| Resenha | Coringa, de Brian Azzarello e Lee Bermejo

Meu nome é Jonny Frost… estou no topo do mundo, olhando pra baixo. Sabe o que eu vejo? Vejo você. Uma doença. Uma que está por aí há mais tempo do que Gotham, a cidade infectada. Uma doença que é mais antiga do que qualquer cidade. Provavelmente é a própria doença que criou a primeira. Sempre vai existir um Coringa. Porque não há cura pra ele. Nenhuma cura… só um Batman. (Coringa, de Brian Azzarello)

Repulsiva e desconfortável… é a imagem estampada na capa dessa HQ sobre o Coringa, uma risada sangrenta que desafia e alerta o imprudente leitor a desvendá-la. Essa recriação do Coringa, cujo título adota o nome do vilão, escrita por Brian Azzarello e ilustrada por Lee Bermejo, foi lançada em outubro de 2008, pela DC Comics, no mesmo ano de lançamento de O Cavaleiro das Trevas, (The Dark Knight) de Christopher Nolan, filme que surpreendeu a todos com uma interpretação visceral de Heath Ledger na pele e humor do palhaço criminoso.

A semelhança conceitual entre ambos é notável, um coringa em decadência, com o cabelo desgrenhado, maquiagem borrada e cicatrizes queloides deformando as laterais da boca, contrastando bastante com a imagem tradicional do palhaço do crime, um “típico” gângster da década de 40, vestindo um smoking roxo vibrante, com o cabelo alinhado para trás. Até o traje dos coringas de Azzarello e Chris Nolan (somos íntimos rs), são semelhantes, em tons mais sóbrios de verde lodo e roxo escuro, o que dão uma aparência mais arruinada e realista ao personagem para os dias de hoje.

Essa semelhança, acredito, não é mera coincidência, pois Brian Azzarello esteve envolvido com o Pinewood Studios, responsável pela franquia de Batman no cinema, durante a segunda produção de Nolan, tendo escrito um dos segmentos da animação Batman: Gotham Knight, que foi lançada entre os dois primeiros reboots de Batman. Por isso, não estranhe a nova roupagem das personagens, pois, por bem ou mal, mais atualizações foram feitas, a única que permanece mais próxima do seu visual clássico nesta HQ é a Arlequina, que surge diabólica e irresistível em seu uniforme tradicional em preto e vermelho, e chapéu de bobo da corte.

coringa arlequina joker harley quinn azzarello

A HQ cria uma atmosfera bastante mórbida, pois é o retorno do Coringa à vida no crime, muitos anos depois de ficar preso no Asilo Arkham. Por algum motivo, desconhecido para todos, o Coringa havia convencido os médicos de que não era mais louco e fora liberado do Asilo. Quem vai buscá-lo, já que ninguém mais tem coragem, é Jonny Frost, um homem de meia-idade que já tinha saído pela 5ª vez da prisão. Jonny aos poucos vai se tornando o principal capanga do Coringa, indo morar com ele e com a Arlequina, acompanhando as atrocidades do supervilão de perto e alimentando o desejo de ser como ele.

De volta ao submundo de Gotham, o Joker decide retomar o que é dele, o domínio da criminalidade na cidade, o poder das gangues, da lavagem de dinheiro e das organizações mafiosas de Gotham City. Ele começa recrutando outros supervilões para aliarem-se a ele ou enfrentarem sua ira; como o Crocodilo, que faz todo o trabalho braçal, o Pinguim, ou Abner, que controla uma rede de casas noturnas para realizar práticas criminosas de lavagem de dinheiro, e Edward, o Charada, que rouba uma surpresinha a pedido do Coringa. (Detalhe que o visual do Charada é o mais descolado dos vilões, na minha opinião, ele parece um cantor de rock aposentado com uma cartola estilosa na cabeça e um monte de tatuagens de pontos de interrogação convergindo para o umbigo.)

Aqueles que decidem não seguir as regras do Coringa entram em guerra declarada contra o mesmo, como é o caso de Harvey Dent, o Duas Caras, que já havia conquistado muito poder no baixo mundo de Gotham e não está disposto a perdê-lo. É aí que a brincadeira fica mais interessante para o Coringa, pois ele só precisa que alguém agarre a outra ponta da corda para os dois chafurdarem na lama até respingar em toda a cidade, e chegar aos ouvidos do Batman.

joker brian azzarello

Desse modo, esta HQ, fazendo jus ao título Coringa, tenta explorar a fundo a personalidade sádica e anarquista do palhaço insano, que se diverte em manipular e impor medo às outras pessoas, mostrando que o que ele realmente quer ver é o mundo pegar fogo e se possível levar todos à loucura. Utilizando-se de violência física e psicológica, maquinações mirabolantes e ações impulsivas, o Joker está sempre um passo à frente de seus adversários, apanhando-os sempre de surpresa e chocando as demais testemunhas de seus crimes.

Uma das cenas mais violentas dessa história é quando a Arlequina seduz um dos chefões do crime que havia usurpado o lugar do Coringa enquanto estava fora, e logo em seguida o mesmo aparece esfolado em carne viva do pescoço para baixo e o Coringa e sua parceira sanguinária aparecem rindo detrás das cortinas do palco onde a amante do supervilão fez um streap.

Nessa história, o Coringa chegou a um nível tão insano que um de seus adversários vilões chega a pedir socorro ao Batman temendo a vingança do palhaço. E quando o Batman entra em cena, metade da cidade já está consumida pelas chamas e gargalhadas do Coringa. E tudo isso é testemunhado por Jonny Frost, um personagem comum, que não era ninguém até aproximar-se do maior vilão de Gotham. Ele acaba sentindo a cólera do Coringa na própria pele, é claro, ninguém chega muito perto do fogo sem se queimar.

Batman-Arkham-Knight-Coringa
“Alguns homens só querem ver o circo pegar fogo”

Se quiser conhecer a origem do Palhaço do Crime, leia também:
Batman: A Piada Mortal, de Alan Moore e Brian Bolland

Ficha Técnica

Título: Coringa
Título original: Joker
Roteiro: Brian Azzarello
Arte, cores e capa: Lee Bermejo
Editora: Panini Books
Editora original: DC Comics
Edição: 2009
Ano da obra / Copyright: 2008
Páginas: 132
Skoob: Adicione
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