| Resenha | O Pintor de Memórias, de Gwendolyn Womack

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(Fonte)

Os quadros estavam pendurados no escuro como fantasmas. Eram numerosos demais para serem contados; não restava espaço algum nas paredes. Os olhos das telas pareciam vivos na escuridão, fitando os arredores como se imaginassem que tipo de bruxaria os havia transportado para aquele lugar.
Gwendolyn Womack, O Pintor de Memórias, pág. 09.

Recentemente tenho me aproximado de histórias protagonizadas por pintores, embora esses contatos tenham surgido de forma bem aleatória e inesperada. Quando digo isto, quero dizer que em uma semana assisti (pela primeira vez) A Garota Dinamarquesa (2015), Love Is the Devil: Study for a Portrait of Francis Bacon (1998) [péssimo, por sinal], li dois contos de um colega e adiantei boa parte da leitura de O Pintor de Memórias, do qual venho falar hoje. As poucas informações que possuía sobre esse romance é que se tratava da vida de um pintor, Bryan Pierce, cujos trabalhos deslumbram o mundo e que existe um segredo por trás do seu sucesso: cada tela é inspirada em um sonho excepcionalmente vívido. Lembro que quando escolhia esse livro nas news da editora me atentei para outros detalhes, mas apenas essas informações citadas permaneceram na minha mente quando iniciei a leitura.

O sucesso para uma leitura prazerosa e cheia de surpresas se deu exatamente por não tem me atentado para a sinopse. Não sei se é proposital, mas tenho percebido que algumas editoras têm dado informações demais nas sinopses dos seus lançamentos, o que pode acabar prejudicando a surpresa da leitura para alguns. Na dúvida, leia superficialmente (ou pela metade) a sinopse, ou apenas não leia. É uma decisão bem pessoal. Outro detalhe sobre essa leitura é que conhecer Bryan Pierce me fez rememorar um pouco a leitura de O Pintassilgo, de Donna Tartt, o que também é algo positivo para um romance de estreia. Mas o que fez de O Pintor de Memórias uma leitura prazerosa e instigante (com ressalvas)? Tentarei apresentar aqui, mas sem spoiller.

(Fonte)

Como mencionado, o leitor acompanhará a história do exímio pintor Bryan Pierce, cujo talento é diretamente influenciado por seus sonhos (estranhos/reveladores). Isto é, sempre que o pintor tem algum insight, essas imagens se transformam em obras de arte. Somado a essas “visões”, Pierce parece falar vários idiomas, inclusive alguns bem antigos. Apesar de já estar adulto e acostumado com essas situações, o artista possui um histórico bem conturbado de tratamentos psiquiátricos (em especial voltados para estudos relacionados ao sono), mas nada parece adiantar. Até que aparece Linz Jacobs, uma neurogeneticista que trabalha em decifrar os genes que ajudam o cérebro humano a criar memórias.

Este encontro, aparentemente por acaso, é o start dessa história. Linz possui uma série de segredos, medos e dúvidas quanto ao seu passado, em especial relacionados à sua infância e sua relação (se pudermos chamar assim) com sua mãe. Essa mulher, curadora do Museu de Belas-Artes, morreu quando Linz tinha apenas 8 meses. Assim, a jovem tem como hábito visitar as exposições como uma forma de manter essa relação sempre próxima. Até que um dia ela se depara com uma pintura que traduz exatamente o único pesadelo que a atormentou durante toda sua infância. Assim, como já é de se esperar, ela tenta encontrar o responsável pela criação da obra. Esta informação e quem é o pintor estão bem claras (pelo menos assim espero, rs).

Egito (O Pontor de Memórias).jpg
(Fonte)

Narrada em primeira pessoa, a história intercala os pontos de vista do pintor e de Linz com relatos de uma pesquisa sobre Alzheimer (de vinte anos antes) e as memórias de Pierce, que são as melhores partes do livro. Essa alteração de narrador e, consequentemente, de perspectiva faz com que a leitura flua bem e que a mesma se torne prazerosa e intensa. Rica em detalhes, a autora constrói uma trama bem ambiciosa e conquista o leitor logo de cara. No entanto, alguns aspectos (em especial no final) deixaram um pouco a desejar. Ou seria prelúdio para uma continuação? Espero que não.

Como mencionado no início do texto, esse tema (pintores, pinturas e seus mistérios) sempre atraem minha atenção, tanto que o mesmo também já apareceu em outras histórias incríveis mencionadas anteriormente aqui, como é o caso de Uma Vida Pequena, de Hanya Yanagihara, O Pintor de Letreiros, de R. K. Narayan, Pipe Dreams: Sair de Golconda, de CD Vallada e O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde. Além desses mistérios envolvendo artistas, temas como transtornos psicológicos e mentais, traumas familiares, vidas passadas e (porque não) o amor também são muito bem explorados nesse livro.

Apesar de ter achado o final um tanto quanto inesperado, essa é uma leitura que vale a pena ser compartilhada. Assim, não deixem de comentar suas impressões sobre este ou qualquer outro semelhante aqui em baixo. Boas leituras!

Nota: 💚💚💚💚💛

Book Trailer

Ficha Técnica

O Pintor de Memórias, de Gwendolyn Womack
Clique para ampliar

Título: O Pintor de Memórias
Título Original: The Memory Painter
Autor(a): Gwendolyn Womack
Tradução: Ronaldo Sergio de Biasi
Editora: Record
Edição: 2016 (1ª)
Ano da obra / Copyright: 2015
Páginas: 378
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