Realidades que poderiam ter sido apenas um “1º de Abril”

Piníquio.jpg
Fonte: AQUI

Olá queridas/os, tudo bem com vocês?

Estávamos em inatividade nos últimos meses por conta de uma série de fatores pessoais e profissionais, o que acaba por consumir quase todo o nosso tempo. Contudo, o desejo de voltar a alimentar o blog (e tudo que conseguimos movimentar através dele) sempre esteve pendente. Apesar de ainda permanecermos cheios de compromissos, decidimos voltar às postagens, mesmo que a passos lentos, para que nosso vínculo com vocês não se perca. Para isso, decidi indicar quatro histórias reais e/ou baseadas/inspiradas em fatos reais que desejamos muito que tivessem sido apenas uma pegadinha de 1º de Abril (ou nem mesmo isso). Só a título de sugestão: em 2015, eu fiz um post semelhante sobre 10 Livros para Ler no Dia da Mentira (1º de Abri), que pode ser encontrado AQUI.

As indicações foram organizadas de forma cronológica como forma de observar a influência do tempo no desenvolvimento do ser humano. Claro que não explicarei nada disso ao longo do post, esta foi apenas uma decisão didática (o que para mim fez muito sentido, risos). Sem mais, vamos às sugestões:

1. O Pianista, de Wladyslaw Szpilman

Este romance autobiográfico apresenta as memórias do autor (também enquanto personagem) sobre sua vida e a de seus parentes no Gueto de Varsóvia, durante a Segunda Guerra Mundial. De forma bem crua e envolvente, o autor nos apresenta todas as suas lutas e dificuldades para sobreviver a tanta atrocidade e violência. Apesar de densa, é uma leitura bem fluida e instigante. Para os amantes de cinema, este romance ganhou uma adaptação cinematográfica em 2002, dirigida por Roman Polanski.

Resenha: AQUI

O Pianista (Filme, 2002).jpg

2. O Quinze, de Rachel de Queiroz

Trazendo a discussão para o Brasil, a segunda indicação vem apresentar a seca no nordeste, mais especificamente no Ceará, no ano de 1915. Apesar de existirem uma vasta literatura envolvendo esta temática, a escolha dO Quinze é justificada por ter sido escrita por alguém que realmente vivenciou esta realidade e por “esse alguém” ser uma jovem mulher no ínicio do século XX. Com uma escrita de profissional, Rachel encanta e espanta seus leitores logo no seu romance de estreia, tornando-se uma das escritoras mais renomadas e homenageadas da literatura cearense e, quisá, nacional.

Resenha: AQUI

O Quinze, por Shiko (HQ)

3. K., de Bernardo Kucinski

Décadas a seguir, uma crise política se inflama no Brasil e a Ditadura Militar se instala de forma declarada. Diferente das primeiras guerras, a atual situação não persegue um grupo específico (judeus, negros, poloneses, etc.), mas qualquer um que pense diferente do atual governo. Além disso, essas perseguições se apresentam cada vez mais violentas e inquiestionáveis. Muitos mortos. Muitos desaparecidos sem deixar rastro. E é nessa realidade que conhecemos K., um romance que se propõe a questionar esses desaparecimentos através da busca de um pai por sua filha. Esse relato, apesar de ser declaradamente ficcional, o autor confirma que teve o desaparecimento da irmã e a incessante busca do pai como base para sua escrita.

Resenha: Livro de Contos Você vai voltar pra mim e outros contos, do mesmo autor AQUI.

Charge (Ditadura Militar)
Charge assinada por Latuff

4. Esta Terra Selvagem, de Isabel Moustakas

Esta última indicação é a que mais me dói recomendar, uma vez que ela tem como argumento não uma mas várias histórias que vêm se repetindo na nossa sociedade atual. Diferente das anteriores, cujo delineamento histórico por mais doloroso que fosse ainda se encontravam no passado, a violência urbana abordada nesse livro está cada dia mais próxima da nossa realidade. Agressões, vandalismos, perseguições motivadas por variadas questões, tudo isso sustentado no argumento de que “ser diferente é feio, é errado e merece ser ‘exterminado'”. Esse romance, mesmo inteiramente ficcional, ainda consegue ser o mais real e perturbador dessa lista. Assim, se você tiver estômago, esta é uma excelente oportunidade para conhecer o ser humano como ele realmente é.

Resenha: AQUI

Essa terra selvagem


Espero não ter assustado vocês com essas indicações e, consequentemente, com a imagem de ser humano que criamos após lê-las. Mas desejo de coração que dêem uma chance a eles para que, com o desenvolvimento da nossa criticidade consigamos melhorar esse mundo que nos rodeia. Boa leitura para todas/os e lembrem-se mentir não é legal nem num dia como hoje. Beijos e abraços literários!!

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2 comentários

  1. AAAAAAAAAAAAAAAAAAAA VOLTARAM ❤ QUE ALEGRIA!
    Eu adorei a postagem, e ao longo da leitura me senti angustiado com as indicações por suas temáticas, e principalmente por ter sido histórias reais. Das obras, tenho muita vontade de ler O Quinze e toda a obra da Rachel de Queiroz. K também parece ser muito bacana.

    Abraços

    Curtir

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