| Resenha | Garoto 21, de Matthew Quick

Garoto 21, de Matthew Quick (Art).jpg

A repetição do movimento pode fazer a gente esquecer o mundo; silencia os pensamentos. Aprendi o valor disso ainda muito novo.
Matthew Quick, Garoto 21, pág. 08.

Apesar de eu estar participando da Maratona Literária de Inverno 2016, cuja TBR foi previamente formada, minhas leituras já começaram fugindo da lista. Como mencionei na construção da meta, alguns livros extras/diferentes dos desafios seriam inseridos durante a maratona, mas quando o assunto é Matthew Quick, acabei alterando essa meta logo na primeira semana. Assim sendo, Garoto 21 foi o primeiro livro que li para a #MLI2016 e como estava numa fase bem down, essa leitura me pegou de uma forma que ainda não sei dizer por que gostei tanto, só sei dizer que foi uma experiência incrível, apesar da narrativa incorporar alguns elementos que não me agradariam a princípio. Mas explicarei melhor ao longo do texto.

Nesse meu segundo contato com o autor (o primeiro foi com Perdão, Leonard Peacock), eu pude conhecer Finlay, o protagonista dessa história divertida e emocionante, e sua amizade com Russ. Finlay é um garoto introspectivo que vive com o pai e o avô deficiente em uma casa simples no subúrbio de Bellmont. Apesar do silêncio do garoto, causado por um trauma enquanto ele ainda era criança, seu talento no basquete atrai a atenção das pessoas da sua escola, em especial de Erin (que se torna sua namorada) e do seu treinador. Este último, conhecendo a história de Finlay, pede que o garoto ajude um jovem recém-chegado à cidade, filho de um ex-amigo pessoal, a socializar e voltar a jogar basquete. Mas porque Finlay e não qualquer outro garoto do time de basquete? Só lendo para saber.

Boy21, de Matthew Quick.jpg
Detalhe da edição americana.

O que vai importar é que esse garoto, Russ, perdeu os pais recentemente e, desde então, acredita que veio do espaço e que seu nome (ou como ele prefere ser chamado) é Garoto 21. Agora imaginem o início dessa amizade: (1) um garoto introspectivo que prefere ouvir e sempre concorda com tudo, para evitar discussões; (2) uma pessoa aparentemente com problemas psicológicos e que não fala coisa com coisa; e (3) uma garota, namorada do primeiro, que não sabe o que está acontecendo e tenta ajudar, mesmo tendo seus próprios problemas para resolver. Quando pensei nisso, tudo pareceu muito confuso e impossível de se resolver de forma interessante, mas Quick, como sempre, consegue construir personagens tão carismáticos e apaixonantes que, mesmo imaginando que a história estava seguindo por um caminho que não iria me agradar, eu ainda assim continuei interessado.

Além da temática central dessa narrativa (amizade dos dois garotos), outros temas são inseridos e discutidos a todo momento. Entre eles: violência urbana, em especial pela constituição de máfias e/ou gangues, representada pelo bairro/cidade onde a história se passa; segregação racial, ao apresentar Finlay como um jogador de basquete branco, numa equipe composta de negros (inclusive o treinador), e Russ, negro que sempre jogou com garotos brancos — a própria relação de amizade dos dois é uma das formas de discutir a temática; discussões relacionadas à classe social, ao colocar Russ, que é negro e herdeiro de uma boa quantia em dinheiro, sendo colocado numa escola pública, com pessoas de classe social diferente; e, por fim, as discussões relacionadas ao gênero, pois apesar de ser uma história protagonizada quase que majoritariamente por homens, são as mulheres as grandes heroínas no fim das contas.

Basquete (Garoto 21)

É bem raro ver uma amizade entre garotos brancos e negros em Bellmont. Talvez isso seja intransigente demais da minha parte, mas descobri que ser intransigente, às vezes, torna a vida mais fácil para todos. (p.41)

Tudo que mencionei acima corroborou para que o livro entrasse na lista das melhores leituras do ano. No entanto, algumas coisas me incomodaram um pouco (como mencionei no início). Dentre estas, estão: o esporte (basquete) detalhado e bem explorado, o que para mim foi bem excessivo, apesar da grande lição por trás disso; algumas coisas acontecem de forma muito rápida e/ou sem muitas explicações, mas isso não significa que fica algum espaço para reflexão, apenas fica a sensação de que foi escrito de forma apressada; e por fim, senti como se a justificativa da união dos jovens foi pensada “em cima da hora”, apesar de bem convincente e emocionante. Entretanto, apesar desses detalhes terem me incomodado, a escrita do Matthew fez com que tudo passasse de forma bem prazerosa.

Essa sem dúvida é uma leitura bem gostosinha e rápida, ficando como uma boa dica para os participantes de maratonas literárias. Acredito que Matthew Quick deva ter histórias mais maduras e, evidentemente, bem escritas, mas esta sem dúvida é uma que vale a pena conhecer, em especial para refletirmos sobre o lugar onde moramos e porque moramos ali, e ainda para pensarmos sobre o porquê das coisas. Russ diz em algum momento (que não marquei 🙈 ) que não sabemos a resposta para todas as perguntas (e nunca saberemos), mas que ainda assim poderemos seguir questionando.

Basquete (Garoto 21)

Se você gosta de leituras fofinhas, cheia de quotes legais, esta é a dica perfeita. Mas, se você só busca uma leitura divertida (e um pouco emocionante), para passar o tempo, esta também é uma boa indicação. Só não podem deixar de conhecer Finley, Russ e toda sua história. Boas leituras!

Nota: 💚💚💚💚💛

Playlist criada pela Editora, no Spotify

Ficha Técnica

Garoto 21, de Matthew Quick
Clique para ampliar

Título: Garoto 21
Título Original: Boy21
Autor(a): Matthew Quick
Tradução: Viviane Diniz
Editora: Intrínseca
Edição: 2016 (1ª)
Ano da obra / Copyright: 2012
Páginas: 270
Leia um Trecho: AQUI
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