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Literatura, cinema, teatro, música, animes, mangás, eventos e outras coolturas

Os Estranhos (The Strangers, 2008) 24/11/2009

Arquivado em: Cinema — ademarjr @ 1:43 PM
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Por que estão fazendo isso conosco?
Kristen McKay

Suspense é um dos gêneros de filme que mais agrada, pois meche muito com a emoção humana, podendo assim provar sua resistência e limites. Muitas vezes o filme põe à prova a resistência dos próprios personagens permitindo ao telespectador se colocar no lugar ou simplesmente querer não está nele. Os Estranhos pode ser citado como esse tipo de filme, o filme assusta, embora a forma como é contado (mais devagar que o que se costuma ver) não cause tanto medo assim.

O filme assusta mais por ser inspirado em fatos reais, é difícil acreditar em tal afirmação após terminar de assistir, mas coisas piores acontecem na vida real e esse torna-se apenas mais um exemplo. O roteiro e direção são de Bryan Bertino, que faz com que os 88 minutos de filmes pareçam horas e horas. No elenco temos Liv Tyler, que faz uma atuação digna de nota, e Scott Speedman, que não é tão excepcional assim.

Na história temos o casal Kristen e James, interpretado por Tyler e Speedman, que chegam à remota casa de veraneio dos pais de James, procurando por descanso devido à noite difícil que tiveram, motivo da desilusão do rapaz, o filme assim já começa com essa tensão causada por sentimentos conturbados dessa relação amorosa. Eles são perturbados pela aparição de três estranhos misteriosos e mascarados. O que eles querem? Matá-los ou só fazê-los sofrer? Os estranhos aparentemente possuem um prazer doentio em atormentar o casal, colocando-os no limite da sobrevivência, instigando atitudes impensadas e aflorando seus instintos. O motivo que leva os mascarados a praticarem tais atos está implícito por todo o roteiro, mas é revelado desnecessariamente ao final.

Se o filme busca mostrar atitudes humanas neste tipo de situação, acaba conseguindo êxito. Porém o diretor ainda usa de situações batidas em filmes do gênero como, por exemplo, quando James por susto mata o amigo, confundindo-o com um dos estranhos. O filme acerta em não revelar a identidade dos estranhos, pois gera uma certa tensão em quem assiste por não ter suas curiosidades reveladas, se bem que decepcionará alguns. O final como já disse, não é dos melhores, com explicações desnecessárias e um desfecho não tão esclarecido assim, terminado com a continuação da cena que inicia o filme.

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Chocolate Underground 18/11/2009

O mercado de animes e mangás é alimentado por séries gigantescas, e talvez por isso (por explorar bastante um tema) consigam tamanho sucesso, recentemente pode-se citar os conhecidíssimos Naruto, One Piece e a nova febre aqui no Brasil Bleach, sem contar com os mais recentes e promissores Soul Eater e D.Gray-man. Mas há um mercado anônimo que também dá certo, o dos animes desconhecidos (aqui no Brasil), existem otakus especializados em descobrir este tipo de animação, que muitas vezes não perde em nada para as grandes produções, em termos de qualidade e roteiro. Chocolate Underground (チョコレートアンダーグラウンド) é um anime diferente tanto em roteiro quanto em formato.

Baseado no livro de título homônimo do escritor inglês Alex Shearer. O anime possui 13 episódios de aproximadamente 5 minutos cada, direção de Takayuki Hamana e foi distribuido via celular, exibido pela TV e transmitido via satélite, quem quis ver teve que pagar. Animes tão curtos assim não é algo muito convencional, mas existem vários no estilo, outro exemplo é REC.

Conta a história de um país onde o governo proibiu severamente o consumo, fabricação e qualquer tipo de comercialização do chocolate e produtos achocolatados. Em seguida é proibido o consumo de qualquer tipo de carboidrato e alimentos doces, sob pena de prisão se apanhados em flagrante. Com tudo isso as pessoas se tornam frias e sem alegria. Durante o pouco tempo de anime vemos que tudo é uma jogada de marketing da empresa “Bom Para Sua Vida” que tenta a todo custo lucrar com a venda de seus horríveis produtos saudáveis.

Para deter e controlar o contrabando de chocolate é acionada a Polícia do Chocolate e até robôs gigantes que localizam os ingredientes do cacau em qualquer lugar. Em luta contra essa dominação que se apossou até das mídias de comunicação, se levatam Huntly e Smudger dois garotos que se vêem insatisfeitos com a tristeza que assola a população. Eles partem em busca dos ingredientes para produzir clandestinamente o chocolate, e distribuí-lo em seu bar subterrâneo, o Chocolate Underground.

O anime pode até parece fraquinho e sem uma boa história, mas é divertido e repleto de metáforas e analogias, criticas e denuncias. Pode-se comparar indevidamente a proibição do chocolate com a proibição de drogas ou coisas do tipo viciante, sendo este o fator gerador de contrabandos e clandestinidade. O anime também denuncia e faz apelo pela escolha de quem se escolhe como governante, e isso se encaixa muito bem aqui no Brasil. Em meio a tudo isso vemos também um excepcional doce feito de amizade, superação, esperança e sentimentos do tipo. Vale a pena ver, e o melhor é que não levará muito tempo para isso.

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The Mudge Boy (Idem, 2003) 17/11/2009

Arquivado em: Cinema — ademarjr @ 12:55 PM
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The Mudge Boy

Vez ou outra nos deparamos com filmes desconhecidos, mas que esbanjam qualidade (ou não). Não é raro nos atrairmos por um filme por causa de sua sinopse, ou ainda quando alguém nos indica e fala muito bem do mesmo. The Mudge Boy em parte pode ser encaixado em uma dessas situações. Um drama intenso, mas que deixa, e muito a desejar.

Escrito e dirigido por Michael Burke, o filme conta em seu elenco com Emile Hirsch, Thomas Guiry e Richard Jenkins. Não se pode dizer que os atores fazem a melhor atuação possível, porém dá pra dizer que é suficientemente boa o bastante para agradar.

Na história temos Duncan um garoto que mora com seu pai em uma fazenda. Após a morte de sua mãe Duncan fica com a tarefa que a ela pertencia, cuidar das galinhas. Segundo alguns personagens o garoto parece muito com a mãe, coisa que o filme em si não expõe. O rapaz vive sob os cuidados desconfiados do pai, que acha seu comportamento estranho e suspeito. Em meio a uma perturbação adolescente, ele se ver apunhalado pela partida da mãe. A falta da figura materna acarreta ou acentua o comportamento estranho dele, que começa a usar as roupas da mulher.

O pai do garoto temeroso da opinião e comentários das pessoas de uma cidade pequena passa a controlar o garoto e tenta mudá-lo. Inevitavelmente, Duncan conhece outros jovens que o mostram o que é curtir a vida, e nesse ínterim suas dúvidas se fortificam quando este se vê diante das atitudes de seu novo amigo Perry. Ele em meio as angustias pessoais vai se desenvolvendo e adquirindo maturidade, seja por experiência de vida ou por imposições alheias.

É notável que este tema não é novo nem inovador, mas mesmo assim gera um certo ar estranho, que foge do convencional. Tratar de adolescência, relacionamento familiar, sexualidade e temas da vida pessoal é de certa forma algo positivo, pois isso faz quem assiste se identificar com uma ou outra situação. Mas se não for bem feito, torna-se um pouco desagradável.

The Mudge Boy até que é bom. O que o estraga é o final ridiculamente aberto, sem nenhuma explicação, o clímax não tão evidente não se completa decepcionando até os que o assistam no maior desinteresse.  Dá até para pensar que trata-se de um piloto de alguma série, e que haverá uma continuação, simplesmente para justificar tudo, mas não há. Caso queira saber o que acontece depois, simplesmente imagine, isso mesmo, intencional ou não do diretor, mas é você que escolhe o que lhe “der na telha”, baseando-se nos ocorridos finais do filme.

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Twin Peaks – 1ª Temporada 16/11/2009

Twin Peaks

Falar de David Lynch não é tarefa fácil. O diretor é famoso por seus filmes inusitados e únicos, foi várias vezes indicado ao Oscar (Coração Selvagem, Veludo Azul e O Homem Elefante). Depois de dá os primeiros passos (bem firmes) no mundo do cinema, ele resolve tentar algo pra TV, e o resultado disso é Twin Peaks (1990). Criada pela parceria de Lynch e Mark Frost, essa série é uma jóia rara.

Twin Peaks é uma série muito criativa, que envolve mistério, muito suspense e humor negro. A primeira temporada (de duas) conta com sete episódios mais o piloto, que é tão bom que acabou sendo exibido e vendido junto com os demais episódios. A série que a princípio parecia invendável, e que recebeu da ABC apenas 7 horas para exibição, acabou tornando-se um sucesso garantido que rendeu uma segunda temporada de 22 episódios. Essas 22 duas horas extras foram conseguidas como fruto do excelente trabalho de Lynch e Frost.

Ao assistir temos o prazer de desfrutar de uma mistura de talentos. A série é escrita por David Lynch (piloto e episódios 01 e 02), Mark Frost (piloto e episódios 01, 02, 05 e 07), Harley Peyton (episódios 03 e 06) e Robert Engels (episódio 04). E dirigida por David Lynch (piloto e episódio 02), Duwayne Dunham (episódio 01), Tina Rathborne (episódio 03), Tim Hunter (episódio 04), Lesli Linka Glatter (episódio 05), Caleb Deschanel (episódio 06) e Mark Frost (episódio 07). No elenco temos Kyle MacLachlan, Sheryl Lee, Everett McGill, Richard Beymer, Ray Wise e Mädchen Amick.

A história, bem construída, gira em torno da investigação do assassinato de Laura Palmer (Sheryl Lee), uma garota muito popular na pequena cidade de Twin Peaks. Para investigar o caso chega à cidade o agente especial do FBI, Dale Cooper (Kyle MacLachlan). Com o tempo ele acaba descobrindo que a cidadezinha está repleta de segredos fatais, e mistérios inexplicáveis. Numa trama onde todos são potenciais criminosos, comprova-se pelo caráter de cada personagem, é difícil se chegar ao verdadeiro assassino, e é isso que instiga o telespectador a ver tudo de uma vez, sem parar. Atente para a relação afetiva insinuada e implícita entre Laura Palmer e seu pai.

Deve-se prestar o máximo de atenção se quiser obter o mínimo de informação sobre o que a história realmente trata. Em se tratando de Lynch há uma tempestade de coisas implícitas e subtendidas que permite a cada um sua própria interpretação. Uma análise psicológica profunda, a vida pacata de uma cidade pequena fielmente recriada. Onde todos são traidores dos outros e de si mesmos, onde a corrupção e a hipocrisia caminham lado a lado. Os “ossos do oficio” e temas perturbadores, é de disso tudo que se compõe Twin Peaks. 

A primeira temporada da série foi uma aposta que deu certo da emissora ABC. No final da primeira temporada há o máximo de finais abertos que uma série pode ter, o destino de todos os personagens fica indefinido, e foi justamente isso que fez com que a série conseguisse uma continuação, e aproveitando que na época as emissoras estavam passando por uma greve de roteiristas, Lynch e Frost deram uma tacada certa. Além da segunda temporada há também um longa-metragem (Twin Peaks – Fire Walk With Me, 1992) que encerra a história. No geral é um excelente trabalho que vale muito, mas muito a pena ver.

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Domingo Negro 14/11/2009

Domingo Negro

Domingo Negro - Thomas Harris

Livros ficcionais sobre conspirações mirabolantes existem aos baldes, e surgem cada vez mais, atualmente é um dos temas que mais rendem volumes nas prateleiras, Dan Brown e seus genéricos estão aí para comprovar isso. Porém poucos autores têm a habilidade de transpor para a literatura situações e histórias que poderiam facilmente ser tidas como reais. Thomas Harris tem um gosto bem particular por esse tipo de história, embora seja visto como um autor confuso, cheio de divagações desnecessárias. Em seu livro de estréia, Domingo Negro [Black Sunday, 1975], ele já aborda um tema que devo dizer ser complexo de ser trabalhado, mas mesmo sendo seu primeiro livro não deixa nada a desejar.

O livro tem uma linguagem acessível. Apresenta também uma narrativa multifocal não linear, repleta de flashbacks e digressões. Torna-se enjoativo no início, mas vai melhorando a medida que se aproxima do final, e devo dizer, que o final imprevisível faz o livro detalhado demais valer a pena. A impressão que se têm durante a leitura é que a história seria bem melhor numa versão cinematográfica, e para os fãs desse tipo de filme saibam que o livro já foi adaptado pro cinema em 1977 pelo diretor John Frankenheimer. Thomas Harris é conhecido por seus outros livros que também já foram adaptados para o cinema, e devo dizer também que fazem mais sucesso assim.

É de sua autoria Dragão Vermelho, O Silêncio dos Inocentes, Hannibal e Hannibal – A Origem do Mal. Os filmes são bem famosos e chegaram a ganhar Oscar, sem contar com a eternização do personagem Hannibal, interpretado nos filmes por Anthony Hopkins.

Em Domingo Negro temos um grupo de terroristas árabes que se vêem diante da tarefa de por em execução um plano sinistro de um atentado aos Estados Unidos. O plano trata-se de explodir um dos maiores estádios de futebol americano durante um grande jogo. Para realizar esta louca tarefa está escalado Michael Lander, ex-piloto da Marinha americana e ex-prisioneiro de guerra, motivo que o saturou de revolta e de ódio. Para ajudá-lo nessa tarefa entra em cena a linda e esperta Dahlia Iyad (a maior vilã do livro, em minha opinião). Tudo planejado minuciosamente, tecnicamente perfeito e cheio de detalhes. Para tentar impedi-los está o Major David Kabakov, do Serviço Secreto de Israel, que sabe que os terroristas estão montando um golpe aos Estados Unidos, porém ainda não sabe qual.

O livro não é um exemplar fácil de encontrar, não se sabe por que não há relançamentos, podendo ser encontrados em sebos e livreiros. Esse romance de aventuras fascina pela sua verossimilhança. Copia uma triste realidade que foi confirmada muito tempo depois que o autor escreveu o livro, o único erro foi o alvo. Não há muita diferença entre os procedimentos encontrados nesse livro de ficção e um livro de não-ficção sobre o mesmo assunto, como por exemplo, Plano de Ataque do carioca Ivan Sant’Anna, onde o autor recria o atentando de 11 de Setembro aos Estados Unidos, reunindo todo o material encontrado sobre o assunto. Recomendo a leitura, embora saiba que nem todos irão gostar.

Autor:

Thomas Harris

 

As Horas (The Hours, 2002) 11/11/2009

As Horas

Não se pode negar a influência e contribuição da literatura para o cinema, seja ela da mais variada forma ou nos mais variados gêneros. As Horas é um drama forte e encantador, baseado no livro homônimo do escritor norte-americano Michael Cunningham, que por sua vez se inspirou no romance Mrs. Dalloway de Virginia Woolf. Cunningham acabou pegando emprestado o título provisório do livro de Virginia. Tudo em homenagem à grande escritora.

Com roteiro escrito por David Hare  e dirigido por Stephen Daldry (o mesmo de Billy Elliot), este filme denso de 114 minutos, conta em seu elenco com  participação de Nicole Kidman, Julianne Moore, Meryl Streep e Ed Harris. É fácil notar que a parceria dos envolvidos no projeto funcionou bem.

Na história, que segue bem a criação de Cunningham, somos apresentados a três tempos interpostos, contando enredos distintos entre si em espaço e tempo, mas que ao com o decorrer dos fatos vai se alinhando e se relacionando. Primeiramente temos um subúrbio de Londres em 1923 quando Virginia Woolf (Nicole Kidman) escreve o livro Mrs. Dalloway; um subúrbio de Los Angeles em 1949 quando Laura Brown (Julianne Moore) ler avidamente o livro de Virginia e por fim Nova Iorque em 1990 quando Clarissa Vaugham (Meryl Streep) vive sua vidinha já descrita por Virgínia e lida por Laura. Só esse pequeno demonstrativo do que acontece já é um chamariz mais que eficiente para o filme (ou livro, os dois), mas é muito mais que isso.

Há verdades, mistérios, realidades tudo perfeitamente encaixado em uma história bem construída e justificada. É notável a semelhança na vida das três mulheres que lutam por suas vidas próprias e por se livrar de algemas a elas impostas por sociedades em diferentes épocas, podendo ser observado que a época contribui para o destino de cada uma, tudo resultante de suas escolhas. Algo nitidamente presente é a menção à guerra seja ela inspirativa para Virginia em seu romance de 1923, explicita em um herói de 1949, ou meramente na metáfora sobre o aidético Richard (Ed Harris).

É notório que o tema central da história é a identidade das personagens, e isso é acentuado no filme quando somos colocados diante da questão sexual de cada uma delas, parece que a atração pelo mesmo sexo é mais um ponto comum entre as três, além do sofrimento causado não apenas por isso. São pessoas aprisionadas em vidas que não lhes pertencem. É agradável ver como atitudes diferentes em relação ao sofrimento ou algo comum, pode resultar em finais distintos, e que para isso basta apenas um pouco de reflexão.

O título nomeia bem uma trama que é contada em horas e instantes, sejam eles causadores ou decisivos de tudo que gira em torno das escolhas disponíveis a cada um. São de momentos cruciais que nós somos levados acima ou abaixo, como resultados dessas escolhas. Se formos notar dias inteiros não medem um único sentimento, horas sim, elas são mais precisas, é através delas a forma mais correta de se medir a vida. Recomendo a todos esse belo filme, e os livros também (As Horas e Mrs.Dalloway).

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Fim dos Tempos (The Happening, 2008) 07/11/2009

Fim dos Tempos

É difícil encontrar um tema mais batido no mundo cinematográfico que esse que dá título (em português) a esse filme. Fim dos Tempos não é mais um, pois se você assistir verá que não tem nada do que diz o título nacional mal adaptado. Se o título conota uma catástrofe mundial como acontece em Armageddon ou O Dia Depois de Amanhã, nada disso é confirmado no enredo da história. Podendo ter sido muito mais louvável e até mais chamativo uma tradução literal, O Acontecimento. Essas adaptações de títulos as vezes é algo lastimável e muda completamente o sentido original da obra, seja ela qual for.

Escrito e dirigido pelo indiano M. Night Shyamalan, que também dirige o live action do desenho animado Avatar – The Last Airbender (o filme recebe o mesmo título), que tem estréia prevista para o verão de 2010, e outros já conhecidos como A Vila, A Dama na Água e O Sexto Sentido. No elenco temos Mark Wahlberg, Zooey Deschanel (que atuou em Sim, Senhor! Ao lado de Jim Carrey), John Leguizamo e Ashlyn Sanchez.

Os fatos que acontecem no filme são um mistério. De repente começam a acontecer coisas estranhas, mais precisamente o comportamento das pessoas começa a ficar estranho, mas o anormal aqui é que esse comportamento estranho e assassino não é contra os outros, mas contra si mesmos. Várias hipóteses e justificativas aparecem para explicar o fenômeno, alguns dizem ser uma reação vingativa das plantas, que agindo contra a ação destrutiva do homem, produzem toxinas que geram esse comportamento. Outros dizem ser uma arma secreta do governo sendo testada.

Até as certezas são questionadas, e quando se pensa ter chegado a solução do mistério é ai que ele começa, como é o caso da idéia sugerida pelo personagem Elliot Moore (Mark Wahlberg) que afirma a manifestação apenas quando há atividades em grupos, mas logo isso é descartado quando há ataques isolados, e é nessa tentativa de explicar o inexplicável que se passam todos os … minutos. Ficção-científica é um tema extremista, geralmente só atrai os fãs do gênero, ou aficionados religiosos que usam esse tipo de filme como argumento para justificar suas crenças.

Mas há também (seguindo a idéia do ataque das plantas) um debate ecológico, essa de vingança homem-natureza. O diretor é conhecido pela fama que tem de dá uma há fabular em suas obras. Nesse poderia facilmente ser inserido a moral “Os homens dominam a natureza para destruir-la; Uma hora (no filme) a natureza dominará o homem, também para destruir-lo.” (moral meramente interpretativa e sem confirmação da intenção dos autores). O filme não é uma obra-prima, e nem é o tipo de filme que faz você querer ver de novo, mas pode ser que alguém goste, afinal há gosto pra tudo.

Tralier:

 

Irreversível (Irréversible, 2002) 06/11/2009

Irreversível

Vez ou outra nos deparamos com filmes que até fazem muito sucesso, ou repercutem de alguma forma, mas que por acaso a gente só consegue analisar bem depois. Irreversível é um longa-metragem de 99 minutos que transcorre de trás pra frente, isso mesmo, para quem não viu, o filme começa com o final e vai se desenrolando até o começo. Estranho? Espere até vê-lo por inteiro, nada pode ser mais estranho que esse filme como um todo. Repleto de violência, ganhou vários prêmios e chocou o público na competição do Festival de Cannes em 2002. De início (ou melhor, final) somos apresentados a uma cena de um crime brutal, e logo após vai regredindo até o início dos fatos com cenas doces e amorosas. Poderia se chamar de final feliz, mesmo quando se trata do começo?

Escrito e dirigido por Gaspar Noé. Nos papéis principais temos o casal na vida real Monica Bellucci e Vincent Cassel, que interpretam bem o casal do filme. Ainda no elenco vemos Albert Dunpontel, Philippe Nahon e Jo Prestia. Os responsáveis pelo trabalho (atores, diretor, roteiristas, etc.) já se encontraram na produção de outros trabalhos, isso contribui para que haja sintonia. E Bellucci já é conhecida do público, principalmente por seu papel de Persephone  nas seqüências de Matrix. Outro detalhe é que muitos personagens ganham o nome do próprio ator, e também é notável quando o personagem Marcus se intitula Vincent.

As pessoas de estômago fraco irão parar de ver o filme nas primeiras cenas, ou simplesmente cobrirão o rosto em algumas, e também aqueles que gostam de um filme linear, com uma câmera estacionária não irão se satisfazer. Nessa obra de arte francesa temos tudo ao contrário, tudo sob controle do diretor, vemos uma câmera girando, dando piruetas e há cenas como se alguém (estranho) tivesse carregando-a. Há momentos transitórios em que há uma sensação de tontura, e cenas longas que as vezes acha-se que são desnecessárias. Cenas fortes como a que se passa nos corredores, que mais parecem masmorras, da boate de sadomasoquismo gay, Rectum.

As cenas transcorrem “do começo ao fim” o que é feito de trás pra frente é a ordem das cenas. Os créditos finais são apresentados logo no início, e no fim temos uma bela cena a princípio sem muito sentido que iniciaria outro filme qualquer. O trabalho é quase todo improvisado pelos excelentes atores, pois o roteiro original só tem 4 páginas. Há quem compare as inovações de cenas batidas que há em Irreversível com a forma de inovar de Psicose. A história se passa em uma única noite, que vai do final dela até o início. Talvez você crie uma aversão ou incompreensão dos motivos que levam o personagem Marcus (Vincent Cassel) e seu amigo Pierre (Albert Dunpontel) a buscar por vingança pelo que acontece à mocinha Alex (Monica Bellucci), mas o filme que começa com o clímax e revelando o fim da história ainda consegue surpreender com fatos relevantes que são explicitados apenas no início (que no caso é o fim do filme).

Há que se esperar até o filme acabar (e a história começar) se você quiser realmente entender, pois esse é um filme que não usa meios para explicar o fim, mas usa o fim para explicar os meios. Enquanto se assiste há um despertar de emoções, desde nojo, horror, aversão, tristeza até emoções singulares em cada um. Acho muito difícil você se levantar de uma cadeira ao final do filme sem sentir uma tontura, ou simplesmente uma confusão de idéias, principalmente com a cena da luz oscilante que encerra o filme. Se você achou esse texto confuso, posso lhe afirmar que o filme é muito mais.

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Lucky Blue (Idem, 2007) 05/11/2009

Lucky Blue

Muitas vezes somos colocados diante de filmes que nem sabemos do que se trata de antemão. Movidos pela curiosidade da capa ou pela indicação de amigos, somos surpreendidos pelo conteúdo, seja ele por ser muito bom ou por nem valer a pena. E quando se trata de curtas, ai é mais fácil o acesso (ou não?). Curtas têm a vantagem de serem rápidos de ver, mas possuem a desvantagem de deixaram um “gosto de quero mais” se forem bons. Dificilmente se encontra curtas em DVDs para locação, ou você ver ele como bônus de outro filme, ou baixa da internet, ou ainda ver no YouTube, caso o vídeo seja pequeno, não é o caso de Lucky Blue.

Lucky Blue é um curta com 30 minutos de duração, escrito e dirigido pelo sueco Håkon Liu. O elenco é formado por Tobias Bengtsson, Tom Lofterud, Britta Andersson e Johan Friberg, que dão vida aos personagens desse drama amoroso, e romântico. De início somos apresentados a Olle (Tobias Bengtsson) que está organizando um festival anual de música, que acontece em todo verão, em um pacato vilarejozinho no interior da Suécia. Vindo como convidado pela tia, que aparenta ter uma forte relação com o pai de Olle, chega Kevin (Tom Lofterud) , um rapaz, que a principio dá uma idéia de grosso, fechado e mal humorado.

Com o decorrer (rápido) dos fatos, eles por acaso (será? O começo pode refutar isso) se aproximam e se tornam amigos, e um incidente com o pássaro (Lucky Blue) da tia de Kevin que acaba fugindo da gaiola, torna-os cúmplices, uma cumplicidade que evolui em algo mais, algo que os deixa confusos e cheios de dúvidas. Lucky Blue, o pássaro que “se liberta” e depois faz as próprias escolhas, como por exemplo, voltar pra casa, pode até ser visto como analogia, mas é meramente interpretativa de cada um. O que nota-se de interessante, é uma mudança de atitudes nada convencional, Olle o menino do interior, de quem se espera as atitudes grotescas, é quem assume o papel mais sentimental, deixando as patadas por conta de Kevin, de quem se suporia a origem do tal sentimentalismo.

O final não é nada surpreendente, mas o filme tem por si só uma justificativa, não se pode dizer que seja inverossímil, pois se fosse assim estaríamos julgando com a vivência que temos na nossa cultura. O filme também encanta pela música, fotografia e pelo ar poético que permeia nas composições de falas e imagens. Talvez agrade até quem considera esse tipo de relação um antiromantismo.

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Animex Piauí, Novembro 2009 02/11/2009

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Animex Piauí 2009

Eventos de animes e cultura japonesa sempre atraem muitos otakus e curiosos. As animações e quadrinhos nipônicos estão completamente inseridos na cultura ocidental, e o Brasil é um dos melhores exemplos disso. Os eventos são comuns em todo o país. Teresina mesmo conta com diversos eventos com essa temática. Próximo dia 15 de novembro é a vez do Animex Piauí, um evento de exibição de animes que começou em março de 2004 e que a princípio era de periodicidade mensal.

Essa edição acontecerá no Cine Teatro da Assembléia do lado do Centro de Conveções na Av. Castelo Branco S/N. Tendo início às 7:30hs e se estendendo até as 12hs, com entrada no valor de R$ 3,00. Na programação está incluido, além da exibições de animes e filmes (em anime), concurso de cosplays e lojas de artigos animangáticos. Está prevista a exibição das seguintes animações: Macross Frontier, Rosario Vampire, Soul Eater, Tsubasa Reservoir Chronicle, Blade – A Lâmina do Imortal, Bleach – O Filme e Vampire Knight.

O crescimento e melhoria de eventos desse tipo e desse porte depende da presença fundamental de cada um. É papel de todos a divulgação tanto dos eventos como dos animes, para que cresça não só o número de otakus, mas também para que as pessoas venham conhecer e apreciar essa forma de arte, que ainda é vista com muito preconceito. Os animes e mangás têm um papel social, não são apenas um punhado de personagens coloridos ou páginas de nanquim, é muito, muito mais que isso. São eventos como esse que nos alertam para isso.

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Abertura Animex 2009: