| Resenha | O Trono de Diamante, de David Eddings

O Trono de Diamante (capa)
Ilustração: Marc Simonetti

A leitura de O Trono de Diamante foi um retorno que fiz à alta fantasia depois de um longo período sem ler nada do gênero. Este é o primeiro volume da trilogia Elenium do norte-americano David Eddings, que está sendo publicada atualmente no Brasil pela Editora Aleph. Esta é uma das primeiras apostas de fantasia da editora que se popularizou especialmente com a publicação de ficção científica. A obra de Eddings não só se encaixa bem no catálogo da editora como o enriquece de maneira muito positiva.

Nessa trilogia, acompanhamos a saga do cavaleiro Sir Sparhawk da Ordem dos Pandions. Com uma fama que faz jus à sua integridade de cavaleiro, Sparhawk é um dos protagonistas mais adoráveis dos livros de fantasia que eu já li. Sua conduta pautada na honra da sua Ordem e missão, atrelada ao seu humor sarcástico, fazem com que o leitor queria acompanhá-lo por tantas aventuras quanto forem necessárias. Mas o carisma não se restringe ao herói, a saga Elenium começa com um rol considerável de personagens que conquistam completamente o leitor, cada um à sua maneira. Além do próprio Sparhawk, me apeguei facilmente à feiticeira Sephrenia, ao cavaleiro Kalten, ao escudeiro Kurik, ao noviço Berit e às crianças Flauta e Talen, especialmente este último.

O Trono de Diamante (Mapa Eosia)
Mapa de Eosia. © Editora Aleph

A trilogia se passa em Eosia, um mundo medieval dividido em reinos. Tudo começa em Elenia, especificamente na capital Cimmura, onde a rainha Ehlana se encontra acometida de uma terrível doença que lhe ameaça a vida. Sparhawk, que vivia em um exílio de 10 anos em Rendor, retorna para Cimmura a fim de investigar o que aconteceu à sua rainha e o que está acontecendo com seu reino que passa por um momento de instabilidade política. À medida que a história avança, vamos descobrindo que tudo se trata de um plano do primado Annias para conseguir o controle não apenas do reino como também da própria igreja. Annias tem um posto alto no conselho do reino por ser o representante da igreja em Elenia, seu plano inclui tornar o primo bastardo de Ehlana o futuro rei e ele próprio se intitular arquiprelado, o cargo máximo da igreja.

Numa tentativa de preservar a vida da rainha, os cavaleiros Pandions liderados pela feiticeira Sephrenia selam a rainha numa redoma de diamante através de um feitiço que compromete a vida de doze cavaleiros além da dela própria. A missão de Sparhawk é impedir o estratagema do primado e encontrar uma cura para a doença da rainha, para isso ele e seu grupo de amigos e colegas precisam percorrer diversos territórios e enfrentar inúmeros desafios. Em suma, O Trono de Diamante segue um enredo bem comum a muitas obras do mesmo gênero. O autor foi fortemente inspirado por obras como Os Contos de Cantuária, de Geoffrey Chaucer, e O Senhor dos Anéis, de J.R.R. Tolkien.

David EddingsUma das características mais marcantes da escrita de Eddings é seu tom bem humorado e sarcástico, com algumas piadas deliberadas e de humor negro até. A personalidade de alguns personagens os precedem e dão o tom certo a narrativa, como é o caso do garoto ladrão Talen, que rouba (sem trocadilhos, rs) todas as cenas em que aparece. Espero que ele tenha uma participação mais efetiva nas próximas aventuras. Por outro lado, esse destaque à personalidade de alguns acabam deixando evidente aqueles que vão ou não morrer durante as batalhas. Em relação a isso, Eddings não causa tanta surpresa e revolta como faz George R.R. Martin. Uma das poucas coisas que me desagradaram foi o fato de que com tantos personagens legais, alguns ficaram subaproveitados em boa parte da narrativa. Contudo, há muitas aventuras pela frente.

A trilogia Elenium fez muito sucesso, assim como os trabalhos anteriores do autor, e acabou ganhando uma trilogia sequencial, Tamuli. A segunda trilogia começa sete anos depois do fim da primeira e assim como na maior parte de sua obra, Eddings recebeu a colaboração de sua esposa Judith Leigh. Embora a autoria dela não apareça nas capas de alguns de seus livros, já que a editora Del Rey via a escrita coletiva de forma negativa. Judith Leigh auxiliou seu marido especialmente na criação das personagens femininas tentando assegurar a verossimilhança dos diálogos entre outros elementos da personalidade feminina. Todo esse cuidado faz com que o trabalho de Eddings seja digno de nota e agrade até os leitores mais exigentes.

Nota: 💚💚💚💚💛

Curiosidade

Após se formar, Eddings deu aulas de literatura inglesa por alguns anos, período no qual ele criou um guia de escrita conhecido como os 10 pontos para um romance de fantasia, que valem como dica para os escritores que querem se aventurar por esse gênero. São eles:

O Cavaleiro de Rubi
Volume 02
  • Um campo teológico
  • Uma missão
  • Um elemento mágico
  • Um herói
  • Um mago veterano
  • Uma heroína
  • Um vilão
  • Um grupo de companheiros
  • Um grupo de mulheres ligadas a eles
  • Reis, rainhas e imperadores para governarem

Cronologia da série

  • Trilogia Elenium
    • O Trono de Diamante (The Diamond Throne, 1989)
    • O Cavaleiro de Rubi (The Ruby Knight, 1990)
    • The Sapphire Rose (1991)
  • Trilogia Tamuli
    • Domes of Fire (1992)
    • The Shining Ones (1993)
    • The Hidden City (1994)

Ficha Técnica

O Trono de Diamante
Clique para ampliar

Título: O Trono de Diamante
Título Original: The Diamond Throne
Autor(a): David Eddings
Capa: Marc Simonetti
Tradução: Marcos Fernando de Barros Lima
Editora: Aleph
Edição: 2015 (1ª)
Ano da obra / Copyright: 1989
Páginas: 408
Skoob: Adicione
Leia um trecho: AQUI
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