| Resenha | Loney, de Andrew Michael Hurley

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A noite entrava de mansinho no Loney, de uma maneira que eu jamais testemunhei em lugar algum.
Andrew Michael Hurley, Loney, pág. 52.

Há alguns dias, a Editora Intrínseca realizou a Semana Loney e acabei antecipando a leitura para não ficar de fora. Caso não saiba do que estou falando, confira o texto em que falo sobre a obscuridade e a tensão na atmosfera de Loney, onde explico um pouco melhor sobre a ideia. Diferentemente, este texto será menos específico. Loney mexeu muito comigo e tentarei apresentar todos os pontos positivos e negativos dessa história, no mínimo, intrigante. Antes disso, gostaria de lembrar que esse é o romance de estreia de Andrew Michael Hurley, premiado como melhor autor estreante de 2015, no Costa Book Awards.

Antes de qualquer informação sobre a história, devo antecipar que este não é um livro de terror. Se você espera um livro aterrorizante ou algo assustador, esta não seria uma boa escolha. Ainda que este seja um excelente livro e que merece ser lido por muitas pessoas. Se eu fosse escolher as categorias, certamente o drama e o suspense (gótico?) seriam minhas principais apostas. Mas claro, essa ideia de apresentar Loney como um livro de terror (recomendado por Stephen King) foi genial.

Cost (Loney)
(Fonte)

O livro narra a história de um grupo de pessoas, em especial a família Smith, que durante o período da Páscoa se reúnem numa casa afastada na costa da Inglaterra. Os protagonistas dessa história são os irmãos Smith. Andrew (ou Hanny), o mais velho, é mudo e possui déficit de aprendizagem e o mais novo, conhecido como Tonto, é seu protetor. Ano após ano, esse grupo segue em peregrinação até este local aparentemente sagrado, tentando encontrar a cura para Hanny, embora sem nenhum sucesso até então. Narrado em primeira pessoa por Tonto, o qual não sabemos seu nome real, somos levados até uma dessas visitas ao Loney.

[…] o Loney era um lugar perigoso. Uma porção indômita e inútil do litoral inglês. Uma foz de baía morta que enchia e vazava duas vezes por dia e fazia de Coldbarrow, um pedaço de terra deserto a um quilômetro e meio da costa, uma ilha. (p.13)

Diferente das outras vezes, essa foi a visita onde a rotina de rituais foi quebrada. Nesta, os personagens ainda estão aprendendo a conviver com o novo padre, Bernard, após a morte misteriosa do seu antecessor. Bem mais novo e revolucionário que o padre Wilfred, Bernard acaba sendo recebido com muitas barreiras e olhares duvidosos, principalmente pela Sra. Smith. Esta personagem é responsável pelas principais tensões existentes no romance. Não só sua obsessão pelo padre Wilfred e seus rituais insubstituíveis, mas também sua fé inabalável fazem com que sua relação com os filhos, companheiro e demais habitantes seja conturbada e turbulenta.

Ainda nessa linha de personagens turbulentos, a relação entre os irmãos Smith é algo que merece destaque. Esses dois são personagens bem antagônicos, mas que se completam por conta da cumplicidade fraterna existente entre eles. A representação religiosa (seja pelo padre Wildfred como pelo Bernard) também compõe a lista de personagens misteriosos desse romance minimalista e denso ao extremo. Como se isso já não fosse suficiente para a construção de um bom suspense, Andrew (o autor) inclui restos mortais de uma criança à trama, aumentando a tensão para níveis estratosféricos. Contudo, apesar da tensão e elementos de suspense, não espere um thriller.

Andrew Michael Hurley
Andrew Michael Hurley

Os acontecimentos, personagens, dramas e demais camadas dessa história são contadas num ritmo lento. Há quem venha a considerar esse livro bem lento dada a proposta, mas apesar dos acontecimentos serem apresentados paulatinamente, eles constroem uma tensão e acabam plantando uma sementinha de curiosidade, fazendo com que o leitor queira sempre ler mais. Este não é um livro para leitura rápida, pelo menos não funcionou assim para mim. Eu sentia necessidade de conhecer cada vez mais sobre Loney, mas simplesmente não conseguia seguir até ter digerido todas as informações, que são muitas. Se você acompanhou a Semana Loney deve ter percebido que além dos personagens complexos, o autor ainda aborda imposição religiosa e seus conflitos, apresentação de um local como personagem, além da utilização de uma série de outros elementos (folclóricos) para a construção do enredo e da atmosfera desse romance.

Eu seria capaz de falar horas e horas deste que foi, sem dúvida, um dos romances mais diferentes e intrigantes que li esse ano. A edição da Intrínseca está muito caprichada, o que já conquista um leitor logo pelas capas (hardcover e jacket). A fonte minúscula, que tanto reclamo, ainda permanece, mas não foi incômodo nenhum para a leitura.

No mais, fiquem atentos ao Andrew M. Hurley e leiam Loney. Boa leitura!!

Nota: 💚💚💚💚💚

Book Trailer

Ficha Técnica

Loney, de Andrew Michael Hurley

Clique para ampliar

Título: Loney
Título Original: The Loney
Autor(a): Andrew Michael Hurley
Tradução: Renato Marques de Oliveira
Editora: Intrínseca
Edição: 2016 (1ª)
Ano da obra / Copyright: 2014
Páginas: 304
Leia um trecho: AQUI
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