiência de leitura de vocês não seja prejudicada, dada a quantidade de acontecimentos importantes (e reviravoltas?, não sei ao certo se podem ser nomeados assim) do livro.

The Goldfinch, by Donna Tartt
Donna Tartt lendo “The Goldfinch”

Dos vários momentos da vida de Theo, posso mencionar que a história começa com ele na fase adulta e em apuros. A autora inicia tirando o fôlego do leitor ao mostrar um sujeito fugitivo num país onde ele não conhece a língua, procurando freneticamente seu nome nos jornais, mesmo sem entender o que está escrito. Sem que nada seja explicado, somos apresentados a um Theo adolescente, com sua mãe num momento em que ela o apresenta The Goldfinch. Durante esta excursão pelo Museu, algo acontece e faz com que Theo dê uma reviravolta na sua vida, modificando-a completamente.

Sobre o(s) acontecimento(s) reais e motivadores do romance, isso é tudo que posso dizer. No entanto, ainda posso atrever-me a mencionar que o leitor percorrerá por vários outros momentos do desenvolvimento desse personagem complexo e, portanto, completo. Dentre os que mais me tocaram estão: a relação dele com o pai e, depois da separação, sua aproximação com a mãe; sua relação com os amigos da escola e, especialmente, com a família de um desses amigos; além dos trabalhos e perigos que esse jovem-adulto está envolvido.

Se eu pudesse resumir essa magnífica obra em uma palavra, eu utilizaria Obsessão. Pois temos um protagonista obsessivo por pintura, por memórias, por culta e autopunição, entre outras tantas obsessões. Mas a obra ainda é repleta do angustias, medos, revoltas. O fato de O Pintassilgo ser escrito em primeira pessoa e possuir essa quantidade imensa de sentimentos envolvidos fazem dele um romance denso, o que justifica o fato de ter se tornado cansativo, como mencionei no primeiro parágrafo.

The Goldfinch
Fotografia de um “Pintassilgo”, extraída da Web.

Esse cansaço pode ser justificado pela letra pequena e espaçamento também pequeno. Mas nem isso (e as falas entre aspas) prejudicou a edição da Companhia das Letras que está incrível. É evidente que este é um livro extremamente pesado, mas pudera: são mais de 700 páginas. Tudo seria pior se o texto fosse um pouco mais confortável, passaria de 1000 páginas fácil. Mas voltando a edição: esta é, sem dúvida, uma das capas mais lindas que possuo na estante.

Quanto à escrita da autora, esta é crua e poética ao mesmo tempo, trazendo uma narrativa gostosa de ler. Mas como disse, este não é um livro “de fôlego”, ou seja, é quase impossível lê-lo de uma vez só. Não apenas pelo tamanho, mas pela densidade dos fatos, onde muitas vezes me peguei parando a leitura até digerir tudo que havia lido. Como mencionei também, muita coisa acontece, mas Tartt consegue amarrar todas as (muitas) pontas da história. Tudo fica bem justificado e crível. Sem contar que o final é completamente surpreendente. Definitivamente este vai para a lista dos livros que precisam ser relidos. Recomendadíssimo!

Nota: 💚💚💚💚💛

Ficha Técnica

O Pintassilgo, by Donna Tartt
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Título: O Pintassilgo
Título Original: The Goldfinch
Autor(a): Donna Tartt
Tradutor(a): Sara Grünhagem
Editora: Companhia das Letras
Edição: 2014 (1ª)
Ano da obra / Copyright: 2013
Páginas: 726
Skoob: Adicione
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7 comments

  1. Não sabia que esse livro tratava disso haha eu me blindei de saber sobre o conteúdo até ler sua resenha, porque o primeiro parágrafo me puxou pro texto. Quero muito ler os livros da Donna Tartt, só ouço elogios à respeito do estilo narrativo da autora e de suas obras, que parecem ser encantadoras. O tamanho deste romance, no entanto, me assusta à princípio, mas acho que preciso encarar! Quero muito ler O Pintassilgo e sua resenha ficou sensacional, parabéns!

    Abraço!

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    • Olá, Matheus.

      Fico feliz que tenha gostado do texto e que ele tenha aumentado sua vontade de ler este livro incrível.
      Também tenho a intenção de ler outros livros da Donna Tartt.
      Obrigado pelo comentário e pelo carinho contido nele.

      Abraço!

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  2. Olá José Mailson,
    Procurei uma resenha deste livro, pois estou lendo em inglês e está bem difícil..Como você comenta, o livro é denso e longo…Mas sua resenha me inspirou a continuar a leitura! Gostei que você foi cuidadoso em não dizer nenhum fato para o futuro leitor!

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