| Entrevista | Mary E. Pearson, autora de “The Kiss of Deception”

Mary E. Pearson
Mary E. Pearson

Mary E. Pearson  formada em artes pela Long Beach State University, e possui mestrado pela San Diego State University. Aventurou-se em trabalhar como artista por um tempo, até descobrir que iria ser mãe. Sua popularidade veio ao começar a escrever livros juvenis, entre eles a série Crônicas de Amor e Ódio.  The Kiss of Deception (Livro #01) foi escolhido pelo comitê da Young Adult Library Services Association (YALSA) como umas das melhores ficções young-adult de 2015 e escolhido uma das principais fantasias de 2014 pelos leitores no Goodreads. Recentemente, a autora concedeu uma entrevista para a equipe DarkSide e esta, por sua vez, compartilhou as respostas com os blogs parceiros. Conforme informações da própria editora, as perguntas foram realizadas por alguns parceiros da coleção DarkLove e o resultado você confere a seguir, na íntegra.


Quando você começou a escrever a história você já a tinha toda “desenhada” na cabeça ou a história veio aos poucos? Conta esse processo para a gente!
MEP:
Eu apresentei a trilogia Crônicas de Amor e Ódio à minha editora com base em 50 páginas escritas e três sinopses simples. Eu digo “simples” porque eu não sou de fazer esboços muito rígidos, e de fato a história mudou desde as três sinopses iniciais. Minha editora entendeu desde o princípio que ela iria mudar — ela sabe o tipo de escritora que eu sou. E essa é a parte divertida em escrever. Detalhes da trama que aparecem e que levam você para lugares inesperados. Havia coisas sobre todos os personagens que eu descobri durante a escrita que me ajudaram a moldar a trama. Eu não posso fornecer muitos detalhes porque isso iria estragar a descoberta para os leitores, mas existem detalhes sobre o passado de Kaden que eu não sabia quando comecei a escrever e que se tornaram plot twists importantes mais para frente — o mesmo aconteceu com Rafe e Lia.

Eu gostaria muito de saber sobre as referências literárias e até históricas que a Mary E. Pearson pode ter utilizado como fonte de inspiração para criar o universo e a história da Lia.
MEP:
De um ponto de vista literário, preciso citar uma frase do autor Richard Peck: “Nós escrevemos sob a luz de todas as histórias que já lemos”. Assim como uma vida de pessoas e interações ajuda a moldar os personagens que criamos, livros fazem o mesmo com a maneira que escrevemos e as histórias que escolhemos contar. Eu não posso escolher um livro específico que influenciou diretamente The Kiss of Deception de uma maneira óbvia. Eu tenho certeza que até mesmo minhas experiências de infância com Dr. Seuss tiveram efeito de algum modo: divirta-se com palavras e imagine novos mundos!

De um ponto de vista histórico, eu criei o mundo da Lia olhando para nosso próprio mundo, observando as coisas que reverenciamos, as coisas que odiamos, a busca por poder e os erros que cometemos repetidamente. É absolutamente verdade, a história se repete. Às vezes ela parece circular em vez de linear. Já que o mundo de Lia foi construído sobre as cinzas de um mundo passado, muito da história deste mundo foi transmitida através de lendas contadas em tempos de desespero e evoluiu com o passar do tempo, concebendo uma cultura totalmente nova que não entendia completamente suas verdadeiras raízes. De decepções de personagens a históricas, a decepção é abundante em muitos níveis neste livro.

The Kiss of Deception, de Mary E. Pearson

Eu tenho vontade de perguntar para ela qual mundo de fantasia ela preferiria viver se tivesse que escolher um (mas não vale ser o do livro dela😉 ).
MEP:
Ah, essa pergunta é tão difícil. Mundos fantásticos são tão intrigantes — mas podem ser bem perigosos também —, embora o perigo seja uma parte da diversão se você está na companhia dos personagens certos. Eu acho que viver no Condado, na Terra-Média, seria bem legal, e ser vizinha do Bilbo para poder dividir um Segundo Café da Manhã. Eu sou bem baixinha, então acho que eu me enturmaria entre os hobbits. Mas meu pé não é tão peludo. Por outro lado, embora eu possa perder minha cabeça lá, eu sempre adorei insanidade exorbitante do País das Maravilhas e poderia seguir Alice pela toca do coelho. Muitas aventuras para viver ali.

Cada leitora tem uma percepção sobre o que lê, mas o que você, como autora, gostaria que as leitoras absorvessem dos livros?
MEP:
Eu não quero que eles aprendam algo, por mais que espere que se identifiquem com algumas questões. Espero que eles imaginem as mesmas coisas que eu, que encontrem uma parte deles em alguns dos personagens, ou quem sabe em todos eles, que olhem ao redor de seus próprios mundos e enxerguem o mundo de Lia também, que se encontrem numa jornada que vai fazer com que eles continuem pensando e imaginando muito tempo depois de virar a última página. Espero que eles sintam que estiveram numa aventura com amigos e prontos para começar outra.

Morrighan é uma deusa de origem celta, esse nome tem muito destaque no livro, qual sua conexão com crenças e histórias antigas?
MEP:
Sim! Embora Morrighan — a garota e o reino — não tenha sido baseada na deusa Celta. Eu acho que a maioria das lendas antigas é atemporal e que nós podemos encontrar suas mensagens ressurgindo, geração após geração, em novas histórias.

Qual é a sua “formação de escritora”? (cursos que fez, livros que inspiram, autores favoritos…)
MEP:
Eu estudei arte na faculdade e recebi um BFA em ilustração, mas sempre fui uma leitora ávida, o que eu acredito ser a melhor preparação para se tornar um escritor. Há um dizer que afirma que você deve ler mil livros antes de escrever um, e eu acredito que isso seja verdade. Eu li, estudei e escrevi muita poesia, o que acho que me deixou bem atenta à estrutura de frases e escolha de palavras. Alguns dos livros que me inspiraram quando mais nova foram: A Boa Terra, de Pearl S. Buck; The Outsiders: Vidas Sem Rumo, de S. E. Hinton; Pássaros Feridos, de Colleen McCullough; A Caverna de Cristal, de Mary Stewart; O Sol É para Todos, de Harper Lee; O Hobbit e O Senhor dos Anéis, por J. R. R. Tolkien; Fahrenheit 451, de Ray Bradbury; A Senhora do Jogo, de Sydney Sheldon. Eu poderia continuar por horas. E não posso deixar de lado outras formas de contar histórias, incluindo o antiquado boca a boca, quadrinhos, e é claro filmes, que me ajudaram a desenvolver um amor de história. Quando eu era criança eu devorei o programa Além da Imaginação (The Twilight Zone) como se fosse pipoca. Eu amava as histórias cheias de reviravoltas e inesperadas que eram exibidas toda semana. Elas me fizeram olhar para meu próprio mundo de novas maneiras.

O título The Kiss of Deception é muito intrigante, e me parece que tem uma importância grande no arco da série. Como foi o processo pra escolha do título?
MEP:
Criar o título foi um processo bem longo. Minha editora e eu fizemos um brainstorming com vários títulos sabendo que a série seria uma trilogia, e queríamos algo que evocasse tanto o mistério como o romance no livro e também algo que permitisse que os livros subsequentes seguiriam um padrão similar. Não foi uma tarefa fácil! Nós não tivemos apenas que criar um título, mas três — e dois eram para livros que ainda não haviam sido escritos! The Kiss of Deception tem significado que encaixa no primeiro livro em vários níveis. A decepção foi tecida na história entre os personagens e as histórias, e com o elemento romântico, pareceu o título perfeito.

Banner The Kiss Of Deception.png

Por que você acha importante falar sobre empoderamento feminino na literatura?
MEP:
Todos nós conhecemos mulheres poderosas, capazes, fortes e inteligentes. Elas são mulheres reais em nossas vidas. É apenas certo e natural que encontremos as histórias delas entre as páginas dos livros. Mulheres não são coadjuvantes. Elas também são as heroínas do mundo.

Eu gostaria de saber da Mary em quais autores ela buscou inspiração pra criação do mundo fantástico dela, e principalmente na criação da Lia, uma vez que ela é uma personagem tão decidida, madura e inteligente.
MEP:
A Lia evoluiu conforme eu fui escrevendo sobre ela e fui conhecendo-a melhor. Eu sabia que ela seria uma jovem obstinada e determinada cuja força estaria em sua sagacidade e palavras. É claro, às vezes duas palavras também a puseram em problemas, e isso está ok. Ela ainda teve que dominar sua força. Eu também sabia que Lia seria empurrada para uma esquina e a vida em que sua verdadeira força era valorizada e sua voz seria silenciada. Ela estava em perigo de perder a si mesma, mas ela deve autoestima suficiente para não deixar isso acontecer e prosseguiu buscando uma nova vida, feita por ela mesma. Eu amei acompanhar como Lia cresceu e desenvolveu uma determinação feita de aço, mesmo que ela tenha sido colocada para baixo diversas vezes. Mas ela sempre se reergueu. Eu gostaria de poder dizer que planejei tudo isso desde o começo, mas eu permiti que Lia respirasse e crescesse e liderasse o caminho, e eu tenho que admitir, às vezes ela me surpreendeu. Ela disse algumas coisas que realmente me fizeram rir em voz alta. Eu não sinto que tudo isso veio da minha cabeça de forma alguma. Essa é uma das coisas que eu amo sobre escrever — quando os personagens assumem o comando.

Se um fã quisesse fazer um roteiro de viagem inspirado em The Kiss of Deception, quais lugares do mundo real não poderiam faltar?
MEP:
Que ótima pergunta. E uma que pode levar a spoilers! Você é uma leitora perceptiva. Primeiro, eu diria, venha para a Califórnia, onde eu vivo, e eu posso mostrar algumas vistas e daí… nós vamos botar o pé na estrada, assim como Lia fez. Talvez Las Vegas seja nossa primeira parada…

O que você e a DarkSide Books têm em comum e o que você espera dos leitores brasileiros?
MEP:
Tanto eu como a DarkSide amamos livros – e fantasia! Os leitores brasileiros já têm sido tão incríveis e acolhedores! Eu não posso pedir nada além disso. Obrigada! Espero que mais leitores descubram The Kiss of Deception e embarquem nessa jornada com a gente.


Nota: Essa entrevista foi realizada pela equipe da DarkSide, sendo as perguntas elaboradas por alguns parceiros da coleção DarkLove, e compartilhada com seus blogs parceiros.

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