| Resenha | O Bangalô, de Sarah Jio

Bangalô.jpg
(Fonte)

Sim, a mudança estava acontecendo para ambas, quer quiséssemos fazer parte dela ou não. Quanto mais perto chegávamos da mudança, mais tristeza nós sentíamos. E agora que estávamos frente a frente, ela me causava uma dor no coração à qual não podia ignorar.
Sarah Jio, O Bangalô, pág
. 45.

Recentemente retornei à escrita da Sarah Jio (As Violetas de Março), ao ler Neve na Primavera, e hoje estou aqui para falar sobre seu último romance publicado aqui no Brasil, em edição física. Depois desse, a Editora Novo Conceito lançou somente A Última Camélia, apenas na versão digital, a qual ainda não sei quando lerei. Mas este texto é sobre O Bangalô, seu terceiro romance e o mais diferente de todos. Explicarei os motivos dessa afirmação ao longo do texto.

Ao contrário dos dois primeiros romances, este gira em torno de apenas uma história, iniciada através de um flashback. Anne, no início do romance, é uma senhora de pouco mais de 90 anos que um certo dia recebe a visita de sua neta. Ao conferir as correspondências (e o lixo reciclável), essa jovem encontra uma carta endereçada à senhora trazendo alguns questionamentos sobre seu passado e, consequentemente, sobre seu posicionamento sobre isso. Além disso, a pessoa que enviou a carta diz possuir algo que pertence a Anne e que adoraria devolvê-la após a tal conversa. A personagem fica bem abalada e decide compartilhar sua história com a garota e, a partir daí, entramos de fato na narrativa, que se passa em 1942, durante o início da Segunda Guerra Mundial, numa base dos EUA no Pacífico Sul. Mais especificamente na ilha de Bora Bora, na conhecida Guerra do Pacífico.

Sarah Jio
Sarah Jio

A primeira personagem que conhecemos é Kitty, melhor amiga de Anne. Inseparáveis, as duas sempre precisam da aprovação uma da outra como forma de garantir que ambas estarão sempre próximas, sem segredos. No entanto, Kitty é sedutora e ambiciosa (apesar de ingênua) demais para uma vida simples no campo, o que a faz se envolver com um homem casado, o que Anne desaprova. Enquanto a amizade das duas se desenrola, a protagonista está planejando (ou melhor, aceitando as decisões da mãe e da futura sogra) seu casamento com Gerard. De família bem abastada, ambos parecem não ser afetados pela iminência da Guerra, até que Kitty, por ciúme ou algum outro motivo desconhecido, decide partir para ajudar nas bases do exército. Como existe uma promessa sobre estarem sempre juntas, Anne decide impulsivamente acompanhar a amiga nessa viagem completamente perigosa e adia sua união matrinomial. Só para deixar claro, ambas acabaram de se tornar enfermeiras, que era uma profissão carente na época.

Chegando no Pacífico, somos apresentados a alguns personagens que darão andamento na história, mas que nada se destacam nela. Como as enfermeiras Mary e Stella, alguns soldados, povos nativos e, por fim e mais importante, Westry. Este último, soldado misterioso e introspectivo (sempre com um livro na mão❤ ) acaba chamando a atenção de Anne, embora ela se recuse a aceitar este fato, já que está noiva. Mas nada parece avançar até que, certo dia, caminhando pela praia, Anne encontra uma cabana (ou bangalô) dentro da mata. Tudo passaria despercebido se Westry não estivesse lá, se ambos não começassem a compartilhar esse segredo e, subsequentemente, começassem a fazer daquele lugar algo só deles. Desta forma, enquanto os dois começavam a reformar o bangalô, uma aproximação e conhecimento mútuo ia acontecendo, tornando-os cada vez mais próximos e íntimos. Mas nem tudo são flores: eles estão em tempo de guerra e muita coisa começa a acontecer.

Hibisco Amarelo (Bangalô).jpg

Quando menciono muita coisa, acredite. Tem amor, tem ataque de japoneses, tem morte, tem cartas interceptadas, quebra de promessas, fatos relacionados ao passado de Anne e sua família vêm à tona, muito choro, entre tantas outras coisas. Mas nada parece abalar o relacionamento de ambos, até que… Você precisará ler pra saber. Contudo, quero deixar claro que você sentirá muita raiva e tristeza, tanto da situação quanto das personagens. E tudo se torna ainda mais forte por ser narrado em primeira pessoa.

Apesar de ter pouco mais de 300 páginas, esta foi uma leitura bem rápida. Tanto pela escrita envolvente da autora como pela própria estrutura narrativa. Os capítulos são curtos e, entre uma conversa ou outra, sempre há uma carta ou bilhete, o que torna a leitura mais instigante ao meu ver. E se você gosta de ler correspondências em romances, prepare-se! Porque devo dizer que este final irá lhe emocionar bastante.

Assim, só consigo recomendar esse e os demais livros da autora. Apesar deste ter ficado no terceiro lugar da lista de preferências, sendo Neve na Primavera o primeiro, ainda assim é um livro muito bom. Bem envolvente, divertido na medida, triste além da conta (o que também é bom) e possui um dos casais mais lindos que já conheci. Só não gostei muito de alguns desenrolares envolvendo a amizade entre Anne e Kitty, mas vocês precisariam ler para podermos conversar mais sobre isso.

Boas leituras e não deixem de comentar!

Book Trailer

Ficha Técnica

O Bangalô, de Sarah Jio
Clique para ampliar

Título: O Bangalô
Título Original: The Bungalow
Autor(a): Sarah Jio
Tradução: Ana Paula Costa Doherty
Editora: Novo Conceito
Edição: 2015 (1ª)
Ano da obra / Copyright: 2011
Páginas: 336
Skoob: Adicione
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One comment

  1. Mailson meu querido, foi uma delícia ler sua resenha desse, que para mim, é uma dos melhores histórias de amor com fundo “guerra” que lembro de ter lido.
    Sarah Jio tem o dom de encantar o leitor com tragédias anunciadas, e tão bem descritas, que faz a gente amar e odiar com a mesma intensidade.
    Minha preferência nos livros da autora são na ordem: O Bangalô, Neve na Primavera e As Violetas de Março.
    Ansiosa pela chegada do link do Ebook de A Última Camélia, o lançamento em E-Book da Ed. NC.
    Beijokas estaladas na bochecha.

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