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O Meu Pé de Laranja Lima 04/02/2010

É mais freqüente que os novos leitores (principalmente os jovens) busquem autores recentes, que estão fazendo certo sucesso mundial com best-sellers, que na maioria das vezes não passam de produtos comerciais. Mas destaco aqui a importância de se conhecer autores que de certa forma são considerados clássicos, seja ele nacional ou não. José Mauro de Vasconcelos é uma boa pedida para quem gosta de dramas intensos e juvenis. Em seu conhecidíssimo O Meu Pé de Laranja Lima, Mauro nos remete a uma história singela e emocionante que é tão fácil de ler quanto difícil de esquecer.

No início do livro somos apresentados a Zezé um garoto simpático e danado, que vive com sua família de tão pouca condição financeira. O menino de apenas cinco anos vive inserido em um ambiente familiar tenso, típico e de certo modo totalmente verossímil. Não sendo o filho único suas emoções são intensificadas pelos problemas familiares: o pai desempregado, a mãe com um emprego de baixa remuneração (é quem trás a comida pra casa) e cinco filhos pra alimentar (incluindo Zezé). Zezé sofre com tudo isso, sonha em ser rico, é obrigado a trabalhar como engraxate caso queira algum centavo e ainda leva uma (ou mais) surra diária, por suas danações e às vezes por puro estresse dos pais. Isso o deixa indignado e o faz buscar um refúgio externo, e quando a família é obrigada a se mudar, ele encontra na nova casa um pé de Laranja Lima.

Zezé é um menino fantasioso, que busca se refugiar da triste realidade imaginando um mundo mágico assim como Dom Quixote fazia. O galinheiro vira jardim zoológico, o pomar vira a floresta amazônica e assim vai. Os animais e plantas passam a ser seus amigos, como o morcego e o mais precioso de todos os amigos, o pé de Laranja Lima. Minguinho é o nome de sua preciosa árvore, com quem dialoga e narra suas aventuras. Mas é em meio a tantas surras e decepções que Zezé conhece o Portuga, que com o tempo se revela seu melhor amigo e, porque não dizer, seu verdadeiro pai, amoroso, atencioso e prestativo. O que chama atenção nessa obra de José Mauro é dramaticidade. O fato de conter fantasia nos remete a sensação de felicidade, mas o livro é bastante triste e pode até arrancar muitas lágrimas dos mais sentimentais.

O livro foi escrito em 1968, e de lá para cá já ganhou várias adaptações que incluem peça de teatro, um filme (de 1970 dirigido por Aurélio Teixeira), três telenovelas, a primeira em 1970, exibida pela Rede Tupi, a segunda em 1980 e a mais recente de 1998 pela Rede Bandeirantes, e até quadrinhos (na Coréia, em 2003). Foi também traduzido para 32 línguas e publicado em 19 países. Além desse livro maravilhoso, José Mauro escreveu outros excelentes, entre eles pode-se citar Vamos Aquecer o Sol.

O livro tem um caráter psicológico muito valioso onde nos faz refletir a situação de famílias que atualmente ainda passam pelos mesmos dilemas da família de Zezé. É possível identificar elementos regionalistas e até mesmo práticas culturais, que quem possui mais de vinte anos facilmente se identificará por ter participado de algumas delas. Apesar de toda a fantasia que permeia a mente do protagonista, a realidade que ele vive é tão real como a minha e a sua vida, a explicação para tal verossimilhança é que o autor usou de suas memórias de criança para traça a personalidade de Zezé e com isso sua triste história.

Download:

O Meu Pé de Laranja Lima – José Mauro de Vasconcelos

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Garota Infernal (Jennifer’s Body, 2009) 03/02/2010

Todos sabem que não há um fator específico de repercussão de filmes. Às vezes ele faz sucesso pelo diretor, atores, roteiro enfim, é um ou outro ou todos juntos. Outros inexplicavelmente atingem uma grande aceitação do público que o assiste. Talvez esse não seja o caso de Garota Infernal, mas chega perto. Os comentários de quem o assistem na maioria das vezes são animadores, mas quando se assiste de fato chega-se a conclusão de que o filme não é “essa Coca-cola toda”.

Trata-se de um thriller com certo suspense e uma boa dose de comédia. O filme é dirigido por Karyn Kusama e o roteiro tem assinatura de Diablo Cody (vencedora do Oscar de melhor roteiro original por Juno). No elenco temos a idolatrada por sua beleza americana, Megan Fox que não há muito tempo contracenou com Shia LaBeouf em Transformers. Novamente há que se comentar a mudança brusca no sentido do nome original para o título recebido aqui no Brasil, certo de que o título brasileiro é bem mais chamativo, no entanto um ou outro se encaixam bem no que vemos no filme.

O filme começa com cenas do final que não modificam nem afeta em nada o entendimento do restante da história. Em seguida somos transportados ao início onde temos as amigas Jennifer e Needy (Amanda Seyfried) que ao irem assistir um show da banda Low Shoulder, são pegas de surpresa por um incêndio. Quando Jennifer resolve sair com os garotos da banda, sua vida se modifica e eis que surge a tal garota infernal, resultante de um sacrifício de um ritual satânico mal sucedido. Jennifer passa a ter fome de humanos e começa a atacar garotos para se satisfazer. Mas para isso terá de enfrentar a amizade de Needy, que enlouquece ao saber que Jennifer está afim de comer (literalmente) seu namorado, Chip (Johnny Simmons).

As atuações do filme não são das melhores e a maioria dos atores nem são tão bons assim. Os efeitos especiais e visuais são bem fraquinhos também e se assemelham aos utilizados em séries de TV, que dispõe de pouco orçamento para esses recursos. Um exemplo nítido é o liquido preto (bem artificial) que Jennifer vomita na cozinha de Needy após o ritual. A fotografia do filme é bonita, e parte dela se deve a beleza escultural de Megan.

O maior destaque do filme é a trilha sonora que ele recebeu, e que acabou tornando o tão pop. A trilha é composta por músicas pop e Indie rock, com direito até a música exclusiva da banda Indie, que a um bom tempo não lançava nada e que ano passado resolve se dividir, Panic At The Disco com a música New Perspective, que resultou em um videoclipe com cenas do filme.

Em suma é um filme legal, que pode agradar a muita gente, mas não é nem de longe o melhor filme do gênero do ano de 2009. Se a história é boa, os recursos para contá-la não foram bem aproveitados. Mas fica a dica para os que curtem filmes com trilha sonora pop com bandas novas no cenário musical.

Download da Trilha Sonora:

Faixas:
1. Florence and the Machine – Kiss With a Fist
2. Panic At the Disco – New Perspective
3. Hayley Williams – Teenagers
4. Little Boots – New In Town
5. Dashboard Confessional – Finishing School
6. Low Shoulder – Through The Trees
7. Cute Is What We Aim For – Time
8. Screeching Weasel – I Can See Clearly
9. Cobra Starship – Chew Me Up
10. All Time Low – Toxic Valentine
11. Black Kids – I’m Not Gonna Teach Your Boyfriend
12. White Lies – Death
13. The Sword – Celestial Crown
14. Silversun Pickups – Little Lover’s So Polite
15. Lissy Trullie – Ready For The Floor

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Trailer:

 

O Menino do Pijama Listrado 02/02/2010

Arquivado em: Literatura — ademarjr @ 3:20 PM
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- Heil Hitler
Bruno

É possível dizer que a maioria dos temas abordados nos livros já estão batidos demais? Talvez alguns digam que sim, mas eu digo que depende de como é feita essa abordagem! Em O Menino do Pijama Listrado (The Boy in the Striped Pyjamas: a fable, 2006) do irlandês John Boyne, vemos um livro aparentemente infantil (talvez pelo título e pelo tamanho) que trata da vida de um menino (mais precisamente de uma família) no período nazista. Depois de O Diário de Anne Frank quem conseguiu sucesso com o tema foi Markus Zusak com seu A Menina que Roubava Livros e agora chega Boyne, com seu tão bem recebido livro (que não é o primeiro).

O protagonista, Bruno, tem apenas nove anos, mas já é colocado diante de situações em que precisa amadurecer precocemente. Seu pai trabalha para o Füher nomeação que é traduzida ironicamente pelo próprio Bruno como O Fúria. A paz é quebrada quando seu pai é transferido para um campo de concentração dos prisioneiros de guerra na Polônia. Lá Bruno se ver diante de uma realidade nua, dura e crua, antes desconhecida por ele em seu lar alemão. Em meio a tanto sofrimento, que para Bruno não tem explicação, ele acaba se deparando com um dos meninos prisioneiros, Shmuel: o menino do pijama listrado (que nada mais é que a roupa da prisão, aquelas bem clichês que vemos nos desenhos animados). Com o tempo esses dois meninos desenvolvem uma amizade significativa onde um expõe sua realidade ao outro, e juntos caminham para um final inesperado.

É impressionante como o livro é construído de forma ingênua, se é que é possível dizer assim. A ingenuidade de Bruno está impregnada nas páginas do livro. A repressão familiar e o clima tenso do ambiente em que passam a viver contribuem bastante para classificarmos essa como uma história muito triste. O final surpreende bastante, com exceção daqueles que já viram a adaptação cinematográfica de 2008, do diretor Mark Herman.

John Boyne conseguiu agradar ao público brasileiro com esse sucesso e já tem outro título lançado por aqui: O Menino do Convés. Se a fórmula desse for a mesma do anterior pode-se esperar algo agradável. Um dos pontos que mais agradam em O Menino do Pijama Listrado é a simplicidade do livro, que pode ser lido em poucas horas. Os personagens continuam vivos um bom tempo em nossas reflexões e isso é um ponto positivo para o autor. O livro até tem algumas negatividades, mas pode ser facilmente descartadas, e a brevidade da história é facilmente justificada pelo título original: uma fábula!

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O Menino do Pijama Listrado – John Boyne

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O Pequeno Príncipe 01/02/2010

O que define os limites de um livro entre infantil e adulto? Alguns são nitidamente definidos, outros se mesclam de tal forma que não há como classificar como um ou outro, e sim de forma geral, como um livro para todos. Esse é com certeza o caso de O Pequeno Príncipe (Le Petit Prince) do francês Antoine de Saint-Exupéry.

Trata-se de um best-seller mundial que encanta as pessoas há algum tempo já. O livro foi escrito durante o exílio do autor nos Estados Unidos no ano de 1943, ganhando sua primeira edição francesa apenas em 1945. Nesses anos de existência a história do Principezinho já ganhou várias versões, de filme, livros e desenho animado. No Brasil há pouco tempo ganhamos uma edição melhorada com as ilustrações originais em aquarela feitas pelo próprio autor. Na edição anterior os traços originais havia se perdido com as excessivas reimpressões.

A narração em primeira pessoa trás ao texto uma sensação de realidade que se funde indefinidamente com a fantasia. Nesse período conturbado de sua vida Antoine trás a tona de forma sadia e disfarçada as mazelas sociais que deviam ser de uma forma e são de outra. Em poucas páginas ele critica e nos exorta a sermos serem humanos mais humanos. Aborda vários aspectos de nossa vida, desde o material até o sentimental e ainda nos faz refletir sobre o que somos e qual nosso propósito, há também uma dose muito grande de ingenuidade. É possível ser ingênuo no mundo em que vivemos? E se vivêssemos sozinhos longe de qualquer pessoa, em um planeta minúsculo apenas com uma rosa como companhia?

O valor das coisas também é colocado em questão. Aquilo que achamos que é exclusivamente nosso existe aos milhares, mas mesmo assim o nosso é sempre o mais especial: uma verdade tão bem exposta no livro. Até relações humanas, onde o caráter da pessoa determina onde o primeiro contato vai chegar. Cativar. Somos nós que cativamos ou os outros que nos cativam? Se não for por ambos não há relação. O livro por inteiro é um bocado de filosofia que nos permite pensar sobre nossas ações e maneira de ver as coisas, é possível ainda questionar a vida como um todo, estando nós incluído nela ou não.

A concepção de eternidade e de existência não material é outra abordagem. Quando o principezinho volta pra casa e o narrador o ver todos os dias nas estrelas é uma forma de expressar isso. É ainda uma forma de se trabalhar a morte com as crianças? Os tanatólogos que respondam essa. Entretanto é possível atribuir inúmeros significados as todas as palavras de Antoine de Saint-Exupéry. E como dito a principio é impossível visualizar exclusividade de tema e abordagem desse livro, cada um se identificará de uma forma particular.

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O Pequeno Príncipe – Antoine de Saint-Exupéry

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A Árvore que Dava Dinheiro 11/01/2010

A literatura brasileira apesar de não ser devidamente valorizada, principalmente pelos brasileiros, oculta obras-primas que poderiam facilmente se igualar a clássicos universais. Na literatura infanto-juvenil não se ver tantos nomes famosos como na literatura infantil e/ou tradicional. O paranaense Domingos Pellegrini pode ser considerando um excelente autor infanto-juvenil, sua obra prima A Árvore que Dava Dinheiro além do título curioso e chamativo, também possui um conteúdo impar.

Trata-se de uma novela, que se passa em uma cidade fictícia chama Felicidade (ironia?). Os habitantes de Felicidade são interrompidos de suas pacatas vidinhas para se depararem com um fenômeno que mudará para sempre suas vidas. Nasce na praça da cidade uma árvore, mas não qualquer árvore, essa ao invés de frutos dá dinheiro. Um alvoroço se instala por entre as ruas da cidade e começa desesperar os felicenses, atraindo até a imprensa.

Domingos Pellegrini usa de um tema tão polêmico para nos fazer ver o quão desastroso poderia ser tal fato. Com o surgimento da árvore a ganância dos habitantes de Felicidade é aguçada, eles nunca se contentam com o muito que têm. E mesmo após aprenderem a lição de que dinheiro demais de nada vale, eles caem novamente na graça desse fator que parece mover a sociedade atual.

Essa obra é excelente para diversas reflexões financeiras. Coisas como a inflação, o comércio e a desigualdade social são vistas sob um novo ângulo e nos leva não apenas para o reflexivo, mas também para a realidade e prática social. Pode-se inferir que a desigualdade social é causada não apenas pela má distribuição, mas também pela ganância humana. Os habitantes de Felicidade dispunham de árvores para todos, mas o que delimitava os mais ricos era a ganância dos mesmos por recolher mais dinheiro, o quanto pudessem e não pudessem.

Um livro adulto disfarçado de infanto-juvenil. Uma lição financeira e mais, um estudo minucioso da condição humana atual, que se move utilizando dinheiro como combustível. Apesar de o livro ter sido escrito em 1981 ele reflete bem o que vivemos hoje, o que lhe compete um caráter atemporal, e ao mesmo tempo histórico no que trás de volta o princípio econômico da sociedade: a troca.

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A Árvore Que Dava Dinheiro – Domingos Pellegrini

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A Linguagem Secreta do Cinema 04/01/2010

O Cinema é uma das formas de arte que mais encanta as pessoas. A magia do cinema é capaz de fazer mudanças nas pessoas e até mesmo num nível social maior. Estudos cinematográficos nos permitem observar com outros olhos essa magia. O livro A Linguagem Secreta do Cinema (The Secret Language of Film, 1994) do cineasta e roteirista Jean-Claude Carrière é perfeito para isso.

O autor começa fazendo um demonstrativo da evolução da linguagem cinematográfica e da forma de fazer cinema, indo desde o cinema mudo até o cinema tecnológico atual. Em seguida ele aborda a questão da fuga da realidade ou da chamada realidade disfarçada, para isso usa como exemplo um programa brasileiro com mulheres fantasiadas de soldadinhos de chumbo e cheio crianças sorridentes que ao final do programa voltam a sua vidinha nem tão sorridente assim. Reforça o poder que o cinema exerce sobre as pessoas e faz uma crítica à televisão, por sua limitação e alienação de não-realidade ou talvez uma realidade criada e porque não adaptada.

Compara-o também com o teatro, que por sua vez é incapaz de criar uma realidade, ele cita como argumento o exemplo de um ator, que morto durante a peça se levanta para ser aplaudido no final, impossibilitando assim a clássica sensação de compaixão e persuasão da história. O tempo aparece também como fator crucial na criação cinematográfica. O autor nos mostra como o tempo manipula o cinema e como é manipulado por ele, sendo esse o caso mais notório. Segundo o autor “toda forma de expressão é contemporânea”, justificando que não melhoria no cinema apenas uma mudança na forma de fazê-lo, os antigos não filmes para as pessoas futuras vêem, nem nós fazemos para nossos sucessores, e sim para nossos contemporâneos.

Logo após entra o roteiro como a essência dos filmes. O autor sendo um experiente roteirista retrata o processo de criação e recriação que faz da sétima arte uma fonte inesgotável de historias, que às vezes se assemelham, mas nunca se repetem. Note o capítulo “Aparas” que em analogia às cenas filmadas que muitas vezes não entram no filme, o autor nos presenteia com os restos de seu texto, as partes escritas que não entraram para o corpo principal do texto.

No último capítulo ele tenta demarcar o futuro do cinema, que pode ser comprovado pela forma como o estamos vivendo hoje. Além disso, mostra também o poder de influência que o cinema exerce sobre nós. É um livro excelente para os curiosos do cinema, e se destina não apenas aos cinéfilos, mas também aos leigos, pois estes passarão a ver os filmes sob um novo ângulo.

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Atividade Paranormal (Paranormal Activity, 2007) 03/01/2010

Filmes de terror têm a fama de agradar a maior parte dos fãs de cinema, talvez por isso existam tantos filmes que tentam a todo custo causar uma sensação de aversão em quem assiste. Para tal feito é necessário que os filmes inovem, pois os cinéfilos acabam se saturando de elementos fílmicos que acabam virando clichês. Atividade Paranormal é um exemplo peculiar de tudo isso, um filme rodado com apenas $ 15 mil (bem menos que o recente nacional sobre o nosso presidente, Lula – O Filho do Brasil) conseguiu atingir uma das maiores bilheterias do gênero de todos os tempos.

Trata-se da estréia do israelense Oren Peli como diretor e roteirista. Rodado em 2007 o filme é baseado nas experiências pessoais do autor que passou a ouvir barulhos estranhos quando se mudou para uma casa nova. O visual nos remete à Bruxa de Blair, dos americanos Daniel Myrick e Eduardo Sánchez (esse nascido em Cuba). No elenco temos os também iniciantes, Micah Sloat e Katie Featherstone, que interpretam um casal homônimo que presenciam como sugere o título, atividades paranormais em sua casa. A jovem Katie sofre de uma perturbação, talvez demoníaca, que lhe persegue desde a infância. Para quem não suporta mais o clichê de casas mal-assombradas, pessoas mal-assombradas pode ser considerado inovação, não adianta fugir em um caso desses. As atividades são leves no início, mas Micah decide provar o poder da entidade, e assim chegamos ao clímax.

O filme possui um ar realista, e há vários fatores para isso, que vai desde os nomes dos atores serem os mesmos dos personagens, até o formato que tem como proposta um vídeo caseiro, filmado com uma câmera única e manipulada pelos próprios atores. Há também as legendas iniciais e finais que agradecem à polícia (fictícia) pelas imagens encontradas, isso gera a sensação de que tudo aconteceu de verdade, uma jogada certeira por parte de Peli.

Devo dizer também que o filme possui dois finais distintos, para quem baixou o filme pra ver em casa recomendo que vá ao cinema e veja o final melhorado, a versão do cinema é de longe muito melhor que a circulante nos sites de downloads. O filme pode até decepcionar, mas isso se deve ao alvoroço causado pelo público, alguns vão assisti-lo em buscar de cenas fortes do começo ao fim, mas não é bem isso o que vemos, e falando nesses termos o filme é até leve demais. O clímax maior está no final que faz que com que toda a inação do início tenha sentido.

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A Sétima Torre Vol. 04: Acima do Véu 02/01/2010

Arquivado em: Literatura — ademarjr @ 9:36 PM
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Pode-se dizer que a literatura infanto-juvenil é uma das que mais cresce ultimamente, é notável a crescente quantidade de livros para esse público que ocupam as prateleiras das livrarias. O australiano Garth Nix tem contribuído muito para a leitura desse público. Sua série mais notável, A Sétima Torre, é composta por seis livros sobre um mundo mágico onde seu protagonista, um menino chamado Tal, têm que lidar com as regras do seu povo e ainda assim enfrentar a corrupção e mistérios que assolam seu mundo.

Em Acima do Véu (Above The Veil, 2002), o quarto da série, Tal e sua companheira Milla percorrem o Castelo em buscas de respostas sobre os mistérios envolvendo os líderes das sete torres do castelo. Ajudados pelo tio-avô de Tal, Ebbit e pelo novo personagem, Corvo eles partem: Tal para uma das Torres e Milla para seu povo, os habitantes do gelo fora do castelo. Milla que entra em cena no segundo livro é agora posta sobre o impasse de ajudar Tal seu amigo ou ajudar seu povo, ela sai de cena para criar o chamariz do próximo volume: voltará como amiga ou inimiga?

Os livros de Garth Nix são simples e com uma linguagem bem acessível ao público que se destina. Os livros da série são contínuos e não apresenta desfecho em cada volume, apenas um impasse para que instigue o leitor a ler o próximo volume. Acima do Véu é precedido pelos volumes A Queda, O Castelo e Aenir, que nos apresentam ao fantástico mundo escuro onde vivem o povo do Castelo, com sua hierarquia de cores. Notam-se muitas influências nos livros, mas o autor mesmo assim consegue criar uma fantasia única que permite ao leitor viajar num mundo colorido a partir de sua descrição.

Para os fãs de literatura fantástica A Sétima Torre é um prato cheio. Pode ser considerado muito infantil, mas há muitas analogias e metáforas, que para os mais atentos servirá de reflexão sobre nosso próprio sistema social. Recomendo-o a crianças, jovens e adultos. Fantasiar é saudável, às vezes menos doloroso do que viver uma realidade triste demais e que a cada dia se torna mais triste, já alertava C.S. Lewis.

Download dos Primeiros Volumes:

A Sétima Torre Vol. 01: A Queda

A Sétima Torre Vol. 02: O Castelo

A Sétima Torre Vol. 03: Aenir

A Sétima Torre Vol. 04: Acima do Véu

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Esboço Para uma Teoria das Emoções 01/01/2010

A filosofia é essência ou parte de todas as ciências humanas e sociais, ela se alia e complementa outras áreas. Muitos filósofos perceberam essa cumplicidade e discorreram sobre isso em suas obras, em outros é possível identificar esse fato através da leitura de seus escritos. Jean-Paul Sartre, o filósofo do existencialismo, em seu livro Esboço Para uma Teoria das Emoções (1939), fala sobre a psicologia, ressaltando suas teorias, evolução e influência filosófica.

A princípio Sartre faz uma análise das teorias clássicas, inferindo que todas são incompletas, mas complementativas umas das outras. Partindo da teoria fisiológica de James, passando pela teoria das condutas de Janet, depois pela teoria da emoção-forma funcional, até finalmente chegar à consciência. A consciência funcionando como auto-juízo é uma das formas de se estudar a psique humana, e de conhecer a si próprio.

Durante seu discurso Sartre nos instiga a refletir sobre o efeito e a causa das emoções nas mais diversas situação. Ela pode funcionar como agente causador de tragédias e vitórias, e também pode vir como manifestação resultante do agrado ou desagrado de determinadas situações. É questionada a exclusividade atribuída a certas emoções, como alegria e tristeza, onde se vê que nem toda alegria é sadia e que nem toda tristeza é portadora de algo ruim. Tristezas que vêm para bem, e alegria para o mau.

O Medo também é um ponto importante para se questionar a influência das emoções e sua ação sobre o fisiológico. Como por exemplo, a sensação de medo pode fazer com que uma pessoa chegue a molhar as calças. Além disso, a conduta de alguém pode ser avaliada de acordo com suas ações que surgem de suas intrínsecas emoções. E é nesse emaranhado psicológico que esse pequeno livro nos permite refletir e até mesmo inferir novas idéias analisando nossas próprias emoções a partir das afirmações de Sartre.

O autor, além de sua imensa contribuição filosófica, é responsável por estudos que permitiram aos seus sucessores uma nova visão de sociedade. È autor também de obras literárias cuja mais importante se intitula A Náusea. Talvez de seu romance com Simone de Behavoir tenha surgido esse importante interesse pela psicologia. Segundo o autor esse Esboço é destinado a futuros estudiosos da Psique humana, e sendo portando apenas um direcionamento do que poderia ser a semente para futuras monografias sobre emoções.

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Violência Gratuita (Funny Games U.S., 2007) 22/12/2009

“Não se esqueça da importância do entretenimento.”
Paul.

Devo começar comentando os maravilhosos títulos em português que a maioria dos filmes, séries e livros recebem no Brasil. Desde os tão modificados até os mais irrelevantes, só pra citar o filme The Happening que muda totalmente de sentido quando adaptado para o título sem nexo nenhum, Fim dos Tempos. Nesse caso do Funny Games U.S. a adaptação pode até chamar mais atenção que a tradução literal, mas de forma alguma chega perto de passar a essência do filme que o título original passa. A violência presente no filme é gratuita? É. Mas não é por isso que os personagens fazem o que fazem, não é por falta de pagamento ou punição, é por prazer.

O filme, produzido em 2007, é escrito e dirigido por Michael Haneke, que resolveu dá um ar diferente ao filme, incrementando-o com fantasia. No elenco temos a conhecidíssima Naomi Watts que contracena com Tim Roth, Michael Pitt, Brady Corbet e Devon Gearhart. Das atuações não se pode dizer que são as melhores, mas os atores conseguem passar o ar sádico e divertido proposto pelo diretor.

O filme poderia ser resumido como um thriller em que uma família em férias é visitada inesperadamente por dois jovens com alguma perturbação mental grave. Eles transformam o descanso dessa família em pesadelo fazendo-os parecerem brinquedos em suas mãos. As vítimas são forçadas a coisas inimagináveis, onde têm que enfrentar seus terrores e esforçar-se para manterem-se vivos. A fotografia do filme não é das mais bonitas, mas causa estranhamento pela forma como é colocada. As cenas focam mais o ambiente, objetos e coisas, bem mais que os próprios personagens. Isso gera um estranhamento em quem assiste, é uma forma de insinuar que o meio influencia nas ações das pessoas?

Durante o filme têm-se a sensação de que não há uma boa justificativa para o que está se passando, e que o roteiro está mal construído da forma que as coisas andam, mas com a imprevisibilidade do final, nota-se que tudo se encaixa e obedece a um ciclo. Diagnosticar os garotos como psicopatas pode até servir de consolo para quem sente nojo de suas ações, mas a psicopatia muitas vezes é usada como diagnóstico errado, não cabe a mim a tarefa de tentar inferir juízo sobre a sanidade mental dos personagens, mas devo dizer que esse desejo de diversão pode ter uma gênese diversa, e se for de acordo com alguns elementos do filme, desconhecida.

Se o filme é muito forte, provocativo, insano e cruel, por outro lado é bem cômico e pode ser que o diretor queira que você ria da desgraça alheia enquanto se desespera junto com os personagens. Um exemplo disso é a cena em que Naomi Watts pega uma arma e atira em um dos jovens, e o outro rapaz se desespera por ter perdido o parceiro e então corre em busca de um controle remoto e volta toda a cena, e então modifica tudo impedindo que o tiro seja disparado. É uma cena sem explicação que desgraça a vida da personagem de Naomi, mas que faz quem assiste soltar gargalhadas até. A princípio é inacreditável que isso esteja acontecendo no filme, dá pra se pensar que é um erro no aparelho que esteja rodando o filme, embora sejamos obrigados a acreditar que algo tão sem sentido esteja acontecendo em um filme tão psicológico. Essa é uma das dicas de que tudo pode ser apenas um bando de palavras transpostas de um roteiro que talvez também seja por completo sem sentido. Se, como um dos personagens diz, tudo é pelo entretenimento, devo dizer que vale a pena ver esse filme, mesmo que apenas por esse motivo.

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