| Resenha | Um Passado Sombrio, de Peter Straub

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Detalhe da edição americana.

— Engraçado, tudo que fazemos agora são jogos mentais, cujo objetivo não é nada mais que saber como manter nossa pontuação. Na verdade, não há mais nada quando se tem as coisas solucionadas.
Peter Straub, Um Passado Sombrio, pág.214.

Thriller/Terror/Horror são meus gêneros literários favoritos e isso não vem a ser nenhuma novidade aqui no blog. Mas acredite, eu não conhecia Peter Straub, exceto por tê-lo visto como colaborador em um ou outro livro do Stephen King (que só descobri quais eram depois de uma pesquisa para esse texto). Fiquei espantado com a importância de Straub para o cenário do terror/horror e de como suas obras — que não são poucas — influenciaram autores tão renomados quanto, como é o caso do próprio Stephen King.

Apesar de tudo isso, acabei encarando Um Passado Sombrio apenas como um romance com uma proposta curiosa e confesso que isso influenciou nas minhas sensações durante a leitura. Como em geral acontece comigo, a importância ou fama do autor eleva bastante a expectativa de leitura e, algumas vezes, excelentes livros se tornam apenas “muito bons” apenas porque determinado escritor já produziu “obras melhores”. Mas, antes de passar para o enredo propriamente dito, gostaria de deixar registrado que Um Passado Sombrio é o terceiro romance do autor publicado pela Editora Bertrand Brasil, sendo os dois primeiros Mr. X e Um Lugar Especial.

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Neste romance perturbador, conhecemos Lee Harwell, um escritor popular, mas não excepcional, que está trabalhando em uma nova ideia embora nada do que tenha escrito lhe pareça convincente. Durante uma manhã aparentemente comum, num café, um sujeito de aspecto perturbado começa a discutir com a operadora de caixa e, sem perceber, essa cena desperta um turbilhão de emoções no personagem. Dentre os questionamentos que surgem estão: Será que aquele sujeito é alguém que ele conhece? ou Se for quem ele pensa que é, será que ele pensa em tudo que aconteceu no passado?

É partindo de questionamentos como esses, mas não descritos de forma tão direta como acima, que nosso protagonista começa uma viagem ao passado, mais precisamente em sua juventude, para tentar descobrir como e por que sua esposa Eel (na época colega e, posteriormente, namorada) se envolveu em um caso macabro e que ainda permanece sem muitas explicações. Mas como já é de se esperar, descobrir detalhes de algo guardado por tanto tempo será uma tarefa difícil e que, em alguns momentos, Lee questiona se realmente fará bem para ele e para seu relacionamento.

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Cena da Série “True Detective” (1ª Temporada)

Ainda sobre o tal momento, tudo começou com a chegada de um guru na região. Esse sujeito misterioso possui um poder de persuasão sem precedentes, o que atrai a atenção de Eel, Lee (de forma mais desconfiada) e seu grupo de amigos. Como Lee foi sempre o mais questionador (seria ele o chato do grupo? rs), acabou por se distanciar das reuniões organizadas por esse guru. Mas isso de certa forma foi positivo, pois de todos do grupo, ele foi o único que não se envolveu com uma morte macabra que aconteceu durante um desses encontros onde alguma coisa deu errado.

Como Lee não estava presente e os membros do grupo tinham a responsabilidade do sigilo, ele foi o único que não soube o que realmente aconteceu na fatídica noite. Mesmo depois de anos de casado, ele e Eel ainda não falam sobre a noite, ou seja, para o casal e os demais é como se o guru (que fugiu), os encontros e a morte não tivessem existido. Mas isso é até aqui, quando o escritor decide colocar no papel, em forma de romance, cada detalhe sobre os encontros. Para isso, ele pretende juntar informações e relatos e desvendar esse mistério, algo que a polícia não foi capaz de fazer. É basicamente isso que pode ser apresentado sobre o enredo, já que o autor possui uma criatividade tamanha a ponto de brindar o leitor com uma quantidade de revelações e reviravoltas impressionante.

Stephen King and Peter Straub
Stephen King and Peter Straub. Photo by Jordan M. Hahn.

A escrita de Straub é muito bem trabalhada. O autor consegue desenvolver excelentes personagens, apesar dos nomes serem bem parecidos, o que confunde um pouco. Quando vi a recomendação do Stephen King na capa, falando que este era um livro “Aterrorizante”, fiquei com uma pequena expectativa relacionada a sustos ou algo bizarro, mas com a leitura percebi que King se referia à atmosfera sombria e perturbadora criada pelo autor. Tirando uma ou outra cena bem bizarra, o romance lhe prende pelo aspecto gótico e sinistro. Vale ressaltar que o autor consegue manter uma movimentação no enredo, mesclando momentos mais lentos para desenvolvimento do personagem ou ambientação, com momentos de ação onde a narrativa é mais intensa e, porque não dizer, viciante.

Quanto à edição, a Bertrand caprichou na capa e diagramação. Confesso que as folhas brancas me incomodaram no início, mas a escrita de Straub fez delas um simples detalhe superado logo nas primeiras trinta páginas. Assim, fica aqui uma excelente indicação de leitura para aqueles que gostam de um bom suspense, de personagens complexos e de uma leitura rápida e sombria. Boa Leitura!

Nota: 💚💚💚💚💛

Ficha Técnica

Um Passado Sombrio, de Peter Straub
Clique para ampliar

Título: Um Passado Sombrio
Título Original: The Dark Matter
Autor(a): Peter Straub
Tradução: Marina Slade
Editora: Bertrand Brasil
Edição: 2016 (1ª)
Ano da obra / Copyright: 2010
Páginas: 392
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