| Crítica Dupla | Cubo (Cube, 1997) e Circle (2015)

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Cena do filme “Cubo”, de 1997.

Recentemente, navegando pelas águas da Netflix com um amigo, nos deparamos com o filme Circle (2015), dirigido por Aaron Hann. Nas palavras dele “esse filme é legal e parece que foi inspirado no clássico Cubo”. Como não conhecia esse último, lançado em 1997, não me atentei ao fato e começamos a assistir. Apesar de um cenário bem simples e um plot twist nada inovador, Circle prendeu nossa atenção (a dele pela segunda vez) e vimos até o final. Quando o filme acabou, fiquei curioso para assistir àquele cujo filme fora inspirado e fui atrás. Tão simples quanto Circle, Cubo (Cube, 1997), dirigido por Vincenzo Natali, me ganhou também pela simplicidade e pela forma da construção do suspense. Assim, considerando esse contato inesperado com ambos e com a possível ligação entre eles, decidi fazer essa crítica dupla na tentativa de apresentá-los para quem não conhece e entendê-los, se isso for possível.

Cubo (Cube, 1997)

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Cena do filme “Cubo”, de 1997.

A história gira em torno de algumas pessoas que são misteriosamente presas em um labirinto de alta tecnologia. Diferente da série de filmes Jogos Mortais, neste nada é explicado. Desta forma, sem nenhuma instrução, eles precisam encontrar um meio de salvar a própria pele, não só se defendendo uns dos outros — já que nenhum deles se conhece — como também evitando acionar armadilhas letais, que surgem em estranhos cubos descobertos a cada nova possibilidade. Se você acha que reorganizar um cubo mágico é difícil, imagine ter que escolher uma de nove janelas, entrando em um cubo novo, sem saber o que espera, e ainda assim pensar de forma lógica tentando compreender como chegar à superfície (se isso realmente for possível).

O enredo é bem simples e as cenas possuem uma sequência bem bacana, proporcionando um aumento na tensão que é realmente assustador e claustrofóbico. O desenvolvimento dos personagens acontece de forma gradativa, apesar de algumas coisas ficarem pouco esclarecidas. Inicialmente, vi isso como furos no roteiro, mas após reassistir percebi que essas “falhas” ou controvérsias são os elementos catalizadores do suspense e, consequentemente, do horror. Como cada cena é uma reviravolta, não poderei falar mais sobre elas, mas caso ainda não tenha assistido, queria deixar aqui minha admiração pelas personagens interpretadas por Nicole de Boer (matemática), Nicky Guadagni (psicóloga) e Andrew Miller (jovem autista).

Circle (2015)

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Cena do filme “Circle”, de 2015.

Não muito diferente do primeiro, mas agora de forma bem mais exagerada, em Circle (2015) temos cinquenta estranhos (segundo a sinopse, mas não temos certeza ao assistir) que despertam de forma misteriosa dentro de um compartimento altamente tecnológico, organizados em forma de círculo, sem nenhuma memória. Confusos, eles percebem que a cada dois minutos um deles morre ao ser atingido por um aparelho localizado no centro do grupo. Além disso, sair do círculo também faz com que as pessoas sejam atacadas. Com o passar dos minutos, o grupo percebe que as mortes não são aleatórias, isto é, o próprio grupo tem o poder de decidir quem será o próximo. Mas como chegar a um consenso? Quais motivos levam uma pessoa a merecer a morte em detrimento da outra? Seguindo essa lógica, o que acontecerá no final?

Assim como em Cubo, o ritmo é construído de forma bem gradativa, apesar de ter sentido uma tensão maior ao assistir este. Como as mortes acontecem numa frequência “controlável”, os personagens (a quem pouco nos apegamos) tentam a todo custo conquistar a confiança um dos outros e se manterem vivos por mais uma rodada. Ainda sobre os personagens, o diretor colocou todos os tipos de estereótipos e padrões possíveis — negros, judeus, crianças, idosos, gestantes, casais, homossexuais, orientais, entre tantos outros —, criando não só uma tensão extremamente incômoda como também possibilitando uma discussão acerca dos julgamentos que os seres humanos têm uns sobre os outros.

Seguindo os padrões e superando-os

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Cena do filme “Cubo”, de 1997.

Apesar do segundo filme ter realmente sido inspirado no primeiro (e em outros como Jogos Mortais e 12 Homens e uma Sentença, segundo informações do IMDb), poucas coisas são semelhantes. Podemos ressaltar apenas (1) um grupo de pessoas que acorda sem saber como chegou na cena, (2) a tecnologia como arma utilizada pelo homem contra o homem, (3) final perturbador e que explodirá sua mente. Os tipos de discussões possíveis com esses filmes também são bem semelhantes, embora eu tenha conseguido refletir mais sobre a relação homem-sociedade e homem-homem ao ver o primeiro, do que quando vi o segundo.

Apesar disso, sobre os aspectos técnicos, gostei muito mais dos efeitos e trilha sonora de Cubo, apesar de Circle ser bem mais atual. O cast de Cubo, por ser menor, me agradou mais também, apesar de ter me identificado e me apegado bastante a dois ou três personagens de Circle. No entanto, apesar das comparações, estes são filmes independentes e podem/devem ser vistos com olhares diferentes. Eu gostei bastante de ambos e indico-os na mesma medida.

Nota de Cubo: 💚💚💚💚💚

Nota de Circle: 💚💚💚💚💛

Trailer de Cubo (Cube, 1997)

Trailer de Circle (2015)

Ficha Técnica

Cube (1997) CartazTítulo: Cubo
Título original: Cube
Direção: Vincenzo Natali
Roteiro: André Bijelic, Vincenzo Natali e Graeme Manson
Elenco: Nicole de Boer, Nicky Guadagni, David Hewlett, Andrew Miller, Julian Richings, Wayne Robson, Maurice Dean Wint
Gênero: Mistério, Ficção Científica, Thriller
Origem: Canadá
Duração: 90 minutos

Ficha Técnica

Circle (2015) CartazTítulo: Circle
Título original: Circle
Direção: Aaron Hann
Roteiro: Aaron Hann, Mario Miscione
Elenco: Michael Nardelli, Allegra Masters, Molly Jackson, Jordi Vilasuso, Rene Heger, Zachary James Rukavina, Kaiwi Lyman-Mersereau
Gênero: Drama, Horror, Mistério
Origem: EUA
Duração: 87 minutos

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