| Resenha | Star Trek: Portal do Tempo, de A. C. Crispin

Star Trek Portal do Tempo (capa aberta)

Acho que Star Trek foi a primeira série de TV de ficção científica à qual tive acesso, durante minha infância e adolescência. Era uma série que me chamava a atenção, mas que eu nunca conseguia assistir de forma organizada, sempre pegava a exibição de episódios ou filmes aleatórios. Mas só por ser uma série ambientada no espaço, já era motivo suficiente para ficar um tempinho assistindo sempre que eu via sendo exibida. Ao lado de Star Trek, tinha também Perdidos no Espaço, outra franquia que me encantava muito naquela época. Depois de anos apenas consumindo o que já havia sido produzido, foi anunciada uma trilogia de novos filmes que estrearia em 2009, produzida sob o crivo de J. J. Abrams. Eu finalmente poderia acompanhar de perto uma produção da franquia. Os filmes são de qualidade discutível por muitos fãs (eu particularmente adoro), no entanto, Star Trek possui uma liberdade muito grande de adaptação, coisa que não acontece em Star Wars, por exemplo.

Eu digo isso, porque para entender melhor o contexto desse livro, Portal do Tempo, é preciso voltar um pouco para os eventos que sucedem a série original. Star Trek: The Original Series corresponde às três primeiras temporadas da franquia, exibidas entre 1966 e 1969. Esse livro, assinado por A. C. Crispin, se passa algum tempo depois. Isso porque ao longo da narrativa, a autora faz referência a vários eventos e episódios das três temporadas originais, o que leva a crer que seja possível situar a trama nesse período. Crispin se baseou especialmente no penúltimo episódio da terceira temporada da série, All Our Yesterdays. Nesse episódio, Kirk, Spock e o Dr. McCoy ficam presos num passado glacial no planeta Sarpeidon. Durante uma missão para salvar a população desse planeta de ser dizimada pela explosão de uma supernova, eles acabam voltando a um passado muito distante desse planeta, através de uma máquina do tempo.

Star Trek
Guardião da Eternidade, S01E28: The City on the Edge of Forever

Durante essa aventura, Spock acaba conhecendo Zarabeth, uma professora do planeta ameaçado que havia sido condenada a viver em exílio em um período do passado de seu próprio planeta. E é nesse período glacial que o trio da Enterprise se depara com ela. Afetado pela viagem no tempo, Spock perde a sua frieza vulcana e os instintos primitivos de seu povo afloram nele. Assim, ele acaba se envolvendo sexualmente com Zarabeth. No tempo presente, em que se situa a trama do livro, Spock recebe um relatório sobre o passado de Sarpeidon que o faz acreditar que Zarabeth possa ter tido um filho dele em consequência do que aconteceu entre eles. Sabendo disso, Spock resolve sair em missão para salvar a vida de seu filho, que pode estar preso num mundo em plena era do gelo. Novamente, ele recebe ajuda dos amigos, Kirk e McCoy, mas dessa vez a viagem é feita através de um portal chamado Guardião da Eternidade. Esse portal, pelo poder que possui, é um artefato secreto sob proteção da Federação. O Guardião foi introduzido ao universo de Star Trek no penúltimo episódio da primeira temporada da série, The City on the Edge of Forever.

No entanto, a missão para resgatar o filho de Spock, além de encontrar problemas burocráticos, não sai como o esperado. Ao invés de voltarem para um período que segue o nascimento do bebê, eles encontram um jovem de aproximadamente 25 anos. Capaz de falar e cuidar de si mesmo nesse mundo gelado, muito embora tenha uma aparência e um aspecto físico de alguém fraco e que tem sofrido as agruras do frio. O rapaz chamado Zar é levado para a Enterprise enquanto Spock cuida dos trâmites para que ele seja integrado à sociedade e possa viver uma vida normal, mas não será tão fácil. A imagem que Zar tem do seu pai é baseada no que sua mãe dizia, sobre um amor vivaz e fervoroso que culminou no nascimento dele. Ele não conhece a personalidade tipicamente fria e racional dos vulcanos, assim o relacionamento de Zar e Spock não segue da maneira que o garoto esperava. E é essa a base do romance.

Spock e Zarabeth
Spock não quer abandonar Zarabeth (S03E23: All Our Yesterdays)

Mas não para por aí. Seria simples demais. Ao passo que esse drama entre pai e filho se desenvolve, um grupo de romulanos se aproxima da área onde a Federação mantém a existência do Guardião da Eternidade em segredo e é tarefa da Enterprise proteger esse segredo. Tanto que são poucos os tripulantes da nave que sabem sobre a real natureza desse objeto sob proteção máxima. Assim, uma nova missão surge inesperadamente e Zar se vê obrigado a permanecer na nave e acaba convivendo com muitos dos tripulantes tão bem conhecidos: Uhura, Sulu, Chekov e todos os outros. Ninguém sabe sobre a origem de Zar, com exceção de Spock, Kirk, McCoy e dele próprio. Os demais tripulantes acreditam ser apenas um vulcano comum, embora a semelhança com Spock seja notória. E isso é o que posso falar sobre a trama. E acredite, esse é apenas o gatilho inicial para que a ação de desenvolva. A partir daí é preciso ler para descobrir o que acontece, e vão por mim, o final é incrível e emocionante. Não posso negar que entraram alguns ciscos nos meus olhos ao longo dos últimos capítulos.

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Eu terminando a leitura…

Eu poderia falar bem mais sobre a trama em si, ou sobre a qualidade da narrativa criada por Crispin. Mas vou poupá-los e deixar que a surpresa faça com que a leitura se torne ainda mais interessante. Contudo, não posso deixar de pontuar sobre o personagem Zar, filho do Spock. Sem sombra de dúvidas, o Spock é meu personagem favorito de Star Trek e um dos meus personagens favoritos da vida, mas não posso negar que em muitos momentos do livro me vi gostando mais de Zar do que do próprio Spock. Para mim o Spock é tipo aquele amigo grosso e chato que ninguém consegue odiar, mas Zar é aquele tipo simpático e esperto que todo mundo ama e quer estar por perto, é difícil não se apaixonar fácil por ele, rs.

Se você tem dúvidas sobre uma possível ordem de leitura, não se preocupe, você pode ler em qualquer ordem, basta saber o básico da franquia para poder situar o contexto e o período cronológico em que se passa a trama. Se você for um leitor pragmático, vou avisando que Star Trek é um pouquinho mais confuso de se situar do que Star Wars. Então, sem neuras, vai na fé e aproveita a leitura, dá pra ler e se divertir sem ter assistido à série original. Todas as referências estão pontuadas em notas de rodapé, caso queira conferir depois os episódios originais. Esse livro foi o primeiro título de Star Trek publicado pela Aleph, em 1992, por isso foi escolhido como o título que marcaria o retorno dos livros da franquia ao mercado editorial brasileiro. Além disso, a CBS anunciou uma nova série de Star Trek para o ano que vem, então fiquem ligados. E se você gostou/gostar da narrativa de Crispin (e aposto que isso é certo), pode aproveitar para ler também a trilogia sobre o personagem Han Solo, de Star Wars, que está sendo lançada agora também pela Aleph e é também de autoria de A. C. Crispin. Leiam e me contem o que acharam. 😉

Nota: 💚💚💚💚💛

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Vida longa e próspera!

Teaser Trailer da nova série de Star Trek

Ficha Técnica

9788576572640
Clique para ampliar

Título: Star Trek: Portal do Tempo
Título Original: Star Trek: Yesterday’s Son
Autor(a): A. C. Crispin
Tradução: Norberto de Paula Lima
Editora: Aleph
Edição: 2016 (2ª)
Ano da obra / Copyright: 1983
Páginas: 248
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