| Resenha | Star Wars: Estrelas Perdidas, de Claudia Gray

Estrelas Perdidas (Detalhe)

O ano de 2015 foi uma verdadeira jornada preparatória para o retorno de Star Wars aos cinemas. Nos meses que antecederam a estreia do episódio VII, Star Wars: O Despertar da Força, muitos livros canônicos foram lançados para todos os públicos. Foi criado até um selo para identificar aqueles títulos que trariam dicas e pistas sobre o roteiro do filme. Falei sobre alguns deles aqui no blog, a saber: Marcas da GuerraA Arma de um JediA Missão do ContrabandistaAlvo em Movimento. Este, Estrelas Perdidas, foi um dos que não li antes da estreia e só concluí a leitura recentemente, gostaria de ter lido antes. Eu estava um pouco receoso por este ser young-adult e eu não ser um fiel leitor desse gênero, mas antes de mais nada talvez eu deva dizer que este é sem dúvidas um dos melhores entre os novos livros de Star Wars.

O livro narra a história de Ciena Ree e Thane Kyrell, desde a infância deles no planeta Jelucan até chegarem à vida adulta quando suas decisões os colocam em caminhos distintos. O planeta Jelucan é um mundo coberto de poeira (como Tatooine e Jakku) e é dividido em duas grandes classes sociais: os da primeira leva, que foram os responsáveis pela colonização do planeta e por torná-lo um lugar habitável com seu trabalho manual, e os da segunda leva, mais abastados, que se instalaram posteriormente. Ciena cresceu como uma garota pobre da primeira leva e Thane como filho de uma família problemática da segunda. Ambos se tornaram amigos ainda crianças e alimentaram juntos o sonho de se tornarem pilotos da frota estelar imperial, a despeito da rivalidade entre suas classes sociais. Foram juntos para a academia, entraram na frota, mas o destino os separou levando Thane a se juntar à Aliança Rebelde enquanto Ciena permaneceu fiel ao Império. Isso os colocou numa situação de amor proibido a la Romeu e Julieta. [Na imagem abaixo os atores ideais para interpretar o casal, segundo a autora.]

Gugu Mbatha-Raw and Sam Reid (1)
Gugu Mbatha-Raw e Sam Reid compõem o Dream Cast para Ciena Ree e Thane Kyrell idealizado pela autora Claudia Grey. Concordam?

O livro narra um longo período na cronologia de Star Wars, já que acompanha os protagonistas da infância à vida adulta. A narrativa começa após os eventos do episódio III, A Vingança dos Sith, perpassando toda a trilogia clássica (Uma Nova EsperançaO Império Contra-AtacaO Retorno de Jedi) indo até a Batalha de Jakku, evento importante na saga que se dá entre a trilogia clássica e a atual. Em O Despertar da Força a ação começa nesse planeta, se você lembra do Destróier Estelar caído que Rey explora no filme, trata-se do Inflictor e é nesse livro que vemos sua queda. Sendo um evento de importância com marcas nos novos filmes, é bem provável que o mesmo seja explorado com mais detalhes em outros livros canônicos ainda por vir. Essa batalha acontece pouco mais de um ano depois da destruição da segunda Estrela da Morte, quando o Império ainda tenta usar todas as suas forças remanescentes para lutar contra a Nova República.

Não obstante, Ciena e Thane já estão bem mais velhos nos eventos da nova trilogia, por isso provavelmente sequer aparecerão nos novos filmes, mas seria muito bom ver uma pontinha deles para saber que tudo acabou bem, ou não. Mas isso não vem ao caso, o que faz de Estrelas Perdidas um bom livro é que a autora (uma fã) consegue unir elementos interessantes da saga além de nos proporcionar um novo ponto de vista em relação ao período de ascendência do Império. Ciena e Thane nasceram num período em que o Império já estava vigente, tudo que eles sabem sobre o período político anterior são fatos dos livros de história manipulados pelo governo atual. Para eles, o Império é a representação da paz e da ordem na galáxia. Assim, eles se unem ao Império não por serem maus, mas por acharem que é o certo. E isso nos faz perceber que nem todo mundo no Império é uma má pessoa, mas nos leva a questionar os motivos e eventos que os levaram cada membro a se juntar e defender o Império.

Pode curtir um pouco mais o Dream Cast?! Sim:

Algo semelhante é explorado no personagem Finn em O Despertar da Força. Thane também tem seu momento catártico que o leva a perceber que tudo que está vivendo vai contra sua crença, seus princípios e valores. Assim como Finn, Thane deserta e se junta à Aliança Rebelde, a princípio como algo meio duvidoso mas depois com convicção por vê ali uma luta por ideais sólidos para um bem maior. É por isso que Estrelas Perdidas acerta em muitos pontos, não é só uma história de amor proibido entre jovens. Na trama, aprendemos sobre o funcionamento e a corrupção do Império, como a instituição consegue enganar e manter fiel pessoas de bom coração. Aprendemos sobre Jelucan (embora apareça a primeira vez aqui), vemos toda a trilogia clássica por outro ângulo (Thane lutou em Yavin, Hoth e Endor; Ciena teve sua contribuição na parte imperial, foi ela quem resgatou Darth Vader no caça TIE após a explosão da primeira Estrela da Morte), aprendemos sobre como funciona a Academia Imperial para cadetes, entre muitas outras coisas.

Já mencionei anteriormente que ser fã de Star Wars é estar em uma aprendizagem constate sobre a história e funcionamento dessa galáxia muito, muito distante. E aprendemos muito nesse livro, escrito de forma muito competente por Claudia Gray. Mas mais do que aprender sobre Star Wars, o livro nos ensina sobre valores, sobre fidelidade e compromisso, sobre como é difícil seguir um novo caminho em detrimento daquilo que passamos muito tempo acreditando, sobre como é difícil a mudança em seus mais diversos contextos. É um livro que indico amplamente, tanto para Jedis veteranos como para novos Pawadans. É um bom livro de Star Wars e é um bom livro young-adult, pode agradar muito os leitores que se aventurarem pela leitura por esses dois motivos, coletiva ou individualmente.

Nota: 💚💚💚💚💚

Trailer Star Wars: O Despertar da Força

Ficha Técnica

Star Wars - Estrelas Perdidas
Clique para ampliar

Título: Star Wars: Estrelas Perdidas
Título Original: Star Wars: Lost Stars
Autor(a): Claudia Gray
Tradução: Fábio Fernandes e Zé Oliboni
Editora: Seguinte
Edição: 2015 (1ª)
Ano da obra / Copyright: 2015
Páginas: 448
Skoob: Adicione
Leia um trecho: AQUI
Compare e compre: Buscapé | Amazon

Deixe um Comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s