| Resenha | Eu Sou o Mensageiro, de Markus Zusak

Eu Sou o Mensageiro (detalhe 2)

[…] acho que é verdade o que se diz por aí, tipo que as grandes coisas são sempre pequenas que percebemos.
Markus Zusak, Eu Sou o Mensageiro, p. 195.

Marcus Zusak me surpreendeu até a última palavra do livro.

Desde que eu li A Menina que Roubava Livros, fiquei com mais sede de ler os demais escritos de Zusak. Li alguns, mas não sei porque sempre adiei um pouco a leitura de Eu Sou o Mensageiro. Talvez por achar que a história não me agradaria da mesma forma que as dos outros livros. Mas eu estava enganado.

A trama acompanha a vida de Ed, um taxista que leva uma vida meio parada em uma cidade pequena e simples. Ele vive em casa com Porteiro seu cachorro que adora café, passa algumas noites com seus amigos jogando cartas, nutre uma paixão não correspondida pela melhor amiga, e é isso. Mas a vida dele é transformada quando acontece um assalto ao banco da cidade. O protagonista, quase que por um ato de resiliência, se torna uma espécie de herói por ter confrontado o bandido. Alguns dias após esse acontecimento, um objeto chega em sua caixa de correspondências, uma carta de ás. E essa carta haveria de mudar toda sua história.

Eu Sou o Mensageiro (detalhe)
Detalhe de capa estrangeira

As cartas que Ed recebe têm alguns nomes ou endereços escritos e a partir disso ele começa a investigar essas pistas. Ele não só muda a vida das pessoas, mas também a sua própria. O suspense que permeia todas essas vidas e histórias é muito real, extremamente bem construído, chega a ser tátil.

É inegável como a verdade pode ser brutal às vezes. Só dá pra admirá-la. (p. 270)

Contudo, a capacidade de Zusak não para por aí.

Ed é um personagem muito verdadeiro consigo mesmo e com seus atos. Tive certa facilidade para me identificar com ele porque sua vida passa longe de ser heroica, mas mesmo assim ele consegue encontrar sua devida forma de felicidade. Com o amadurecimento das vivências que as misteriosas cartas trazem a ele, Ed começa a ter uma percepção sobre si mesmo de um requinte impressionante.

The Guardian Hay Festival 2009 - Day 4
Markus Zusak

A narrativa é muito leve, descontraída, com termos descolados, o que não deixa a história pesada por causa da linguagem. O desdobramento de toda a trama nos mostra uma reflexão sobre o que somos capazes de fazer quando confrontados com a realidade cotidiana, mas sob outra perspectiva. É brutal, nua, mas com fundos de verdade sobre o que todos somos capazes de fazer. Uma história sobre lealdade, coragem, amor, compaixão e uma secreta busca pelo autoconhecimento. O ritmo que o livro adquire a cada passar de páginas acelera e a forma como Zusak amarra toda histórica com seus personagens é viciante.

Por causa de toda a verdade transmitida em cada detalhe desse livro, senti uma especial e desconfortável dificuldade de falar sobre ele, mas é justamente esse impacto que me fascina.

Nota: 💚💚💚💚💚

Ficha Técnica

eusouomensageiro
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Título: Eu Sou o Mensageiro
Título Original: The Messenger
Autor(a): Markus Zusak
Tradução: Antônio E. de Moura Filho
Editora: Intrínseca
Edição: 2007 (1ª)
Ano da obra / Copyright: 2002
Páginas: 320
Skoob: Adicione
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