| Resenha | O Caderno Rosa de Lori Lamby, de Hilda Hilst

O Caderno Rosa de Lori Lamby
Fonte: A Casa do Teatro

Quem será que inventou isso da gente ser lambida e porque será que é tão gostoso?
Hilda Hilst, O Caderno Rosa de Lori Lamby, pág. 10.

Olá, pessoal! Tudo bom com vocês?
Como mencionei no meu texto sobre a releitura da novela A Morte em Veneza, de Thomas Mann, eu iniciei um grupo de leitura coletiva formada por amigos da universidade: Pedro Yves, estudante de Letras (UECE); Matheus Alencar, administrador da página no Facebook Notas de amor, fiz quais? e que em breve terá texto publicado por aqui; e Rodrigo Costa, do blog Livrai-nos!. Esse grupo já vai para o quinto encontro (no momento em que escrevo esse texto) e, como gosto de compartilhar coisas boas com vocês, decidi fazer postagens relacionadas aos livros discutidos. Assim, como já fiz do primeiro encontro, seguirei a ordem dos livros discutidos e aqui estou para falar da segunda leitura, indicação do Matheus.

Diferente do Thomas Mann, ainda não havia tido nenhum contato com a escrita da Hilda Hilst e confesso que a indicação me assustou um pouco. No entanto, ao pesquisar sobre a obra — antes mesmo da leitura — descobri que esta faz parte de um trio de obras da autora que destoa completamente do seu estilo próprio de escrita. Mas, ainda assim, esta não foi uma leitura fácil, apesar de bastante prazerosa (sem trocadilhos). Para os que desconhecem completamente a obra — como era o meu caso —, segue a sinopse, que explica melhor do que eu conseguiria fazer, sobre o que a mesma se trata:

Sinopse:
O livro, em grande parte escrito na forma de diário, apresenta uma menina de oito anos que vende seu corpo incentivada por seus pais proxenetas. A obra é, sim, obscena e põe em cheque a moralidade dos leitores, pois é quase impossível realizar uma leitura frígida dos relatos de Lori Lamby. Mas, apesar do impacto inicial causado pelo tema da pedofilia, o livro vai muito além. A própria literatura é alvo de obscenidades: gêneros intercalados, cartas, relatos, citações pervertidas de grandes autores como D. H. Lawrence, Henry Miller ou Georges Bataille e um Caderno negro dentro do Caderno rosa de Lori.

Lori Lamby
Fonte: Flickr

Como a apresentação deixa bem claro, o tema central é a pedofilia. Mas, diferente do convencional, onde a protagonista (narradora ou não) se coloca como vítima, temos uma Lori que gosta e sente prazer no que faz. E, este é um dos pontos que mais incomoda durante a leitura, pois como o livro tem a estrutura de um diário, percebemos quão frágil está sendo a formação desta criança e que, apesar dos oito anos, ela tenta representar uma “maturidade de escritora”, como forma de agradar seu pai e, consequentemente, seus clientes. Outro fato que foi realmente assustador, foi perceber que apesar de ser narrado por uma criança, este entrou para minha lista dos livros cujo erotismo se apresenta de forma mais forte e crua. Sem levantar polêmicas, mas aos amantes de literatura erótica, esta (e isso inclui toda a obra da autora) é uma boa forma de lê-las, com qualidade literária.

Primeiras frases:
Eu tenho oito anos. Eu vou contar tudo do jeito que eu sei porque mamãe e papai me falaram para eu contar do jeito que eu sei. E depois eu falo do começo da história. (p.07)

Em relação aos personagens, os mais recorrentes são: Lori, a protagonista; os pais de Lori – um pai que é escritor em decadência, tentando lançar um novo livro em busca de reconhecimento e uma mãe dona de casa, responsável por administrar o rendimento da filha; Lalau, editor e amigo do Pai de Lori; e Abel, um dos clientes da protagonista. Quanto à sua construção, percebemos que a mesma se deu de forma bem fragilizada, pois os mesmos são descritos sob a ótica de uma criança e, de certa forma, sob um ponto de vista bem romantizado das coisas.

Exploração InfantilEssa leitura possibilita uma série de discussões tanto sobre a pedofilia, quanto sobre temáticas como: família, reconhecimento profissional, amor, entre outros tantos que exigiriam páginas e páginas para explorá-los completamente. E, no que diz respeito ao meu medo inicial por conta do prestígio da autora, ela me conquistou profundamente. Tanto que já temos (o grupo) planos de ler e discutir outras obras dela, das quais já sabemos que são mais densas que O Caderno Rosa. Mas estou com boas expectativas.

Só para deixar um gostinho de quero mais, os encontros seguintes foram sobre Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, e Mrs Dalloway, de Virginia Woolf. Então, aguardem os próximos posts e, enquanto isso, comentem sobre o que acharam desse livro e toda a sua polêmica. Já leram Hilda Hilst? Leiam! Recomendo!

Nota: 💚💚💚💚💛

Ficha Técnica

O Caderno Rosa de Lori Lamby, de Hilda Hilst
Clique para ampliar

Título: O Caderno Rosa de Lori Lamby
Autor(a): Hilda Hilst
Editora: Globo Livros
Edição: 2005 (1ª)
Ano da obra / Copyright: 1990
Páginas: 128
Skoob: Adicione
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