| Resenha | O Último Adeus, de Cynthia Hand

O Último Adeus, de Cynthia Hand

Ele não escreveu um bilhete ao nosso pai. Nem a nenhum de seus amigos. Nem a mim. Só deixou essas sete palavras escritas em um Post-it amarelo, colado no espelho do quarto. Sua única explicação.
Cynthia Hand, O Último Adeus, pág. 53.

A cada lançamento, a Editora DarkSide nos presenteia com novas possibilidades de boas leituras. Esse mês eu tive o prazer de fazer duas leituras da editora, o que resultou em prazer dobrado. Assim como na leitura do primeiro — Exorcismo, de Thomas B. Allen —, esse também foi um livro que me fez sair completamente da zona de conforto. Assim, falar desse romance será um pouco complicado para mim, uma vez que ele me tocou em questões bem particulares. Portante, esse texto (assim como o romance) gira em torno de suicídio, culpas, perdas e as dificuldades de lidar com elas, com um pouco de sobrenatural, é claro.

O Último Adeus, de Cynthia HandO Último Adeus, de Cynthia Hand, traz a história de Alexis (Lexie), uma jovem que acabou de perder o irmão Tyler. Logo na sinopse (e nas primeiras linhas) sabemos que o jovem se matou por se sentir vazio. No entanto, a falta de explicações para a família (exceto o Post-it, semelhante ao da imagem) deixa todos desolados. Tendo como base essas informações, o leitor começa a conhecer toda essa história aparentemente sem explicação a partir dos relatos em primeira pessoa da protagonista, que está tentando seguir em frente. Num segundo plano, vamos percebendo como os pais (separados) desses irmãos lidam com a situação, como era a vida dos jovens em casa e na escola, entre outros conflitos tão comuns e ao mesmo tempo difíceis de conviver.

Além da narrativa em primeira pessoa, os capítulos são intercalados com páginas de uma espécie de diário onde Lexie conta sobre suas sensações e dia a dia, nos fazendo conhecê-la melhor. Como ela tem dificuldade de demonstrar esses sentimentos em público, sua mãe achou por bem encaminhá-la para um psicólogo, que recomendou que ela registrasse tudo que sente, já que ela se recusava a tomar qualquer tipo de antidepressivo. Algumas das ações aparentemente irracionais da garota são justificadas com alguma coisa relacionada ao seu passado ou de seu irmão, o que faz com que algumas lágrimas me surjam, só de lembrar.

Pelo menos, estou determinada a ser direta. Meu irmão se matou. Na nossa garagem. Com um rifle de caça. Isso faz com que pareça o jogo mais cruel do mundo, mas é isso. (p.25)

Além do cotidiano dessa garota, que parece cada vez mais deprimente, já que as pessoas não sabem como agir em situações como essa, alguns novos elementos começam a surgir nessa história tão difícil de superar. Entre eles estão: (1) A mãe dos dois começa a sentir o cheiro do Tyler pela casa; e (2) Alexis, que não acreditava no que a mãe contara, agora acredita ter visto Tyler e que, a partir disso, algumas coisas sobrenaturais estão acontecendo. Se lidar com a morte de alguém que você ama já é extremamente doloroso, imagine quando você ainda sente sua presença?

Apesar dos elementos sobrenaturais, que podem ou não fazer parte do imaginário das personagens (só lendo pra saber), o livro me ganhou mais pela sensibilidade da escrita da autora. Ela tem uma narrativa simples, mas direta, sem minimizar o problema que é o suicídio. Essa leitura abriu minha mente para esse tema tão silenciado ou naturalizado na nossa sociedade. Quem aqui, por algum momento que seja, não ouviu alguém que você ama dizer que está se sentindo triste ou vazio por algum motivo? No meu caso, já vivi isso mais de uma vez e devo confessar que fiquei numa sensação de impotência muito grande. Não consigo nem imaginar a situação caso eu não tivesse conseguido ajudar.

Infelizmente, acabamos nos culpando por algumas coisas que fogem ao nosso controle. E é esse o tema central desse livro que vai lhe deixar num estado de reflexão e tristeza (embora com muita consciência sobre a importância dela) impensáveis. No entanto, não estou dizendo que você sairá mestre em lidar com suicídio ou depressão ou quaisquer problemas nesse sentido, mas uma coisa eu posso dizer: você ficará bem mais atento aos sinais. Há quem acredite que esses sinais não existem e claro, eles variam de caso para caso, mas permanecer em estado de alerta pode ajudar a identificar caso eles estejam lá.

Apesar de Cynthia Hand ser uma escritora de fantasia, seu primeiro romance fora dessa temática se mostrou muito bem construído. Até me surgiram algumas dúvidas sobre o processo de pesquisa para a construção da narrativa e, quem sabe, eu não tente alguma entrevista com ela mais adiante. Não custa nada sonhar! Mas, esse livro se torna ainda mais impactante por conta do projeto gráfico criado pela DarkSide. A fonte toda em azul, variando entre diário e narração, alguns rabiscos aleatórios e essa capa fantástica. Antes não compreendia o sentido dela, mas agora ela e tudo o mais fazem todo sentido. Assim, espero que todos possam em algum momento ler e pensar um pouco mais em formas de debatermos esses e outros assuntos relacionados ao que “vem depois da morte, quando todo mundo parece estar seguindo adiante com sua própria vida, menos você” (Trecho DarkSide).

Não esqueçam de comentar e compartilhar o máximo possível. Boas Leituras!

Nota: 💚💚💚💚💚

Playlist inspirada no livro, no Spotify

Ficha Técnica

O Último Adeus, de Cynthia Hand
Clique para ampliar

Título: O Último Adeus
Título Original: The Last Time We Say Goodbye
Autor(a): Cynthia Hand
Tradução: Carolina Coelho
Editora: DarkSide
Edição: 2016 (1ª)
Ano da obra / Copyright: 2015
Páginas: 352
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