| Resenha | O Fim da Infância, de Arthur C. Clarke

childhoods-end-banner

Nenhuma Utopia jamais poderá dar satisfação a todo mundo, o tempo todo.
Arthur C. Clarke, O Fim da Infância, p. 119.

Eu sou um leitor que lê quase de tudo. No entanto, a ficção científica é o gênero que mais mexe comigo se comparado com todos os outros. O porquê disso eu não sei, talvez seja pela infinitude de temas e discussões que podem ganhar vida de acordo com a verve do autor. Ler ficção científica é como se deparar com versões alternativas do que estamos vivendo ou do que podemos viver em um futuro não tão distante. E por falar em autor e ficção científica, aprendi desde cedo que esse é um campo que, assim como outros, possui suas bases e sua trindade santa. Se você está começando a ler ficção científica há pouco tempo, esses são três nomes que você não pode deixar de ler: Arthur C. Clarke, Isaac Asimov e Robert A. Heinlein. Tidos como os três grandes do gênero, o Clarke era o único que ainda não havia ganhado seu espaço por aqui, e já não era sem tempo. Se gostam do autor, ou se se interessarem após este texto, podem esperar mais sobre ele por aqui.

Clarke é mais conhecido pela sua obra-prima 2001: Uma Odisseia no Espaço, clássico do cinema e fruto da colaboração deste com o diretor Stanley Kubrick. Contudo, me atrevo a dizer que Clarke é um dos caras mais geniais entre seus pares e qualquer uma de suas obras merece um pouco de atenção. Dificilmente você lerá uma sinopse de um livro dele e não se interessará. Foi o que aconteceu comigo com O Fim da Infância, um livro que já estava na minha lista há um bom tempo, mas que só agora pude ler. Parte da culpa está no fato de que o canal Syfy adaptou a obra para uma minissérie em três capítulos. Eu queria assistir, mas queria ler primeiro. Foi o que eu fiz. Devo dizer que gostei sim do que fizeram na adaptação, achei que conseguiram manter a essência da obra, mas o livro é infinitamente superior, principalmente porque se faz impossível transpor para as telas a grandiosidade do que Clarke cria em seu livro.

image_two_column
Eles chegam também ao Brasil

O Fim da Infância é dividido em três partes e cada uma delas conta um período da história da humanidade a partir do momento em que uma espécie alienígena faz contato direto conosco. Chamados de Senhores Supremos, eles chegaram à Terra em grandes naves que se posicionaram sobre as maiores cidades da Terra. Como eles são ninguém sabe, pelo menos não a princípio e esse é o ponto de partida inicial. Como uma raça tão cheia de curiosidade como a nossa pode lidar com seres que não querem tomar o controle da situação sem mostrar a face? Nessa parte inicial, A Terra e os Senhores Supremos, vemos a sua chegada, como eles anunciam uma nova era para humanidade e como, ao seu modo, conseguem trazer paz e estabilidade para a raça degradante que é a humana. Nessa parte acompanhamos Rikki Stormgren como mediador entre a humanidade e Karellen, o alienígena que se autodenominou Supervisor da Terra.

Numa tentativa de argumentar com Karellen sobre a insatisfação dos humanos com o fato de não poderem ver o rosto dos aliens, Rikki tenta convencê-lo a se mostrar. Para desprazer de Rikki, Karellen argumenta que obedece ordens de outra raça ainda superior e que após consultá-la foi decidido que eles só poderiam revelar a sua identidade após 50 anos, quando boa parte da geração atual já não estivesse mais na Terra. Passam-se os anos e o dia finalmente chega. É a partir daí que começa a parte dois do livro, A Era de Ouro. Aqui passamos a acompanhar um novo grupo de personagens, já que a geração da primeira parte já não é a mesma. Aqui acompanhamos mais um pouco o processo no qual a raça de Karrelen consegue acabar com as guerras, a fome, entre outros problemas da humanidade. Enquanto os alienígenas tentam aprender cada vez mais sobre os humanos, Jan Rodricks arma um plano que ninguém jamais conseguiu executar: descobrir quem realmente são esses aliens, de onde eles vêm e qual o seu propósito.

v8scm0ltl4dvz1t8phv0
Mr. Clarke, o gênio

À medida que Jan tenta executar seu plano, surge a ideia de se infiltrar em uma das naves e quem sabe ir como clandestino até o planeta de Karrelen, algo que ninguém jamais tentou. E é acompanhando essa tentativa que adentramos na terceira e última parte do romance, A Última Geração. Essa é a menor, mais acelerada e que traz todo o desfecho da missão de Karellen. É aqui que descobrimos seu verdadeiro propósito ao ajudar a humanidade. Após muitas décadas, os humanos já não lembram mais de como era o mundo antes da chegada das naves. É também quando entendemos o título do romance e tudo passa a fazer sentido. Como eu disse no começo, Clarke cria uma trama grandiosa para falar sobre os podres da humanidade. Num romance que brinca com a ideia de Utopia, o autor nos faz refletir sobre quem somos, de onde viemos, para onde vamos e o que fazemos com nós mesmos. É um daqueles livros que te pega de assalto e te dá vários socos no estômago. Muito difícil não ficar dias pensando sobre ele.

A editora Aleph tem feito um trabalho muito especial com os livros do Clarke. Esse em especial traz alguns extras muito interessantes: além da tradução muito caprichada do Carlos Angelo, a edição traz um prefácio do autor escrito em 2000, uma versão revisada pelo autor para o primeiro capítulo e o conto original intitulado Anjo da Guarda, que deu origem ao romance. É interessante a leitura do conto, pois é possível ter um vislumbre do processo de escrita de Clarke, como uma ideia idealizada a princípio pra ser uma história curta se expandiu no romance grandioso que é O Fim da Infância. O seriado produzido pelo canal Syfy é dividido em três partes, assim como no romance, mas traz muitas adaptações inserindo a trama num ambiente mais contemporâneo. O livro foi publicado originalmente em 1953, mas permanece muito atual em suas discussões. Vale muito a pena ler.

Nota: 💚💚💚💚💚+❤

Trailer da mininsérie de TV

Ficha Técnica

ofimdainfc3a2ncia
Clique para ampliar

Título: O Fim da Infância
Título Original: Childhood’s End
Autor(a): Arthur C. Clarke
Tradução: Carlos Angelo (romance) / Carlos Orsi (conto)
Editora: Aleph
Edição: 2015 (2ª)
Ano da obra / Copyright: 1953
Páginas: 320
Skoob: Adicione
Compare e compre: Buscapé | Amazon

Anúncios

Um comentário

Deixe um Comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s