| Resenha | A Garota de Boston, de Anita Diamant

A Garota de Boston (detalhe)

[…] Você não ficara mais bonita do que é hoje, querida, então sorria. Quem disse que um sorriso é a melhor plástica era uma mulher inteligente.
Anita Diamant, A Garota de Boston, p. 165.

Este foi meu primeiro contato com Anita Diamant. Nunca li outras obras da autora que foram traduzidas para o português, como A Tenda Vermelha e Dia após Noite. Portanto, eu não tinha muitas expectativas em relação à autora, mas criei algumas quanto à obra desde que li sobre ela.

A história é narrada por Addie Baum, que está cedendo uma entrevista a sua neta Ava, sobre sua vida desde 1915, nos Estados Unidos. Addie é de uma família judia que se mudou para os EUA por conta de conflitos em sua terra natal. Nessa época, os imigrantes, os negros e as mulheres ainda eram quase que cem por cento segregados. E é aí que está o ponto central do livro: narrar uma história baseada em uma época de carga social fortíssima em relação às minorias, perpassando as doenças que afetaram a população nesse período, e mostrar ainda como, através de pequenas atitudes, as pessoas se tornaram um pouco mais livres.

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Rockfort Lodge

À medida que se dá o seu crescimento, a protagonista começa a ter vontades próprias, ideias independentes e a querer se libertar. O interessante é que podemos perceber que parte deste anseio pela liberdade veio por meio de um empoderamento através da literatura. A arte também é um eixo central aqui. Durante a narrativa, a personagem visita Rockport Lodge, um lugar onde garotas imigrantes podiam passar as férias, e vivenciar experiências que jamais imaginariam ter.  

[…] ser artista é mais que um trabalho ou uma habilidade, é uma maneira de caminhar através do mundo. (p. 36)

Essa história foi particularmente especial porque ultimamente tenho me envolvido muito em estudos de cunho social. Ao observarmos os períodos em que a historia se divide, percebemos uma realidade extremista. Os negros eram vistos como pessoas totalmente impuras e eram muito humilhados pela sociedade; as mulheres ainda exerciam um papel muito restrito; a dureza de fábricas clandestinas que ceifavam vidas; a devastadora gripe espanhola; e abortos ilegais. Tudo isso (e mais alguns eventos e personagens históricos) compõe esse relato.

A Garota de Boston (detalhe 2)
Detalhe de capa estrangeira

Uma coisa com a qual me surpreendi foi o romance. Ele começa tímido como quem não quer nada e como se não fizesse parte da vida de Addie. Entretanto, chega um ponto no meio do desenvolvimento da história em que ele simplesmente acontece. Esse “simplesmente acontecer” foi algo muito sagaz, porque assim também arrebata o leitor. Além de tudo, não é apenas um romance que traz felicidade a uma história brutal, é um romance merecido e bem construído.

Quanto aos personagens secundários, eles não ficam atrás. Toda a história é permeada por eles e isso traz uma dinâmica narrativa que flui e constrói os fatos de maneira muito verídica.

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Anita Diamant

Antes de concluir, acho de extrema importância recomendar essa obra para os fãs de Khaled Hosseini, autor de O Caçador de Pipas. A escrita de Anita me lembrou a de Hosseini no que diz respeito a carga de questões culturais, como a linguagem do país de origem dos personagens, por exemplo.  

Por fim, autenticidade é uma palavra que pode resumir muito bem tudo o que senti em A Garota de Boston. Ele informa, diverte, toca, marca, emociona. Muito mais do que eu esperava.

Ficha Técnica

A Garota de Boston
Clique para ampliar

Título: A Garota de Boston
Título Original: The Boston Girl
Autor(a): Anita Diamant
Tradução: Guilherme de Oliveira Ferreira
Editora: nVersos
Edição: 2016 (1ª)
Ano da obra / Copyright: 2015
Páginas: 240
Skoob: Adicione
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