| Resenha | Rumah, de Bruno Flores

Aerial views, Manta Ray Island resort, Yasawa islands. Fiji Islands.
Arquipélago de Fiji.

A literatura nacional tem me encantado cada vez mais. E me anima bastante saber que esses novos escritores estão tendo mais oportunidades de publicação atualmente. Foi por conta dessa minha fase de leitura de livros nacionais que conheci o carioca Bruno Flores e, consequentemente, tive a oportunidade de ler seu livro de estreia – Rumah. Inicialmente fiquei confuso se a temática me agradaria, uma vez que foge completamente do tipo de leituras que estou acostumado a fazer, mas confesso tive grandes e positivas surpresas.

Se eu fosse uma pessoa sucinta, diria apenas que Rumah – que significa “Lar”, em malaio – conta a história do povo Kitaran, que desbravou o Pacífico Sul em busca de um local para sobreviver e prosperar. No entanto, esse romance possui muitas nuances e peculiaridades, o que faz desta uma história densa e complexa, e não apenas “mais uma história de aventura”. Como na maioria das histórias sobre povos ancestrais ou antepassados, a divisão das gerações é bem desenvolvida como forma de garantir uma hierarquia e, com isso, levantar algumas questões completamente pertinentes.

O Ahu Tongariki, uma série com 15 Moai na Ilha de Páscoa
O Ahu Tongariki, uma série com 15 Moai na Ilha de Páscoa | foto – Arian Zwegers

Pensando nessas gerações, mais especificamente a terceira, temos um dos personagens mais carismáticos da narrativa, Tesé, um adolescente que se encontra cansado com a vida que leva na ilha e deseja sair em busca de novo futuro. Mas, considerando todas as tradições, esse pensamento acaba gerando alguns conflitos com sua família. Alguns outros personagens são importantes para a trama, são eles: Sênior, o sacerdote do povoado; Tavo, uma espécie de revolucionário que vai contra as ideias tiranas do sacerdote; e Wangka, que pertence à primeira geração e possui a sapiência necessária para liderar a jornada de descoberta de Rumah.

Apenas a título de curiosidade, a ilha onde o povo Kitaran habita encontra-se superpovoada, o que acaba dividindo a terra em três clãs que vivem sob grande tensão e conflitos entre si. E são esses conflitos que fazem desta uma narrativa bem rápida e envolvente. Além disso, o autor antecipa alguns acontecimentos nos títulos dos capítulos, o que de certa forma me desagrada um pouco, apensar de não prejudicar o desenvolver das cenas. Ainda versando sobre curiosidades, o autor antecipa na contracapa que a narrativa se alternará entre passado, presente e futuro, em três momentos distintos (A Conquista, A Decadência e O Renascimento), mas não espere que esses momentos estejam nomeados no livro. O autor, de escrita completamente rica, consegue fazer com que esses momentos sejam percebidos – dando uma “movimentação” à narrativa – sem que as mesmas sejam anunciadas.

Como disse inicialmente, este foi um livro que me surpreendeu muito. Tanto pela proposta, completamente ambiciosa, como pela escolha dos métodos narrativos do autor para contar a história desse povo, um tanto peculiar. Quanto aos métodos, me refiro especialmente à escolha da quantidade de detalhes e informações importantes espalhadas ao longo das mais de 230 páginas. Aos leitores desavisados, essas informações farão falta no final, e algumas coisas, explicadas logo no início provavelmente só farão sentido caso o leite volte ou lembre-se das páginas iniciais. Assim, o leitor já pode esperar um texto nada linear e padrão.

Assim como o texto é algo surpreendente, a edição não deixa por menos. Publicado pela Editora Desfecho Romances, Rumah possui um projeto gráfico bem caprichado. Apesar das páginas brancas, que desagrada boa parte dos leitores, todas as páginas possuem imagens sombreadas relacionadas à capa; assim como cada início de capítulo, que possui a mesma imagem. A escolha da fonte e a diagramação também dão um conforto à leitura. Ao finalizar a leitura, tive a mesma sensação ao término de Pipe Dreams: Sair de Golconda, de CD Vallada, onde autores nacionais (e independentes) estão chegando cada vez com mais força e qualidade. Fiquei feliz com a leitura e recomendo-a bastante

Nota: 💚💚💚💛💛.

Drops

  • Segundo a empresa responsável pela divulgação do livro, Oasys Cultural, o autor Bruno Flores realizou uma viagem pelos arquipélagos de Fiji, Tonga e Vanuatu, durante trinta dias. Desta forma, o autor conseguiu realizar não só sua pesquisa como também pôde vivenciar uma riquíssima experiência de imersão diretamente com o povo que o inspiraria a compor tais personagens.

BookTrailer

Ficha Técnica

Rumah, de Bruno FloresTítulo: Rumah
Autor(a): Bruno Flores
Editora: Desfecho Romances
Edição: 2015 (1ª)
Ano da obra / Copyright: 2015
Páginas: 234
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